17/06/2011 - 07h:20 Prefeito cassado em MT deixa dívida de R$ 725 mil em energia a sucessor

Contas de luz não vinham sendo pagas desde abril de 2009.
Novo prefeito vai tentar negociar com Rede Cemat na próxima semana.

 

A Prefeitura de Alto Boa Vista, a 1.064 quilômetros de Cuiabá, possui uma dívida de R$ 725,4 mil com a Rede Cemat, empresa responsável pela distribuição de energia em Mato Grosso. Segundo o atual prefeito Wanderley Perin (PR), as contas de luz não vem sendo pagas desde abril de 2009.

A inadimplência foi constatada por Perin, que tomou posse na semana passada no lugar do ex-prefeito, Aldecides Milhomen Cirqueira (DEM), cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT)há cerca de 15 dias por suposta compra de votos na eleição de 2008. Por meio do seu advogado, o prefeito cassado alegou ser impossível deixar uma dívida dessa proporção diante do orçamento do município e do período em que esteve no cargo.

O prefeito em exercício informou que a Rede Cemat já ingressou com ação judicial para receber a dívida deixada pelo antecessor e protocolou denúncia junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). "Não foram feitos os pagamentos de energia de todos os órgãos municipais, incluindo escolas e creches", disse o republicano.

Essa é uma das irregularidades que serão apresentadas pelo novo prefeito à equipe técnica do TCE que vai iniciar um trabalho de auditoria na administração de Alto Boa Vista na próxima segunda-feira (20), a pedido do próprio Perin.

A verificação será feita in loco após várias denúncias de falhas cometidas pela gestão anterior. Entre elas, o suposto sumiço de mais de R$ 700 mil do cofre da prefeitura, que teria sido aberto para pagar o salário dos servidores. Porém, só foram encontrados R$ 13.

Perin afirmou que virá a Cuiabá para tentar negociar a dívida com a Cemat e evitar o corte de energia nos órgãos públicos. "Temos que negociar se não correremos o risco de ficar sem luz". Ele adiantou ainda que pedirá a prorrogação e parcelamento do débito.

Outro lado

A equipe de reportagem do G1 conversou com o advogado de Milhomen, Romes da Motta Soares, e disse considerar praticamente impossível haver uma dívida como essa, sendo que as contas do município referentes a 2009 foram aprovadas pelo TCE e pela Câmara Municipal de Vereadores.

Ele avaliou ainda que, pelo orçamento do município e pelo tamanho da dívida, o débito pode ser proveniente de antecessores, já que 2009 foi o primeiro ano de mandato do seu cliente. "Não teria como ter contraído uma dívida dessa proporção nesse curto períoto de tempo", reiterou.

 

Pollyana Araújo

Do G1 MT 

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