16/02/2016 - Paulo Taques denuncia que há pessoas pedindo propina em nome do governador

16/02/2016 - Paulo Taques denuncia que há pessoas pedindo propina em nome do governador

O secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, aproveitou a posse da nova diretoria do Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindepo), na manhã desta segunda-feira (15), para denunciar a existência de pessoas que estão usando o nome dele e do governador Pedro Taques (PSDB) para pedir propina. Alguns dos corruptos se apresentam como assessores, outros como membros da família Taques, e alegam que vão dividir o dinheiro da propina com o governador e o secretário.
 
“Quero fazer o registro público de um assunto que até hoje foi tratado com discrição. Desde o início do governo, recebemos várias denúncias de pessoas que usaram o nome do governador e meu nome para pedir dinheiro e vender facilidades. Estou tornando isso público agora porque ninguém, absolutamente ninguém, pode usar o meu nome ou o nome do governador como fizeram essas pessoas e outras. Se essa notícia chegar aos senhores, podem prender na hora”, discursou Paulo Taques na solenidade.

Ele esteve no evento representando o governador, seu primo Pedro Taques, que está em viagem para os Emirados Árabes. O governador, que já foi membro do Ministério Público Federal (MPF), se elegeu com um forte discurso de combate à corrupção, e construiu uma imagem de político que não tolera práticas corruptas. Por isso, o secretário resolveu tornar públicas as tentativas de golpe usando o nome dele.

Pedidos de propina

Paulo Taques relatou quatro episódios para exemplificar como seu nome e do governador vêm sendo usados pelos corruptos. O primeiro caso que chegou ao conhecimento do secretário foi em março de 2015, quando ele recebeu a ligação de um deputado que disse que dois prefeitos denunciaram um senhor que estava visitando as prefeituras dizendo ser assessor especial da Casa Civil.

Esse senhor dizia que podia firmar convênios com as prefeituras, mas que precisava de um adiantamento de R$ 2 mil. “Um senhor de mais de 60 anos, o que prova que os canalhas também envelhecem. Nós encaminhamos o caso à Secretaria de Segurança. Parece que ele foi preso”, contou Paulo.

“Recebemos também uma denúncia de um servidor da Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) em Barra do Garças, que estava comercializando licença ambiental por R$ 5 mil. E ele dizia que, desse valor, R$ 2,5 mil seriam para dividir entre mim e o governador. Ou seja, R$ 1.250 para cada um”, relatou o secretário, arrancando risadas da plateia.

O terceiro caso relatado por Paulo Taques foi de um servidor que ocupa um cargo comissionado em uma autarquia do governo. “Os colegas estranharam quando viram no computador dele duas fotos na tela de descanso, uma de cada lado: uma minha, outra do governador. E ele disse ser meu sobrinho e primo do governador, que tinha intimidade conosco, e estava vendendo facilidades”, contou.

Outro caso foi de uma moça que também se dizia parente do governador e do secretário, e que alegava ter o sobrenome Taques, e também pedia dinheiro que, segundo ela, seria para enviar aos dois. Todas as denúncias foram encaminhadas para a Secretaria de Segurança tomar providências.

“Se houver pessoas pedindo em meu nome e em nome do governador, não hesite em dar voz de prisão, porque é mentira. Absolutamente ninguém está autorizado a fazer isso”, reforçou Paulo Taques para a plateia repleta de delegados. “Essas são algumas das denúncias que chegaram até nós. E as que não chegam? Não sabemos”, observou.

O delegado Wagner Bassi Junior, que tomou posse como presidente do Sindepo, destacou a importância de afastar a corrupção do serviço público. “Com meu pai, aprendi uma lição muito grande: que corrupção não traz sucesso a ninguém. Ele nunca corrompeu um servidor público e mesmo assim obteve sucesso em sua carreira em meio aos despachantes”, afirmou, em seu discurso.

 

 

 

Da Redação - Laíse Lucatelli

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