15/04/2015 - Cresce MT debate a educação no Estado e combate ao analfabetismo

O alto índice de analfabetismo no campo, que gira em torno de 12%, conforme dados do IBGE, é uma das preocupações da Famato. Justamente, por isso, a Federação e o Senar realizam, nesta terça (14), o evento Cresce MT – educação, política e economia por uma sociedade melhor, que reuniu cerca de 1,4 mil pessoas no Cenarium Rural.

 

O presidente da Famato, Rui Prado, explica que o Senar, que existe há 23 anos, quer chegar a 2020 tendo capacitado 1 milhão de pessoas no Estado. Até agora, são cerca de 700 mil, sendo 60 mil em 2013, e, atualmente, são disponibilizados 200 tipos de cursos.

 

Este processo de qualificação, entretanto, esbarra, entre outras coisas, no fato de muitas pessoas sequer saberem ler e escrever. “Um entrave grande para o século 21”, ressalta Rui. Nesta linha, destaca a necessidade de se pensar políticas públicas globais, que envolvam desde o ensino básico, passando pelo tecnológico e chegando ao universitário, com investimentos em pesquisas. “Só vai ter sucesso se envolver todas as pessoas”.

 

Mário Sérgio Cortella, educador e filósofo, explica a necessidade de se potencializar o ensino em todas as esferas. “A escola é apenas um pedaço”. Em relação ao alto índice de analfabetos no Estado, Cortella diz que a situação é uma “doença inaceitável” e que, em Mato Grosso, acaba ocorrendo também em razão da natureza territorial. Chico Graziano, mestre em economia e doutor em administração, por sua vez, destaca que além de se pensar na educação tradicional, é preciso levar telefonia e internet para o campo.

 

Ocorre, segundo ele, que o Estado tem uma população diminuta e com poucos municípios. “Quanto mais cidade, menor este nível”. De todo modo, o estudioso reforça que Mato Grosso precisa virar este jogo, tendo em vista que o agronegócio está cada vez mais mecanizado e tem pessoas que não sabem “ler o que está escrito na bandeira”.

 

O secretário-adjunto de Políticas Educacionais, Gilberto Fraga, reconhece que o cenário é negativo e evidencia a implementação de políticas públicas para mudar a situação. Cita como uma das medidas do Governo o lançamento, nos próximos dias, do programa estadual de erradicação do analfabetismo no Estado. Exemplifica ainda a realização de parcerias com o Senar, que são fundamentais neste processo. “Educação é um direito público subjetivo que vale para todos, independente da idade”.

 

Já o governador Pedro Taques (PDT), em seu discurso de abertura, voltou a lembrar que é professor há 20 anos e que sua administração terá mania de educação. O pedetista destacou a importância do agronegócio brasileiro no cenário nacional e ponderou que a riqueza gerada no Estado, que tem impacto direto no PIB, precisa se refletir em políticas públicas.

Neste sentido, Taques externou, por exemplo, que é preciso rever o sistema de ciclos no Estado, pois segundo ele, o tema foi mal discutido e, por isso, há uma dificuldade em se formar pessoas. “Nosso desafio é grande”. Além de Cortella e Graziano, o economista e apresentador de TV, Ricardo Amorim, também dará uma palestra no evento, que deve terminar às 17h.

 

 

Patrícia Sanches

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