15/10/2015 - Presidente do SINDPSS alega negligência da SEJUDH por fuga em massa de adolescentes

Como já era previsto que aconteceria não só na unidade socioeducativa de Cáceres, mas podendo ainda acontecer nas demais do Estado, uma fuga em massa ocorreu na noite desta segunda-feira (12.10) no Centro Socioeducativo da cidade, que fica há 220 km da capital Cuiabá.

 

Segundo informações dos servidores do local, dos 15 adolescentes infratores da unidade, 13 conseguiram fugir após simularem uma briga no pátio da unidade e renderem uma das agentes que entrou no intuito de acabar com a confusão. “Posteriormente eles conseguiram ainda render os demais agentes socioeducatores que se encontravam trabalhando no local, para isso, eles utilizaram armas artesanais”, contaram os agentes.

 

De acordo com o presidente do Sindicato da Carreira dos Profissionais do Sistema Socioeducativo do Estado de Mato Grosso (SINDPSS), Paulo César de Souza, ao todo, 4 agentes socioeducadores trabalhavam no momento da fuga.

 

“Dos quatro servidores 3 eram mulheres e apenas 1 homem, que recentemente teve um AVC, ficou afastado por algum tempo, mas mesmo totalmente ainda debilitado, teve que retornar ao trabalho já que o médico que fez pericia nele acreditou que o mesmo já poderia retornar, ou seja, os adolescentes se aproveitaram da fragilidade na segurança da unidade para criarem essa situação e empreenderem fuga”, falou Paulo, afirmando, que os adolescentes colocaram a vida dos servidores em risco e ainda, tomaram os celulares dos agentes e fugiram em um dos carros de uma servidora.

 

Para o presidente do SINDPSS ainda, o que deve ser questionado pela imprensa ao divulgar esse fato, é “o que esta por trás dessa situação? Como os adolescentes conseguiram fugir? e por que isso aconteceu?”. Ele acusa a secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), responsável pelo sistema, de negligência.

 

“O descaso e precariedade no sistema socioeducativo é tanto que se quer existe um manual de procedimento de rotina nas unidades para ser seguidos pelos 4 plantões, manual esse já proposto por parte deste sindicato, ou seja, a SEJUDH sempre dificulta todo e qualquer mecanismo proposto por parte de servidores, a exemplo dos próprios gestores sempre colocando pessoas que não vivem a realidade das unidades, no passado recente tivemos diversos problemas refletindo dentro das unidades por colocarem pessoas que não são de carreira do socioeducativo para adjunto, superintendência, diretoria e gerência das unidades, hoje, a exceção do adjunto são todos de carreira, no entanto, são servidores que sempre trabalharam dentro da secretaria, recentemente nosso coordenador de segurança nos confessou que foi convidado para assumir a coordenadoria, porém, vem acompanhando a distância o sistema do qual é concursado somente de 2011 para cá”, reclamou Paulo.

 

A exemplo ainda desse descaso com o sistema socioeducativo mato-grossense, o presidente do SINDSPSS cita uma situação ocorrida na última segunda-feira (12.10), onde na unidade de internação de Cuiabá os plantonistas passaram 24 horas sem água.

 

“Problema este já relatado em livro de ocorrência e já vem de longa data, imagina trabalhar 24 horas sem água, sem poder fazer as necessidades básicas e ainda ter que rebolar para conter a euforia dos adolescentes com mesmo problema”.

 

Paulo acusa também a SEJUDH de não aprovar o regimento interno da categoria para melhorar essas questões, como a de Cáceres, o qual já está pronto há muito tempo, só aguardando a publicação, além do concurso público para convocação de mais agentes que também não sai do papel.

 

“Os servidores não recebem nenhum tipo de capacitação para saberem como agir nessas situações, e o regimento interno pelo menos seria uma cartilha de orientação e nem isso eles são capazes de fazer, de padronizar as ações, além do concurso público para contratação de mais agentes que não passa de promessas, então diante da inércia da secretaria, nós servidores que trabalhamos diariamente e conhecemos de perto a realidade de cada uma dessas unidades, temos certeza que essas situações como as de Cáceres continuarão acontecendo e ainda, colocando a vida dos nossos servidores em risco já que na soma de tudo, isso resulta em fuga, motins, rebelião, reféns e assim, nunca teremos uma socioeducação, no mínimo digna”, finalizou Paulo.

 

 

 

 

 

Da redação

 

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário