15/10/2012 Austríaco supera velocidade do som com salto da estratosfera

Felix Baumgartner atingiu velocidade de 373 metros por segundo em salto.
'Eu não senti nada', diz piloto, sobre momento do recorde de velocidade.

O austríaco Felix Baumgartner superou a velocidade do som ao saltar da estratosfera no início da tarde deste domingo (14). Segundo dados da Associação Aeronáutica Nacional dos Estados Unidos, o piloto atingiu a velocidade de 373 metros por segundo durante o salto (a velocidade do som é de pouco mais de 340 metros por segundo). A associação é o braço norte-americano da Organização Internacional de Recordes.

Brian Utley, representante da associação que analisou os dados do voo, afirmou que o salto foi de pouco mais de 39 mil metros e o tempo de queda livre chegou a 4 minutos e 20 segundos. Utley destacou que os dados são preliminares e ainda precisam ser certificados por outras organizações.

Perguntado sobre como era a sensação de quebrar a barreira da velocidade do som, o piloto disse que “não sentiu nada” e não lembra o momento exato em que conseguiu atingir a velocidade.

“Quando eu estava lá, no topo do mundo, eu não pensava mais em quebrar recordes. Você fica humilde, você só quer voltar vivo. Foi a coisa mais importante do mundo, quando eu estava lá”, disse Baumgartner, na coletiva de imprensa concedida depois do salto.

Baumgartner fala com a imprensa depois de saltar da estratosfera (Foto: Reprodução)
          Baumgartner fala com a imprensa depois de saltar da estratosfera (Foto: Reprodução)
 

O piloto conta que, quando ele chegou ao local de onde saltaria, disse: “Sei que o mundo todo está me vendo agora e queria que o mundo pudesse ver o que eu vi. Você tem que ir muito alto para entender o quão pequeno é.”

Cápsula que levou piloto à estratosfera (Foto: Red Bull, Predrag Vuckovic/AP)
      Cápsula que levou piloto à estratosfera
       (Foto: Red Bull, Predrag Vuckovic/AP)

Para o austríaco, o momento mais empolgante do salto foi “quando ele estava no topo do mundo”, pronto para saltar. Já o momento mais bonito, diz ele, foi quando se encontrou com Mike Todd, da equipe que acompanhava a missão: “Ele apareceu sorrindo como uma criança. Nós nos tornamos muito ligados, me sinto como um filho dele.”

Baumgartner afirmou, ainda, que enfrentou problemas na queda, mas a situação já havia sido antecipada. Segundo ele, os giros previstos para a queda acabaram sendo muito violentos, mas a situação foi contornada. Outra dificuldade do salto foi que o piloto perdeu contato com a central responsável pela missão por alguns momentos durante a queda.

Com o sucesso do salto, o austríaco conta que quer “inspirar a próxima geração”. “Quero ajudar quem quiser vir e quebrar meu recorde”, conta.

Jonathan Clarck, diretor da equipe médica do projeto, contou que o piloto usou um sistema de monitoramento durante o salto e os dados obtidos serão usados em pesquisas. “O mundo precisa de um herói e hoje ele ganhou um”, disse.

Salto
Baumgartner saltou de uma cápsula levada por um balão à estratosfera por volta das 15h05. Às 15h11, o paraquedas abriu. Às 15h16, ele chegou ao solo. O salto estava marcado inicialmente para a terça-feira (9), mas foi cancelado devido aos fortes ventos.

O balão que levou a cápsula até a estratosfera começou a subir às 12h30. A subida, que demorou 2h30, atrasou várias horas devido ao vento excessivo em Roswell, nos Estados Unidos, local escolhido para a realização da missão.

Horas antes, Baumgartner colocou seu traje pressurizado, que o protegeu das temperaturas de até 70 graus abaixo de zero registradas na estratosfera e que aclimatou seu corpo antes do lançamento.

Baumgartner coloca seu traje especial para as condições do salto (Foto: Divulgação)
            Baumgartner coloca seu traje especial para as condições do salto (Foto: Divulgação)
 

Além de oferecer oxigênio, a cápsula e o traje o protegeram de uma pressão tão baixa que explodiria seus órgãos internos. Para saltar, o austríaco respirou oxigênio puro para eliminar o nitrogênio de seu sangue, que poderia se expandir em alturas elevadas e com isso ameaçar sua saúde.

O início da fase final de preparação do salto estava previsto para as 9h (de Brasília), mas as rajadas de vento atrasaram essa etapa. O projeto foi realizado em Roswell, nos Estados Unidos. “Ocorreu o mesmo que na terça-feira passada, quando os ventos atingiram a parte superior do balão”, explicou Don Day, o meteorologista chefe do projeto à televisão austríaca Servus.

Na terça-feira passada, a subida do balão de hélio foi suspensa devido ao forte vento. Para o lançamento ocorrer, os ventos devem ser de menos de 3 km/h nos primeiros 244 metros. Às 7h55 (de Brasília) foram registradas rajadas de vento de 11 km/h no local da missão.

O balão utilizado é o único de reserva, por isso, se o projeto não fosse realizado neste domingo, seria suspenso por vários meses, já que se ele fosse aberto não poderia ser reutilizado. O tecido sintético do balão é muito delicado, de apenas 0,002 centímetros de espessura.

 

Informações do G1 para O Repórter do Arguaia

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