16/05/2012 - Reportagem do JN em Barra do Garças: 'Silvas' conciliam estudo e notas boas com as Olimpíadas Escolares

Os repórteres Renato Ribeiro e Cléber Schettini viajaram quase oito mil quilômetros para conhecer melhor três meninos que simbolizam perfeitamente o espírito dessa competição.

 

Todo ano, a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ajuda a ter uma ideia da qualidade do ensino de português, de matemática e de outras disciplinas. Mas quando se quer saber como anda a educação esportiva dos estudantes brasileiros, é bom observar as Olimpíadas Escolares. Os repórteres Renato Ribeiro e Cléber Schettini viajaram quase oito mil quilômetros para conhecer melhor três meninos que simbolizam perfeitamente o espírito dessa competição.

Com a raquete, Raquel Silva, no Rio de Janeiro. Com a bolinha, Caio Silva, no Amapá. Na pista, Vítor Silva, em Mato Grosso. O mais brasileiro dos sobrenomes ajuda a mostrar a diversidade das Olimpíadas Escolares.

‘Silvas’ de realidades diefernetes, mas com algo em comum além do sobrenome. Para eles, o esporte é a continuação da sala de aula.

Escola Pública Pedro Aleixo, Cidade de Deus, Rio de Janeiro. Em uma quadra improvisada, com aros de rodas de carro apoiando a rede, Raquel conheceu o badminton. Foi uma surpresa para a mãe...

“Ela pensou que ia jogar handebol. Mas eu fui jogar badminton. Ela perguntou o que é isso. Não sabia também. Expliquei para ela o que era”, conta a jovem.

É um esporte que une raquete e peteca. Aprendeu rápido. Em apenas nove meses, já foi medalhista na seletiva regional e disputou a fase final das Olimpíadas Escolares. Esse ano, vai competir de novo, como Caio, o ‘Silva’ do Amapá. Estuda no colégio particular Centro de Ensino Podium e descobriu cedo seu talento.

“Eu jogava ping-pong com meu pai, com 7 anos. Ele viu que eu tinha jeito e me matriculou em uma escolinha de tênis de mesa. Comecei a praticar aos 10 anos”, lembra Caio.

O ‘vai e vem’ da bolinha é uma rotina para ele. “Treino três horas e meia por dia”, revela.

Hoje, aos 15 anos, coleciona medalhas. Chamou a atenção nas Olimpíadas Escolares de 2011. Foi ouro. Ganhou um estágio na potência da modalidade. Viajou até a China. O futuro do tênis de mesa pode estar às margens do Rio Amazonas.

E o futuro das provas de fundo do atletismo, às margens do Rio Araguaia. Vitor, de 17 anos, o ‘Silva’ de Mato Grosso, mora na Casa do Atleta, um lugar que abriga adolescentes de Mato Grosso com talento para correr. Lá, todos têm alojamento e alimentação adequada, mas sem descuidar dos estudos. O coordenador do projeto, Sivirino Souza dos Santos, é exigente. Atleta bom é atleta com boa nota.

“Eu tenho que conciliar o atletismo com a escola. O atletismo é que tem que vir junto com a escola, não a escola que tem que vir dentro do atletismo”, ensina Sivirino.

E assim a Casa do Atleta de Barra do Garças já é famosa em provas de longa distância nas categorias de base do país.

Vítor, que estuda na Escola Estadual Norberto Schwantes, foi campeão das Olimpíadas Escolares de 2011, com recorde nos 3 mil metros. Tem planos para o futuro, além da pista.

“O estudo vai depender sempre de nós. Não sei se algum dia serei um atleta de alto nível, por isso quero estudar para fazer uma faculdade”, diz.

Silvas: atletas que treinam com caneta e caderno. Revelados nas salas de aula.

 

Escrito por Jornal Nacional   

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