15/04/2016 - PC investiga golpe bilionário de pastor em Primavera do Leste

15/04/2016 - PC investiga golpe bilionário de pastor em Primavera do Leste

A Polícia Civil de Primavera do Leste investiga o suposto pastor da Igreja Batista Independente e capelão Gleison França do Rosário. Ele é suspeito pelo envolvimento em um golpe bilionário, em que há a possibilidade de que aproximadamente 500 pessoas sejam vítimas. Depois do processo de busca e apreensão, as contas bancárias do investigado foram bloqueadas. Em uma delas, na Caixa Econômica Federal, o suspeito tem aplicado mais de R$ 200 mil.

Conforme o delegado responsável pelo caso, Rafael Fossari, o golpe provavelmente, funciona da seguinte forma: “Um contrato é apresentado para pessoas aleatórias, em que cada um tem que investir de R$ 1 mil a R$ 3 mil. Sem fazer nada, elas receberão a quantia de R$ 1 milhão, futuramente".

Ainda conforme Fossari, a explicação dada às pessoas induzidas a assinarem o contrato é de que um juiz arbitral, de Mato Grosso do Sul, Sidnei dos Anjos Peró, conseguiu repatriar uma jazida de ouro no Estado, nascença 1, 2 e 3.

Na primeira conversa que o suspeito teve com o delegado, ele disse que, para que o dinheiro não seja capitado pelo governo, o juiz repassará à outras pessoas, com a condição de pagar antecipadamente até R$ 3 mil para custear a ação.

Ainda para a polícia, Gleison Rosário alegou que a ação é verdadeira e que se for um golpe, ele também é vítima. “O suspeito nos relatou que será recompensado com um valor que chegará a R$ 5 bilhões”, disse o delegado.

Durante a apreensão, foi encontrado na casa do pastor uma quantia em dinheiro relevante. O valor ainda não foi divulgado pela polícia, mas, segundo Fossari, o suspeito diz ser dinheiro do dízimo arrecadado na igreja onde prega. Uma caminhonete Hilux SW4, com adesivo da Sociedade Eclesiástica, também foi apreendida.

As investigações chegaram ainda a uma caminhonete de R$ 73 mil, comprada por Rosário em Rondonópolis. Conforme o delegado, o suspeito não tem condições financeiras comprovadas para adquirir bens de valores tão altos.

Sobre os R$ 200 mil na conta de Gleison França, ele explicou para polícia que se trata de uma comissão antecipada que ganha pela venda dos contratos.

Por meio do aplicativo WhatsApp, Rosário reúne pessoas que assinaram o contrato em um grupo chamado “Milionários”, onde alimenta a esperança das pessoas que aplicaram o dinheiro exigido pelo contrato, dizendo que a quantia oferecida já está quase saindo, como se faltassem poucos dias para serem ressarcidos.

O delegado relatou à imprensa que desde dezembro de 2015 as supostas vítimas vêm recebendo a promessa de ganhar a quantia milionária, mas até agora ninguém foi contemplado, a não ser o próprio suspeito Gleison.

Para Fossari, todos indícios apontam para um golpe de estelionato. “Analisando os contratos, a conta e tudo que temos em mãos, percebemos que se esses contratos fossem verídicos, a imprensa estaria sabendo, teria advogados envolvidos, assim como consórcios de empresas num negócio tão grandioso. “É duvidoso uma pessoa repassar R$ 1 milhão em troca de R$ 1 mil ou R$ 3 mil, a quem ele não conhece”, avaliou o delegado.

Pelos depósitos feitos na conta de Rosário, a suspeita é de que haja pessoas de todo o Estado de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia envolvidas.

Em Primavera do Leste, ainda conforme as investigações, uma mulher assinou cinco contratos com a pretensão de receber R$ 5 milhões.

Para conseguir mais provas, Rafael Fossari afirmou à imprensa que a Polícia Civil de Primavera do Leste irá atrás das pessoas que assinaram os contratos, checará se o processo de repatriação realmente existe e se o juiz arbitral possui direitos bilionários que os permite essa distribuição.

Também será checada a versão do suspeito, onde alega ser pastor e capelão.

Por hora, Gleison França será ouvido durante a noite desta quarta-feira (13) e liberado.

De acordo com o delegado Rafael Fossari, a liberação é devido o suspeito não ter sido autuado em flagrante, apesar das evidências.

As contas de Rosário ficarão bloqueadas para futuro ressarcimento das vítimas, em caso de confirmação do golpe.

Fossari pede para a população de Primavera e região, que tenham assinado um dos contratos oferecidos por Gleison ou por qualquer outra pessoa que tenha apresentado as mesmas propostas, que compareça à delegacia para contribuir com as investigações.

*Diferente das primeiras informações repassadas pela Polícia Civil de Primavera, a igreja do Pastor Gleison é a Igreja Batista Independente e não Igreja Batista Nacional.

 

 

Assessoria/PJC-MT

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