16/05/2011 - 15h:25 Xavantinense é presa acusada de ser a maior estelionatária do Brasil

A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira (13) uma jovem acusada de aplicar golpes em três estados e usar identidade falsa em diferentes estados. Kelly Samara Carvalho dos Santos, de 22 anos, procurada pela Justiça de Mato Grosso do Sul, foi detida em uma casa de estudantes na periferia de Bebedouro, a 381 km da capital paulista.

Contra ela, havia um mandado de prisão preventiva expedido pela 2ª Vara Criminal de Dourados (MS). Antes de ser encaminhada para o estado, ela foi levada para a Cadeia Pública Feminina de Viradouro.

Natural de Nova Xavantina, Kelly é acusada de cometer crimes principalmente em São Paulo, Mato Grosso do Sul e no Rio de Janeiro. Para conseguir benefícios como reservas de jatinhos, ela teria se passado por diferentes personalidades, como filha do presidente do Paraguai e sobrinha da proprietária da boutique Daslu, de São Paulo.

Ela também é acusada de ter roubado cartões de crédito e cheques para fazer compras em São Paulo. Kelly foi presa em 2007 por ter roubado uma pintura original do artista plástico espanhol Joan Miró, avaliada em US$ 18 mil. Acabou libertada em abril de 2008.

Nos últimos meses, segundo a polícia, Kelly se identificava apenas como Samara em casas noturnas e restaurantes da região. De acordo com o delegado José Eduardo Vasconcelos, a jovem pretendia deixar a cidade em breve.

VIDA REGRESSA

O currículo de Kelly inclui, segundo autoridades, até venda de cavalos que não existiam. Astuta, disse estar sendo perseguida por traficantes para se livrar da internação em uma casa de reeducação em 2004. Foi incluída no programa estadual de proteção à testemunha, em seguida, fugiu, conta o juiz da Infância e Juventude de Amambai, Thiago Tanaka.

Aos 15, em 2003, Kelly se passou por veterinária para se aproximar de famílias ricas criadoras de gado e cavalo, diz o delegado de Amambai, Claudineis Galinaris. Foi ali que, segundo ele, tentou vender cavalos inexistentes. Parentes de Kelly relatam que ela foi abandonada pela mãe aos 3 meses de vida após uma gravidez indesejada.

Em fevereiro de 2006, Kelly se apresentou como dermatologista para ser contratada pelo hospital do município de Tacuru (MS), diz o prefeito Cláudio Barcelos (PR). Médico, Barcelos diz ter descoberto a fraude. Ela foi presa e levada ao presídio de Dourados, diz o prefeito.

No ano de 2009, no dia 12 de fevereiro, disse a delegada Cleibe de Paula, Kelly furtou a Pajero de seu namorado em Cuiabá e seguiu passando cheques sem fundos, no valor de R$ 3.000, até Sinop (MT), onde foi detida.

Ela foi criada pelos avós maternos, Epitácio Carvalho Neto, 82, e Alzira Ricardo de Carvalho, 74, numa casa simples. A mãe de Kelly, Celira Ricardo de Carvalho, 40, mora em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, com dois filhos de outro relacionamento.

O pai, Sérgio Luiz dos Santos, vive em Nova Xavantina (MT) e chegou a receber a filha em 2005, mas não a procurou mais depois de ela ser acusada de furtos na cidade.

De acordo com os avós, a mãe de Kelly, Celina Ricardo de Carvalho, 40 anos, que hoje tem mais dois filhos e reside em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, teria mantido um relacionamento amoroso passageiro com o pai da estelionatária, Paulo Sérgio dos Santos. Na época, o rapaz era morador de Amambai e hoje reside na cidade de Nova Xavantina, onde é proprietário de um Pesque e Pague.

REBELDIA

A tia Leodenira Carvalho, irmã de Selira Carvalho, mãe de Kelly, disse que, quando a garota nasceu, Selira não tinha condições de criar a filha sozinha. 'Nós nunca conseguimos entender o porquê de tanta rebeldia. Nunca lhe faltou nada.'

Um de seus primos, Marcos Carvalho Trindade, de 18 anos, afirmou que 'ela sempre quis coisas que não podia ter, como roupas de grife e tênis caros'. Apesar de seus antecedentes, ele disse ter ficado surpreso ao saber de sua prisão. 'Nunca imaginei que a Kelly estivesse metida num rolo tão grande.'

ABANDONADA

Quando a menina tinha apenas três meses de vida, a mãe de Kelly teria visitado os pais na chácara onde residiam, deixado a criança e não teria mais retornado. “Tivemos que pegar uma vaca emprestada de uma chácara vizinha para tirar o leite e alimentar a criança”, disse o avô Epitácio Carvalho Neto.

Segundo Epitácio, durante toda a infância a menina permaneceu aos cuidados dos avós. “Ela sempre foi muito esperta, uma menina linda e adiantada”, disse o avô não conseguindo se conter e entrar em prantos ao lembrar que quando criança a neta que tratavam como “filha” o ajudava e brincava enquanto ele trabalhava na roça.

“Quando Kelly tinha 6 anos de idade nos mudamos para cidade em Amambai. Ela entrou na escola, mas só foi bem nos estudos até os 9 anos”, disse o avô ao relatar que daí em diante a menina começou a ser influenciada por amigos. De acordo com o avô, aos 13 anos a jovem começou a pender para o caminho errado.

FALTA DOS PAIS

Ao ser presa em São Paulo, Kelly Samara relatou que a falta dos pais e de uma família sólida foi a principal causa que a levou a pender para o mundo da marginalidade. Os avós da jovem, Epitácio Carvalho e Alzira Carvalho, afirmaram, durante a entrevista, que a falta da figura materna e paterna era uma “cruz” que atormentada a menina desde a infância.

Segundo os avós, durante a adolescência Kelly teria procurado o pai que, segundo eles, nunca prestou qualquer assistência à menina. Ela teria chegado a conviver algum tempo na casa de seu genitor em Nova Xavantina, mas acabou voltando para Amambai após se desentender com a avó paterna.

“Tentamos fazer o que foi possível para suprir a falta dos pais. Todos os anos, desde o primeiro ano de vida, fizemos festinhas para comemorar os aniversários dela e procuramos tratá-la como nossa filha.  Falhamos”, desabafou o avô com os olhos lacrimejando e segurando fotos na neta na infância. Os avós de Kelly moram em uma residência humilde na Vila Xavier em Amambai e sobrevivem de aposentadoria.


 

 

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Data: 19/05/2014

De: maria

Assunto: estelionatária

SAFADA

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