15/10/2015 - Jornal da Globo exibe reportagem em que equipe de TV foi detida

15/10/2015 - Jornal da Globo exibe reportagem em que equipe de TV foi detida

Repórteres mostram como o tráfico de drogas é fiscalizado nas fronteiras: Com 240 kg de gesso dentro do carro, os repórteres Alex Barbosa e Ygnácio Roman estiveram na fronteira com Bolívia para testar fiscalização.

 

As fronteiras brasileiras ainda são uma porta livre para o tráfico de drogas. Em Mato Grosso, a apreensão de entorpecentes dobrou em 2015. Os repórteres Alex Barbosa e Ygnácio Román percorreram o estado para mostrar como anda a vigilância por lá.

A equipe ficou a poucos metros da fronteira com a Bolívia, em uma estrada vicinal do tipo das usadas por traficantes para entrar no Brasil, em um carro descaracterizado carregado com 240 kg de gesso, que foi embalado de forma bem parecida com a que os traficantes costumam embalar as drogas quando vão cruzar a fronteira. O objetivo era testar como anda a fiscalização nas estradas e na fronteira brasileira.

Todo o gesso foi embalado pela equipe em um galpão da emissora. O recibo do produto foi preservado para confirmar a compra. Por precaução, o Ministério Púbico Federal  também foi avisado sobre a reportagem.

A equipe partiu de Cuiabá já com o gesso embalado e seguiu no sentido Cáceres, região de fronteira, para depois voltar com a falsa droga. Pelo caminho os repórteres encontraram apenas três postos da Polícia Rodoviária Federal. O primeiro sem qualquer movimentação. No segundo deles, apenas um policial vistoriava o caminhão. E o terceiro estava fechado para reforma.

Para testar a eficiência da fiscalização, a equipe passou três vezes por cada um dos postos e passaram também por um posto do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte), onde havia uma viatura da polícia parada.

Durante o trajeto, encontramos ainda policiais rodoviários pelo caminho por duas vezes e passaram tranquilamente. Foram mais de 600 km rodados pela BR-070. O carro com os 240 kg de gesso rodou ainda por várias estradas chamadas de "cabriteiras", usadas pelos traficantes, segundo a polícia.

Depois de 12 horas, já à noite, a última imagem registrada. Já de volta à rodovia, uma blitz do Gefron (Grupo Especial da Fronteira) da Polícia Militar. Fim da linha para a equipe. A reportagem terminou na sede da Polícia Federal de Cáceres, para onde o gesso apreendido foi levado para análise. O laudo, claro, mostrou que não era cocaína.

O secretário de Segurança Pública elogiou o trabalho da PM, mas admitiu que é preciso mais investimento. "Dizer para a sociedade que esse é um quadro ideal para a nossa fronteira, isso, de forma alguma. Nós temos que investir muito mais na fronteira, temos que capacitar o nosso pessoal, investir em meios e equipamentos", diz o secretário Mauro Zaque.
As fronteiras brasileiras estão "vulneráveis a crimes como contrabando, tráfico de drogas e armas", foi o que concluiu o último relatório sobre os investimentos na fronteira feito pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

Em Mato Grosso, são mais de 800 km de fronteira com a Bolívia, uma área extensa e uma das portas de entrada de drogas no Brasil. No primeiro semestre deste ano foram apreendidas cerca de quatro toneladas de entorpecentes que já haviam cruzado a fronteira e estavam em circulação no estado. A maior parte, cocaína. Foi o dobro das apreensões do mesmo período do ano passado.
O produtor da reportagem, um auxiliar técnico e os repórteres Alex Barbosa e Ygnácio Román foram presos e liberados depois de sete horas. A Polícia Federal informou que seguiu o procedimento padrão e que vai manter os dois veículos da equipe apreendidos até que saia um laudo completo sobre o gesso. Foi aberto um inquérito sobre o caso.

O Ministério Público Federal informou que não tem atribuição de dar apoio em reportagens e que comunicou com antecedência a intenção dos jornalistas à Polícia Federal.

Sobre a vulnerabilidade das fronteiras, a Polícia Rodoviária Federal disse que tem 34 policiais para patrulhar 400 km e afirmou que pretende melhorar a estrutura.


Ver vídeo da reportagem AQUI

 

 

Alex Barbosa

Cáceres, MT

 

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