15/04/2011 - 12h:00 Perseguição, tortura e assassinato em assentamento no Araguaia‏

 

Executor do Incra em São Félix, Cléber Cardoso e agricultor João Angélica, líder dos assentados

Uma pessoa assassinada, várias ameaçadas, torturadas psicologicamente e outras na mira de armas e mantidas por horas em cárcere privado. Tudo isso vem acontecendo no assentamento PA Fartura, em Porto Alegre do Norte (MT), região do Araguaia. Os crimes estariam sendo praticados por 12 famílias que teriam invadido a área onde o Incra assentou oficialmente 75 famílias. Sem contar que já foram despejados três vezes e tiveram seus barracos queimados.

Revoltados com a violência e também pela demora para a entrega dos documentos de posse das terras, assentados estão acampados na sede do Incra em São Félix do Araguaia exigindo providências.

De acordo com relatório elaborado pela Associação dos Assentados do PA Fartura, onde estão há cinco anos, os ataques feitos por membros dessas 12 famílias irregulares na área começou ainda em 2006, quando a neta do líder do assentamento João Angélica foi sequestrada e ameaçada de morte. O fato teria ocorrido no dia 15 de novembro daquele ano.

No dia 29 de março de 2007 um trabalhador sem-terra conhecido como “Chicão” foi brutalmente assassinado por pistoleiros. No dia 07 de junho do mesmo ano, outro assentado que estava furando um poço em sua terra foi retirado do fundo do buraco por 12 pistoleiros armados como forma de coação.

O conflito continuou e no dia 03 de julho de 2007 houve um grande tiroteio no local. E no dia 23 de dezembro do mesmo ano, homens armados teriam agredido João Evangélica e o mantido com uma faca apontada no pescoço por quatro horas, na frente dos demais assentados, entre mulheres e crianças.

Após um período de trégua, o  assentado conhecido apenas pelo apelido de “Rosa” foi cruelmente espancado no dia 23 de dezembro de 2009, às vésperas do Natal. Ele passou mais de 30 dias na UTI. Depois a alta do hospital, traumatizado e deficiente físico por causa das sequelas, ele decidiu abandonar a área e hoje vive em Confresa. Novo ataque ocorreu em junho de 2010, quando o casal “Hortência e Luiz Campos” foi violentamente agredido pelos pistoleiros. (Sandra Carvalho e Vanessa Lima)

Postada por Ida Aguiar