17/07/2014 - Quadrilha chefiada por vereadores em MT teria encomendado morte de PMs; advogados rebatem acusações e criticam GAECO; vereadores estão presos

Pelo menos, sete adolescentes foram aliciados pela quadrilha chefiada pelos vereadores Reinaldo de Freitas e José Itamar Marcondes, presos na manhã desta quarta-feira em Nova Ubiratã, a venderem drogas dentro da Escola 19 de dezembro. Segundo o Ministério Público, vários jovens foram induzidos pela quadrilha a consumir drogas. O grupo é acusado ainda de articular a execução de um sargento e de um soldado da Polícia Militar que estavam coibindo o tráfico no município.

De acordo com informações da Promotoria de Justiça de Nova Ubiratã e do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os financiadores da quadrilha chegaram a ofertar quantia de R$ 15 mil para a execução dos dois policiais. Os crimes somente não foram concretizados porque uma das pessoas cooptadas não aceitou a proposta.

Além dos dois vereadores, mas seis pessoas foram denunciadas. Elas são acusadas de tráfico de drogas, associação ao tráfico e corrupção de menor. A denúncia inclui, ainda, mais dois advogados que não estão presos, mas irão responder por coação no curso do processo, ameaça e oferecimento de vantagem indevida para testemunhas.

Os entorpecentes, segundo o Ministério Público, eram adquiridos em Cuiabá e Sorriso e guardados em um depósito que funcionava dentro de estabelecimento comercial, na cidade de Nova Ubiratã. O local era utilizado como ponto de encontro dos traficantes que, sob o pretexto de cortar o cabelo, se reuniam para preparar e combinar a venda dos entorpecentes. Para isso, menores eram cooptados para fazer a distribuição.

As porções de droga, conforme o MPE, eram embaladas e preparadas em pequenas trouxas amarradas com fio dental e comercializadas a R$ 20,00, R$ 30,00 e R$ 50,00. Existia, ainda, a opção por porções maiores, denominadas “Caixa”, cujo valor era de R$ 200,00.

Conforme o Ministério Público, a quadrilha começou a ser desmantelada com a operação “Pistolagem em Neve Branca” realizada pela Polícia Judiciária Civil em parceria com a Polícia Militar. Foi constatado, durante as investigações, que a associação criminosa era chefiada pelos vereadores Reinaldo de Freitas, vulgo “Freitas”, e José Itamar Marcondes, vulgo “Itamar”. Além deles, também foram denunciados Geovane Melo Silva, Alessandro Almeida Miranda, Iago Vinícius de Santos Silva, Neimar Gilberto Sousa Rosa, Walter Djones Rapuano e Antonio Lenoar Martins.

 

 

    

 

 

 

 

 

 Vereador Reinaldo de Freitas

 

 

 

 

 

 

 

Vereador José Itamar Marcondes

Sorriso: advogados rebatem acusações e criticam GAECO; vereadores estão presos

Os advogados Walter Rapuano e Antonio Lenoar Martins, de Sorriso, enviaram nota, aoSó Notícias, criticando o Ministério Público, através do GAECO, por estarem "ferindo de morte as prerrogativas da advocacia". Eles apontam que "do jeito que o MP coloca, nós advogados figuramos como integrantes de uma organização criminosa, o que é um absurdo" e que "restará provado o "quão inverídicas, sem fundamentos, sem provas e oportunistas foram as acusações. Entrementes, nada apagará o prejuízo que esta ação impertinente do GAECO está trazendo para a imagem dos causídicos, que militam na advocacia há mais de 16 anos sem nunca terem sofrido acusações desta jaez, sem nunca terem sofrido qualquer punição disciplinar pela OAB".

Eles declaram que a promotoria, "tomando por verdadeiro unicamente o depoimento de Neimar Gilberto, preso por tráfico de drogas" resolveu acusá-los "de terem oferecido benefícios financeiros e materiais para o referido preso, no intuito de mudar seu depoimento em juízo, para beneficiar os vereadores Reinaldo de Freitas e José Itamar Marcondes. É de se esclarecer ainda que os advogados, agindo no exercício da profissão e na defesa técnica, entrevistaram o acusado Neimar Gilberto, para que tivessem a real dimensão dos fatos contidos em seu depoimento", esclarecem, acrescentando que foram iniciadas tratativas para que o advogado Lenoar fosse seu defensor, chegando até a assinar procuração para esta finalidade. "Entretanto, nunca houve qualquer promessa ou ameaça para que mudasse seu depoimento em juízo. Estes fatos foram, inclusive, devidamente esclarecidos pelos advogados e uma testemunha no inquérito policial, de forma a demonstrar que os advogados agiram nos estritos limites de suas prerrogativas previstas no Estatuto da OAB". 

Os advogados também colocam que, "através de sua assessoria de imprensa, ferindo a lei e violando o sigilo processual do caso, o GAECO emitiu nota à imprensa, fornecendo detalhes do processo e nominando todos os que resolveram acusar, inclusive os citados advogados, dando a entender, criminosamente, que eles também fariam parte da dita organização criminosa e dos crimes ali relacionados. Todavia, nenhuma acusação há no processo nesse sentido".

Rapuano e Lenoar consideram a acusação " injusta, ilegal, violadora das prerrogativas advocatícias, inoportuna, desfundamentada, e tomarão todas as medidas cabíveis e previstas na legislação para provar que a única atitude que tomaram foi exercerem a profissão com ética e respeito aos limites da lei". Eles também alegam que as prerrogativas profissionais não foram respeitadas.

O vereador Reinaldo Freitas disse, na delegacia em Sorriso, que "nunca se envolveu" com tráfico de drogas. "Tenho feito é arrumar internação para estas pessoas (dependentes químicos). Não tenho envolvimento nenhum". Freitas disse que pessoas presas em Ubiratã foram "lapidadas pela Polícia Militar para que eles incluissem meu nome e do vereador Itamar", acusa.  Ele também acusou um sargento, um cabo e um soldado da PM de tentar incriminá-lo porque alega que os denunciou por condutas que estariam tendo em Nova Ubiratã de supostos abusos, "propinas, envolvendo tráfico, festas, tiros na avenida com pistola e policial fazendo cavalo de pau. Eu denunciei. Levei ao conhecimento da Secretaria de Segurança em Cuiabá", aponta.

O vereador José Itamar Marcondes também negou as acusações. "Há 9 meses vereador Freitas denunciou a propina contra alguns policiais militares. Depois que vereador denunciou, não tivemos mais paz. Teve carro me seguindo. Eles envolveram até o pescoço. Estamos aqui hoje (delegacia) para provar nossa inocência. Vamos provar porque não devemos. Eu estava saindo para trabalhar. Eu pegou às 5h e largo a meia noite", disse. "Nunca conversei com esse menino (que foi preso por envolvimento com drogas e que teria acusado os veradores). Tem alguém por trás, também. A verdade vai vir. Tenho certeza que Deus é maior e vai mostrar a realidade", afirmou.  "A arma foi encontrada na minha casa. Não tenho porte e fui sincero", disse

 

Escrito por Redação Água Boa News com assessoria 

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