16/04/2016 - Riva chora em audiência, confessa participação em fraude de R$ 9,6 milhões e diz se arrepender

“Eu quero confessar, excelência...”. Disparou o ex-deputado José Geraldo Riva (PSD) em  depoimento à juíza Selma Rosane Arruda, titular da Sétima Vara Criminal, responsável por duas de suas prisões preventivas. “Estou extremamente arrependido”, admitiu sobre o o esquema de fraude em pagamento de R$ 9,6 milhões em decorrência de uma dívida junto ao banco HSBC, relativa a débitos em atraso da contratação de seguros saúde para os servidores da Casa de Leis.


Segundo  a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), metade desse montante foi desviado e o esquema teria como mentor o ex-presidente da Casa, que por seis vezes a gerenciou.

 

“A Assembleia Legislativa não devia ao HSBC” , disse e ainda afirmou que o  banco teria montado uma situação que tornou a casa devedora.  

José Riva é a última pessoa  na data de hoje a  prestar depoimento sobre  a fraude. Ele afirmou que tem responsabilidade "nisso", mas adiantou: "não sou o único". 

O ex-parlamentar, explicou que em  2012, com a retomada do processo para pagamento da dívida, a Casa de  Leis decidiu enfrentar o caso juridicamente. Sendo condenada. No mesmo ano, Riva diz ter sido procurado por Julio César (advogado/lobista).

No ano seguinte, Riva teria recebido representantes do deputado  Romoaldo  Júnior para negociar recebimentos das três parcelas  para os  pagamentos. Segundo ele, não teria havido discussão sobre percentuais. Ele nega ter pedido percentuais sobre o valor pago. “Eu não pedi nenhum por cento”. Riva confirma, entretanto, que houve devolução de 45% do valor pago e admite que sabia do que se tratava. “Vou confessar para a senhora, eu vi que os 45% eram de propina”, diz a magistrada Selma Arruda. 

Riva nega ter tratado algo relativo ao caso com Anderson Godoi. Nega qualquer repasse para Pommot. Com relação à Pommot, Riva nega que ele tenha agido como "caixa da AL", termo usado por Julio César Domingues Rodrigues, isto é, de ter administrado os pagamentos das propinas, "pois quem efetivamente os decidia era a mesa", argumentou Riva. 

Riva entrega todos: 

Embora o réu não acredite que os fatores, somados cheguem a R$ 9,6 milhões. Riva prometeu identificar à justiça todos os envolvidos no esquema, apontando nomes e valores. E inicía com modestia. “Eu vou começar por mim”, afirmou. Revelando ser responsável por repasse de cheques que juntos somam quase R$ 1 milhão. 

Júlio César Domingues Rodrigues, que segundo Riva era tido na casa de leis como "advogado de Mielli", teria recebido cerca de R$ 340 mil, ao contrário do que o próprio afirmou hoje. O ex-deputado também cita repasse de cerca de R$ 54 mil para um assessor do deputado Guilherme Maluff (PSDB-MT) e listou uma série de pagamentos, que juntos somam quase R$ 1 milhão, envolvendo o deputado Mauro Savi (PDB). 

Por fim, já por volta das 20h, ficou claro que não haveria condições para execução completa do interrogatório do ex-deputado nesta sexta. 

Riva disse que estava cansado e chorou ao admitir que, no alto de seus 57 anos, quer agora ajudar a justiça a descobrir a verdade e não mais aceita ser apontado como único mentor do suposto esquema ilegal. O ex-deputado promete. “Eu não vou poupar ninguém pela verdade”. 

A prometida audiência ficou marcada para as 13h30 do dia 20 de maio.

Riva ainda autorizou, ao final da audiência, que as notícias crime apresentadas fossem compartilhadas com o Gaeco, bem como as provas com os autos das ações penais.

Entenda:
 
Operação Ventríloquo foi desencadeada pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e teve início a partir da delação premiada do advogado Joaquim Miele, que representava o banco HSBC em uma demanda contra a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. 

Segundo o MPE, o então presidente afastado da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Riva, teria determinado o pagamento de uma dívida na integralidade de R$ 9,6 milhões, em face ao banco HSBC, relativa a débitos em atraso da contratação de seguros saúde para os servidores da Casa de Leis, desde que metade do montante fosse desviado.

 

Da Redação - Patrícia Neves / Arthur Santos / Da Reportagem Local - Paulo Victor Fanaia Teixeira

 

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