16/06/2016 - Após rejeitar proposta, grevistas fazem passeata

16/06/2016 - Após rejeitar proposta, grevistas fazem passeata

Cerca de cinco mil servidores públicos, em greve desde 31 de maio para pressionar o Governo a pagar a Revisão Geral Anual (RGA) de 11,28%, voltaram a sair em passeata pelas ruas do Centro Político Administrativo, na tarde desta terça (14). A manifestação ocorreu logo após o Fórum Sindical rejeitar a proposta de reposição inflacionária de 6%, em três parcelas, e os outros 5,28% condicionados a adequação dos gastos com pessoal ao limite prudencial de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

 

Além dos servidores lotados na Capital, grevistas de outros municípios vieram a Cuiabá para engrossar o protesto. Estudantes ligados ao movimento chamado Primavera Secundarista, que ocupa 22 escolas contra as Parcerias Público-Privadas (PPP) na Educação, também estavam na passeata e cantavam funk satirizando o governador Pedro Taques (PSDB).

 

Um sósia de Taques permaneceu o tempo todo no trio elétrico, onde dirigentes sindicais se revezavam ao microfone. O tom dos discursos foi sempre o mesmo: exigência da RGA na integralidade, critícas à privatização dos serviços públicos e denúncia do que classificam como intransigência do Governo nas negociações.

 

O presidente do Sintep, Henrique Lopes do Nascimento, afirma que aceitar o parcelamento da RGA significa abrir mão dos direitos adquiridos. Além disso, ressalta que a greve precisa seguir firme até a vitória para não abrir caminho para a privatização do ensino através das PPPs. “Não vamos entrar no jogo do marxista tucano sem capital, como disse a imprensa nos últimos dias”, ironiza.

 

A presidente do Sinetran, Daiane Renner, por sua vez, denuncia o que chama de sucateamento do serviço público. Para ela, a proposta de pagar apenas 6% da RGA e parcelado em três vezes demonstra o desrespeito do Governo aos servidores do Estado. “Não vamos aceitar essa proposta indecorosa e mantemos a greve até a vitória”.

 

O porta-voz do Fórum Sindical, Oscarlino Alves, reforça que a proposta do Governo foi rechaçada por todas as categorias. Segundo ele, a greve ganhou força e mais servidores devem aderir nos próximos dias. “É greve por tempo indeterminado. Não vamos ceder. Não aceitamos a RGA de 2016 só em 2017. Nossa luta se fortalece a cada dia”, conclui.

 

A passeata iniciou na Praça Ulysses Guimarães. Após o trajeto pelo CPA, a mobilização terminou com ato público em frente à secretaria estadual de Educação (Seduc).

 

 Proposta

Na manhã desta terça, o Governo encaminhou aos representantes dos sindicatos minuta do Projeto de Lei que prevê o parcelamento do Reajuste Geral Anual (RGA) de 2016. No documento, além dos 6% parcelados em três vezes, o Governo se compromete a quitar os 5,28%, totalizando os 11,28% de forma retroativa, condicionado à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

 

Durante reunião com Fórum Sindical, na última sexta (10), o chefe da Casa Civil, Paulo Taques, propôs quitar 6% dos 11,28% da RGA, em três parcelas em setembro deste ano, depois em janeiro e abril de 2017. O secretário também reiterou a possibilidade de o Governo pagar os 5,27% restantes da reposição, a partir de março do ano que vem, desde que o Estado esteja enquadrado nos gastos com folha salarial exigidos pela LRF.

 

Além disso, garantiu o pagamento das perdas inflacionárias, retroativas a maio deste ano, em três parcelas, nos meses de maio, junho e julho de 2017.

 

 

 

RD NEWS
Patrícia Sanches

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