17/02/2012 - Polícia de MT descobre plano de hackers para roubar senhas em pelo menos mais 3 bancos, além do BB

 

O que parecia ser o fim das ações de uma quadrilha que roubava senhas e dados de correntistas do Banco do Brasil por meio da internet e usava essas informações em movimentações financeiras e para compras, é apenas a ponta de um iceberg descoberto pela Polícia Civil de Mato Grosso por meio da operação Orion.
 
Na tarde desta quinta-feira (16), a polícia revelou que o sistema desenvolvido por um cracker (um hacker do mal) para roubar dados de correntistas por meio de falsas páginas de bancos na internet, pode estar sendo utilizado para aplicar o mesmo golpe em correntistas de pelo menos mais três bancos. 
 
Esta semana, 10 pessoas foram presas (seis delas em Mato Grosso) por furto qualificado mediante fraude de contas correntes do Banco do Brasil e interceptação telemática ilegal. 
 
A equipe da Gerência de Combate aos Crimes de Alta Tecnologia (Gecat), sob a coordenação da delegada Maria Alice Barros Martins Amorim, conseguiu prender em flagrante um dos operadores do crime no momento em que ele utilizava os dados bancários de uma pessoa para movimentar sua conta e transferir dinheiro para outra conta.
 
Os estelionatários chegaram a enviar 100 mil e-mails por dia com a falsa página do banco, solicitando a atualização cadastral aos usuários. Além disso, o golpe contava  com a atuação de ‘laranjas’, que emprestavam suas contas correntes para as quais  os operadores do golpe transferiam o dinheiro roubado dos correntistas. Os laranjas ganhavam entre 20% e 30% do valor obtido com o roubo.
 
Apenas nesta fatia do golpe descoberta pela polícia civil de Mato Grosso, das 447 tentativas enviadas para e-mails de todo país, 165 foram concretizadas, ou seja, em torno de 37%. O valor roubado ainda deve ser disponibilizado pelo Banco do Brasil. O perfil das pessoas presas é de jovens que conhecem muito de informática e nerds. A operação ainda está em andamento e, além dos seis presos em Mato Grosso, a polícia ainda procura por mais nove.
 
As investigações da Gerência de Combate aos Crimes de Alta Tecnologia (Gecat), unidade da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Mato Grosso, tiveram início há oito meses, com a descoberta de 450 relatórios gerados em arquivos de blocos de notas do Windows, encontrados em computadores de uma lan house em Cuiabá. 
 
De acordo com informações da Polícia Civil, esses arquivos continham informações de IP’s (Protocolo de Internet) de vítimas e assinaturas de um mesmo e-mail de uma conta no Hotmail, todos com informações idênticas no cabeçalho. A partir daí, a  Gecat começou a cruzar as informações e descobriu que os dados consistiam em  informações cadastrais de correntistas do Banco do Brasil, incluindo senhas de 4, 6 e 8 dígitos. 
 
A equipe da Gecat, sob a coordenação da delegada Maria Alice Barros Martins Amorim, chegou até o hacker que desenvolveu o aplicativo capaz de furtar dados de correntistas do Banco do Brasil, com técnica de phishing, boa parte enviada por e-mail, com a solicitação falsa de atualização cadastral. “A Polícia Civil descobriu como funcionava a fraude do cartão clonado e identificou que houve diversas tentativas de invasão de contas bancárias e vítimas consumadas nas cinco regiões do Brasil”, disse a delegada. 
 
A pessoa clicava no endereço eletrônico, o link abria uma falsa página do Banco do Brasil, altamente desenvolvida para enganar o cliente. Ali a vítima atualizada suas informações bancárias e, no final do processo, surgia uma tela com a informação “servidores em manutenção”, mas um link logo abaixo redirecionava o usuário para a página verdadeira do banco, dificultando a descoberta da fraude.
 
A página continha as mesmas identificações do portal do Banco do Brasil. Por isso, o usuário acreditava que estava de fato no site do banco, acessando o sistema e realizando uma operação financeira com segurança.
 
Da Redação - Laura Petraglia

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