15/02/2015 - Terra de todos

Mato Grosso celebra neste domingo, 15, uma data significativa de sua história da ocupação do vazio demográfico no Vale do Araguaia. Há 40 anos o pastor luterano e colonizador Norberto Schwantes fundou a vila de Canarana, hoje próspera cidade - emancipada de Barra do Garças em 26 de dezembro de 1979 – e de um dos polos do agronegócio no Brasil.Canarana foi o embrião urbano que acolheu gaúchos que foram expulsos de suas áreas rurais em nome da política indigenista. Schwantes liderava a Cooperativa de Colonização 31 de Março (Coopercol), que sob sua inspiração também fundou as cidades de Água Boa, Querência, Terra Nova do Norte e Nova Guarita.

 

 

 

 

 

 

 

 

O processo de colonização de Canarana foi difícil. Além do isolamento e da falta de infraestrutura na região, seus pioneiros não tinham conhecimento prático nem informações agronômicas para cultivar o cerrado. Além disso, nos primórdios, não havia sequer estradas para o escoamento da produção do arroz que era a cultura dominante.


Schwantes era visionário sem tirar os pés do chão. Por falta de condições de transporte rodoviário satisfatório, comprou aviões para transportar pioneiros do Sul para Canarana. A principal aeronave da Viação Aérea Canarana (VACA) – que foi o braço aéreo da Coopercol - era um bimotor C-47 de prefixo PP-YPU, que voou para a força aérea dos Estados Unidos e para a lendária RAF de Sua Majestade a rainha da Inglaterra, na Segunda Guerra Mundial.

A visão do colonizador e a força dos que optaram por Canarana resultou na criação de uma cidade distante 830 quilômetros de Cuiabá, com belo traçado urbano, boa qualidade de vida, polo universitário e que é o ponto de convergência de um município com 19.948 habitantes e alicerçado por um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 655.301.000.

Canarana é muito mais que seus números e indicadores convincentes. O município é o ponto onde as águas do Culuene e Sete de Setembro se juntam para formar o lendário rio Xingu; além disso, é divisor das bacias do Amazonas e Tocantins. Mais: é uma terra de perfeita interação entre etnias xinguanas do Parque Indígena do Xingu e a sociedade envolvente.

Em Canarana, indivíduos das diversas etnias que vivem no Parque do Xingu, caminham pelas ruas, frequentam igrejas, estudam em escolas, cursam universidade e dividem a noite nos bares com a vizinhança urbana e rural.

Os problemas agrários na luta pela posse da terra que no passado resultaram na transferência de gaúchos para o Vale do Araguaia não se repetem em Canarana, que é uma das bases territoriais do Parque Indígena do Xingu.

A harmonia entre culturas tão distintas mostra que é possível a construção de um país multiétnico forte. O Diário acompanha a trajetória daquela cidade desde seu nascimento e acredita que pela força de sua gente que vive fora e dentro das aldeias, em breve Canarana será uma das referências urbanas mato-grossense.

 

 

Escrito por Editorial Diário de Cuiabá

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