16/09/2015 - Obras em resort são paralisadas após assassinato de operário

As obras do Malaí Resort estão paralisadas desde a última sexta-feira (11), após um operário ser assassinado no alojamento dos trabalhadores da obra, na noite da última quinta-feira (10).

A construção do espaço de luxo está sendo realizada na região do Lago de Manso, em Chapada dos Guimarães, a cerca de 100 km ao Norte de Cuiabá.

O operário foi assassinado após dois policiais militares serem convocados para atender a uma ocorrência no local. 

Durante a ação, um dos PMs disparou um tiro, que atingiu um trabalhador, que morreu no local.

A assessoria de imprensa do resort informou que os 500 funcionários da construção foram encaminhados para Cuiabá ou Rondonópolis. 

Os trabalhadores que possuem residência em um dos municípios foram para suas casas, os outros ficaram em hotéis.

Parte dos trabalhadores da obra é terceirizada e outros são contratados diretamente pelo resort.

As obras permanecerão paralisadas por tempo indeterminado, segundo a assessoria. 

Na sexta-feira (11), foi realizada uma perícia no alojamento dos trabalhadores. A previsão inicial é de que o resort entre em funcionamento a partir do início de 2016.

A construção do Malai está sendo realizada por um consórcio formado pelas empresas TBA Blairo Maggi, Morro do Chapéu e a PG Bongiolo.

Dificuldades

O Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Cuiabá e Municípios disse que o Malai Resort tem dificultado o acesso aos trabalhadores da empresa, após o assassinato do operário.

O Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Cuiabá e Municípios disse que o Malai Resort tem dificultado o acesso aos trabalhadores da empresa, após o assassinato do operário.

Em comunicado à imprensa, o sindicato informou que tentou entrar no local onde ficam os trabalhadores da obra, para verificar as condições da área. 

Porém, a empresa responsável alegou que o sindicato somente poderia ter aceso à área mediante ordem judicial.

O sindicato alegou ter solicitado o agendamento de reunião no local com os trabalhadores, para verificar as condições de trabalho, higiene e saúde. 

A empresa não permitiu a realização do evento, pois teria alegado que não pode parar a obra para esta finalidade. 

Assim que soube da morte do operário, o sindicato disse ter informado sobre a situação à Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE), para que encaminhasse equipe de fiscalização ao local. 

Até o momento, o sindicato alega que o Malai Resort não encaminhou nenhum tipo de notícia oficial sobre o trabalhador. Todas as informações têm sido obtidas por meio da imprensa.

O sindicato disse que vai acompanhar a situação da família do operário falecido, disponibilizando-se a oferecer assessoria jurídica e os demais atendimentos necessários.

Outro lado

Diante das reclamações do sindicato, a assessoria de imprensa do Malai informou que está de portas abertas para receber os representantes da entidade. 

Porém, durante o período em que as obras estiverem paralisadas, não será possível encontrar os funcionários do local no alojamento da empresa, pois eles foram encaminhados para a Capital ou para Rondonópolis.

O caso

De acordo com a Polícia Militar de Chapada, os operários acionaram a PM para resolver uma confusão envolvendo um dos trabalhadores da obra do resort, que estaria sob efeito de drogas. 

Na ocasião, dois policiais militares foram ao alojamento dos trabalhadores para atender a ocorrência.

Porém, a PM alega que, durante a ação, os policiais e os trabalhadores da obra entraram em confronto.

Durante o contratempo, segundo a PM, um dos militares teria disparado para conter os trabalhadores e acabou atingindo um operário, que morreu no local.

Os PMs ainda afirmaram terem sido coagidos pelos trabalhadores logo após os disparos, precisando se esconder em um matagal e solicitar reforço da PM, em Cuiabá.

PMs afastados

A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que a corporação irá apurar o caso, por meio do Comando Regional. 

Um processo administrativo será instaurado para investigar a morte do operário.

Durante o período em que as investigações forem realizadas, os dois policiais permanecerão afastados de suas funções.

 

 

 

Vinícius Lemos 
Da Redação

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