15/02/2016 - Professores de MT reclamam do processo de atribuição de aulas

Os professores contratados da rede estadual reclamaram na manhã desta sexta-feira (12) do processo de atribuição de aulas feita pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

Neste ano, a atribuição dos professores se deu através do Processo Seletivo Simplificado (PSS), antiga contagem de pontos.

A professora Andreia Gomes, 35, trabalha há quatro anos na rede estadual, mas, tem 12 anos de formação. Ela disse que essa situação é humilhante, porque tiveram que correr de um lado para outro em busca de não perder o emprego.

"Com a contagem de pontos eu não fui nem classificada, isso porque fiz 35 pontos. Na lista aparece uma professora gestante que fez 15 pontos e foi convocada. Quero que eles me expliquem o porque dela ter sido convocada e eu não, se minha pontuação é maior que a dela"?

Já a professora Elizabeth Dias, 46, disse que tem duas pós-graduação e também não foi convocada. "Não tiramos férias, porque tivemos que ir na Seduc levar a documentação. Além disso, muitos cursos que fazíamos antes era aceito, agora com a nova gestão não. Por isso, quero deixar claro que é muito difícil entrar na rede estadual, agora que já estávamos lá dentro recebemos a notícia que talvez nem sejamos chamados este ano", lamentou.

Os primeiros que foram convocados para fazer a atribuição foram os professores efetivos (concursados). Em seguida, a Gestão Escolar da Seduc solicitou os contratados que foram os convocados que fizeram a maior pontuação na contagem de pontos. Após essas convocações serão chamado os que estão na lista de espera, informou a superintendente de Gestão de Pessoas da Seduc, Consuelo de Fátima Lima Nunes.

Quem enfim é chamado, deixa o auditório do Liceu e precisa apresentar os documentos que comprovem a sua formação, de acordo com a disciplina que está apto a ministrar.

O professor Pedro Silva, 42, disse que a distribuição das aulas deveria ocorrer como era antes, ou então que a escola pudesse preencher o quadro das aulas com os efetivos e com os contratados. Caso sobrasse alguma vaga, ela fosse atribuída para o processo seletivo.

"Passar por tudo isso e chegar com um sorriso no rosto no inicio das aulas é para poucos", disse o professor". 
Consuelo destaca que este processo é transparente é que todos os professores irão ter oportunidade de dar aula na rede estadual. "Muitas vezes tínhamos um professor mestre que nunca conseguiu ser contratado para dar aula. Porque o sistema era fechado nas escolas, agora não, todos poderão se candidatar", afirma a superintendente.

O presidente do Sintep de Cuiabá, João Custódio, ressalta que no aspecto da legalidade é muito bom, porque não existe fraudes. Já dentro do aspecto de encaminhamentos a Seduc atropelou este processo. Porque a secretaria teve durante o ano de 2015 muito tempo para se organizar e tomar estas decisões para que ocorresse de forma gradualmente.

João destaca que a portaria foi criada, mas acabou atropelando desde a contagem dos pontos, porque os professores deixaram de tirar férias para fazer as inserções ou validando o processo. Esse procedimento de juntar todos os professores foi inadequado, porque não trabalhamos só com o município, mas com o Estado. E isso criou uma expectativa de trabalho para todas as áreas.

"Hoje por exemplo, aqui tem umas 150 pessoas aguardando para ver se vão ser chamados ou não. Isso causa um desgaste muito grande nestes profissionais, porque nem todos serão chamados", alertou.

O presidente disse que este processo deve ser revisto pela Seduc para que não gere todo este estresse aos profissionais da educação. "Isso deveria ser feito na unidade escolar e somente no segundo momento e que eles trariam essas pessoas para cá, ara não gerar esse tumulto todo.

"Cada escola faria o seu grupo de acordo com as suas pontuações e depois iria para a Seduc ou assessorias pedagógicas para fazer estas redistribuições". O sindicato não pode intervir nestas contratações, porque o nome já diz, é contrato temporário. Devido a isso, que o sindicato briga para ter um concurso público para preencher toda a demanda", afirmou João.  

 

 

Soraya Medeiros, repórter do GD

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