15/07/2015 - PF derrubou ex-DJ e mais 39 após quebra de sigilo de BlackBerrys

Relatório da Polícia Federal mostra que o traficante Ricardo Cosme Silva Santos, preso durante a "Operaçaõ Hybris" na semana passada, era disk joquei na cidade de Pontes e Lacerda antes de iniciar no mundo do crime. Aliás, em 2010, ele resolveu deixar  a vida comum e "patentear" a droga que era exportada para outros estados com a marca "Pancadão", "pois seu estilo de música eletrônica se caracterizava por uma batida forte e repetitiva que no funk carioca é conhecido com o mesmo nome".

 

Outro ponto destacado no levantamento feito pelos agentes da PF é que o líder do grupo criminoso tinha uma vida "relativamente simples e sem muita ostentação". Também são apontados como "asseclas" de "Ricardo Pancadão" os traficantes Gilberto de Oliveira, Márcio Ferreira dos Santos, Luan Wander Rufino dos Santos e Leandro Ferreira dos Santos.

Após iniciar as atividades criminosas, o grupo mudou o padrão de vida. "Com o passar dos tempos, Ricardo e seus aliados começaram a exibir sinais de riqueza incompatíveis com sua realidade como viagens internacionais, aquisições de veículos de luxo, aeronaves de pequeno porte e imóveis urbanos e rurais", diz os documentos obtidos com exclusividade pelo FOLHAMAX.

 

A organização criminosa passou a ser monitorada pela PF em 2011. A época, Ricardo, Gilberto, Eanes Mota da Silva e o sogro do chefe do grupo, Roberto Naves, foram flagrados transportando US$ 161 mil e uma pistola Glock ponto 40 cruzando a fronteira entre Mato Grosso e Bolívia que levaram a reforçar as suspeitas de que estariam enriquecendo ilicitamente possivelmente traficando drogas.

 

Outro ponto destacado pela Polícia Federal é que um avião de Ricardo de prefixo RR-RMM pousava frequentemente na fazenda do empresário e piloto Clineu Bittencourt Dias carregado com o entorpecente. Em julho de 2014, Clineu foi assassinado com um tiro na cabeça dentro da chácara "Córrego da Onça" em Pontes e Lacerda.

 

O relatório suspeita ainda que "Ricardo Pancadão" estaria por trás de outros homicídios na região da fronteira. Ele é apontado ainda de ser o mandante das mortes do cabo da Polícia Militar, Luiz Carlos Alves de Oliveira e Márcio Ferreira dos Santos, o "Bacana".

 

SIGILO DE BLACKBERRY

No relatório das investigações, a PF reconheceu as dificuldades para incriminar os traficantes. Os agentes explicaram que os criminosos não utilizavam telefones celulares para conversar sobre o tráfico, "pois é de domínio público que esse meio de comunicação é rotinariamente monitorado pelo aparelho repressivo do Estado e, portantanto, queriam evitar a produção de provas incriminatórias".

 

Para tentar driblar os agentes, os traficantes trocavam mensagens por telefones da marca BlackBerry. No entanto, 2m 2012, a empresa Research In Motion viabilizou a quebra de sigilo dos dados que passaram a ser monitorados.

 

Mesmo assim, constantemente, os traficantes trocavam de aparelhos telefônicos, mas acabaram sendo flagrados com outras técnicas de investigação, como por exemplo filmagens das ações dos principais alvos. "A interceptação do fluxo de dados desses terminais telefônicos proporcionou a equipe de investigação a coleta de dados que formam um conjunto probatório robusto em desfavor dos investigados", assinala.

 

Somente em três anos de monitoramento do banco, foram apreendidas duas toneladas de drogas e prisão de alguns suspeitos. Deflagrada há uma semana, a PF cumpriu cerca de 40 mandados de prisões temporárias e preventivas, além de busca e apreensão com confisco de contas dos investigados.

 

 

 
Da Redação

 

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