14/12/2011 - Ex-secretário enriqueceu mais do que se tivesse ganhado na Mega acumulada

 

Com uma evolução patrimonial infinitamente maior que a declaração de bens apresentada entre 2004, quando assumiu como secretário-adjunto e 2005 -quando foi efetivado como titular da extinta Secretaria de Infraestrutura-, até maio de 2010, quando entregou a pasta sob pressão e acusado ser o chefe da quadrilha que lesou os cofres públicos do Estado em R$ 44 milhões , favorecendo licitações na compra de 705 equipamentos para o programa “MT 100% Equipado”, a última grande ação do Governo Blairo Maggi (PR), que custou R$ 241 milhões, o ex-secretário Vilceu Marchetti (PR) foi alvo de uma ação de improbidade administrativa proposta pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, segundo o qual, um estudo minucioso, que a evolução patrimonial do ex-secretário pode ser considerada como um "milagre da multiplicação da carne (gado), de terras e procriação de dinheiro".
 
Ao assumir a Sinfra, Marchetti possuia, de acordo com sua própria declaração de bens, míseros R$ 376,45 em uma conta corrente do Banco do Brasil; uma caminhonete Ford Ranger, ano 2001, no valor de R$ 20 mil; e um terreno urbano em Primavera do Leste, no valor de R$ 150 mil. Já em 2010, a declaração foi bem mais “polpuda”, somando R$ 1.438.150,90. Porém, de acordo com Mauro Zaque, os valores declarados dos imóveis não correspondem ao valor de mercado.
 
"Isso demonstra o quão incompatível foi o crescimento patrimonial, sendo que os valores apresentados (em 2010) estão, em quase sua totalidade, viciados e não correspondem, nem de longe, à realidade de mercado", afirma a ação.
 
A avaliação da declaração de bens já havia sido feita pelo Tribunal de Contas do Estado e é uma exigência legal, conforme explicou o presidente da Corte de Contas, Valter Albano. "Todo funcionário de cargo de confiança quando assume e quando deixa a função tem legalmente que entregar sua declaração de bens para cumprimento da lei", disse ele, lembrando que a regra é a mesma para todos e que a instituição não poderia deixar de cumprir com seu papel de fiscalizar os ocupantes de cargos comissionados.
 
A significativa variação patrimonial de Vilceu Francisco Marchetti apresentada no período em que permaneceu no cargo foi considerada “forte indício da prática de ato de improbidade administrativa”, e por isso, o TCE também decidiu pelo acompanhamento do Ministério Público Estadual, a fim de que sejam tomadas as medidas cíveis e penais cabíveis que forem entendidas como necessárias.
 
A decisão do TCE foi por maioria de votos, o processo começou a ser votado na sessão plenária do dia 1º de março e concluído na sessão plenária do dia 22 do mesmo mês, quando prevaleceu o voto divergente do auditor substituto de conselheiro Luiz Henrique Lima, que acompanhou o parecer do procurador de contas Getúlio Velasco. No parecer do Ministério Público de Contas, também tinha sido requerida a declaração da revelia de Vilceu Marquetti, que apesar de intimado não esclareceu os pontos considerados estranhos em sua declaração de bens.
 
Para se ter uma idéia de até aonde chega a certeza da impunidade de certos ocupantes de cargos públicos, o ex-secretário relacionou como bens quatro propriedades rurais, totalizando 19.600 hectares e mais de 2.300 bovinos e bubalinos. Mas, o que causa espanto na declaração de bens foi a informação de que a única fonte de renda era o subsídio de secretário de Estado e que as atividades de produtor rural apresentaram prejuízo.
Apesar do alegado prejuízo como produtor rural, atividade para a qual, segundo a própria declaração de bens, Vilceu Marchetti não tem nenhuma competência, seu crescimento financeiro é semelhante a um “sortudo” ganhador da mega sena acumulada por diversos concursos consecutivos.
 
Entre o patrimônio declarado por Vilceu Marchetti nos últimos seis anos (período entre a avaliação da primeira e última declaração de bens do ex-secretário) constam as fazendas Trindade, em Santo Antonio do Leverger, adquirida junto ao ex-secretário-geral da Assembleia Legislativa, e marido da ex-prefeita de Santo Antonio, Glorinha Garcia, Guilherme Garcia, cuja área total é de 3,5 mil hectares, ao preço de R$ 1,6 mil o hectare, perfazendo um total de cerca de R$ 5,6 milhões e outra, identificada como Fazenda Mar Azul, ao custo de R$ 1 mil o hectare, totalizando R$ 20 milhões.
 
Em uma conversa via telefone, Guilherme Garcia admitiu que havia feito a negociação com Vilceu Marchetti  e um sócio identificado como Nery Fuganti, um megaempresário de múltiplas atividades que seria estabelecido na cidade de Joaçaba, em Santa Catarina, porém, ao identificar que estava conversando com um jornalista tentou recuar, como mostra um trecho do diálogo abaixo, entre Guilherme Garcia e o jornalista.
 
Guilherme Garcia - “Eu não vendi ‘pra Virceu’, vendi pra Agropecuária Pantanal, quem comprou de mim foi Nery, que é o dono da Agropecuária Pantanal... Tem nada de nome de ‘Virceu’...”
 Repórter - Mas o senhor confirmou que tinha vendido pro Vilceu...
 Guilherme Garcia - “Não, eu falei que ele é ‘cumpadre do Virceu’, o ‘Virceu’ num sei se é sócio da Agropecuária Pantanal. Ta no nome pra quem que eu vendi...”
 Repórter - Ah... O Nery é compadre do Vilceu?
 Guilherme Garcia - “Eu sei lá o quê que ele é. Eu vendi pra ele. Ele que me pagou...”
 
Já o ex-proprietário da Fazenda Mar Azul, Milton Pichinin, confirmou que vendeu as terras para Nery Fuganti e negou qualquer relação com Vilceu Marchetti: “Eu não sei, eu não sei. Tá na Receita Federal declarado. Tudo na Receita Federal, o que eu fiz. Eu vendi pro seu Nery Fuganti”, disse.
 
Nery Fuganti é réu em vários processos na Justiça Federal de Mato Grosso e também tem pendências judiciais no Estado de Rondônia.
 
Luiz Acosta
Redação 24 Horas News

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