16/07/2016 - Amante que matou jovem grávida é preso

16/07/2016 - Amante que matou jovem grávida é preso

Dois crimes de feminicídio são solucionados pela Polícia Civil. Um dos autores está preso e outro foragido. As vítimas são jovens de 18 e 22 anos, mortas pelos homens com quem mantinham relacionamento afetivo. Uma delas estava grávida de quatro meses.

As investigações foram comandadas pelo delegado Luciano Inácio da Silva, do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O primeiro caso investigado foi do desaparecimento de Ludmila dos Santos de Jesus, 18, que teve o corpo desenterrado em uma cova na chácara do amante e acusado do crime, na terça-feira (12), na cidade de Alto Paraguai (218 km a médio-norte), onde ela e o amante moravam. Antônio José de Souza, 40, é comerciante, casado, pai de três filhos e mantinha relacionamento com a jovem desde que ela tinha 17 anos.

Ludmila foi trazida para Cuiabá por um parente de Antônio, junto com outras amigas. O objetivo era fazer com que ela fizesse um aborto. Mas cinco dias depois de ela chegar na cidade e ficar na quitinete de um amigo da família, Antônio veio buscá-la.

Retornou para Alto Paraguai e pagou R$ 3 mil para um amigo matá-la. Alega que não participou do crime. Mas o corpo foi localizado próximo da casa onde ele vivia com a mulher e os filhos. O amigo que praticou o crime tinha extensa ficha criminal e teria sido assassinado no mês de junho.

Antônio teve a prisão temporária decretada por 30 dias e foi trazido para Cuiabá, onde foi interrogado. Ele alegou que matou a jovem grávida porque estava sendo chantageado por ela, que ameaçava revelar os fatos para a esposa dele. A Polícia acredita que o crime foi planejado em detalhes pelo acusado que, ao ser preso, alegou que já não conseguia dormir mais por causa da culpa que sentia.

Segundo o delegado, ele teria inclusive dito a um amigo que iria matar a ex-namorada. O corpo da jovem foi localizado no dia 13 de novembro, em uma área de mata, na região do Coxipó do Ouro. Estava praticamente decomposto e tinha uma corda amarrada em torno do pescoço.A outra vítima é Carol Ramos de Almeida, 22, que desapareceu no dia 15 de outubro de 2015, após deixar a quitinete onde residia, no bairro Planalto. Disse a uma amiga, via mensagem de whats, que estava na companhia do ex-namorado, de quem havia se separado há 4 meses. O pintor de paredes Odilson dos Santos Silva,30, não aceitava o fim do relacionamento, nem o fato de Carol já ter outro namorado.

Odilson, que tinha passagens criminais por violência doméstica e porte de arma de fogo, já havia fugido, possivelmente para o Maranhão, estado de origem. Deixou para trás uma filha menor de outro relacionamento. Teve prisão decretada e hoje é foragido da Justiça.

Nos dois casos as vítimas possivelmente foram mortas por estrangulamento, já que Ludmila também tinha uma camiseta amarrada no pescoço. Na casa de Antônio foi apreendido um revólver e ele também responderá pela posse da arma.

De acordo com Luciano Inácio, as investigações de crimes que começam a partir do desaparecimentos das vítimas são de difícil investigação. Existe um grande leque de motivações e envolvem muitas situações, salienta. Atualmente existe mais um caso envolvendo o desaparecimento de uma jovem, que pode ter o mesmo desfecho, lamenta o delegado.  

 

 

Silvana Ribas, repórter do GD