17/09/2013 - Audiência Pública revela precariedade da UNEMAT e coloca cursos em xeque

O município de Sinop recebeu nesta sexta-feira, 13.09, os debates sobre a implantação do curso de Agronomia no campus UNEMAT. A discussão foi requerida pelo deputado Estadual Baiano Filho (PMDB) com o intuito de debater junto à opinião publica a viabilidade e demanda do curso na região. Realizado no auditório da própria universidade, as discussões contaram com a presença maciça de professores, acadêmicos e profissionais das áreas de Engenharia Civil e Arquitetura.

 

Sob clima de protesto, os participantes foram categóricos ao condicionar a implantação de um novo curso ao repasse de investimentos por parte do Governo do Estado. Docentes e discentes defenderam que a criação de um novo curso sem infraestrutura levaria ao estrangulamento do campus, e cobraram o fim da negligencia por parte do Governo do Estado.

 

O coordenador pedagógico da UNEMAT, professor Marion Machado explica que os docentes são contrários a criação de cursos de maneira desordenada, sem previsão financeira e estrutura elementar. “Não somos contrários a ampliação da grade, mas terminamos de implantar o curso de engenharia elétrica e ainda estamos fechando a grade de professores da engenharia civil, diante desse quadro seria impossível pensar em um novo curso sem trabalharmos a infraestrutura, não somos contrários a criação de novos cursos, mas sem a devida estrutura seria estrangular uma condição que já é tão precária”, argumentou Marion Machado.

 

O acadêmico Cristiano Soares que curso o 7º semestre de Engenharia Civil criticou as promessas não cumpridas pela reitoria que tem levado ao estrangulamento do campus. “O magnífico reitor Adriano assumiu o compromisso de melhorar as condições das salas de aula, estruturar os laboratórios e nada aconteceu, as salas de aula não possuem equipamentos eletrônicos básicos como data show, a climatização é uma promessa antiga que nunca saiu do papel os aparelhos de ares estão instalados e nunca funcionaram, o laboratório de engenharia civil se quer possui material, o laboratório de informática possui 15 computadores para turmas de 60 alunos, não podemos defender a ampliação de universitários sob o risco de comprometermos a qualidade dos cursos, seremos contrários até que a estrutura seja adequada”, defendeu o acadêmico.     

 

O professor Adil Alves, representante da Associação de Docentes da UNEMAT se mostrou favorável a proposta, desde que as necessidades sejam reforçadas a fim de consolidar uma estrutura compatível ao curso. Além do debate ideológico, a implantação do curso deve comportar a construção de salas de aula, contratação de corpo docente e laboratório específicos, equipamentos e a viabilização de área rural, as chamadas ‘fazendas experimentais’.  

 

Baiano Filho argumentou que a Assembléia Legislativa aprovou em julho a PEC 66/2013, garantindo que a UNEMAT receba o incremento de 0,1% anualmente até 2018, quando será fixado o repasse de 2,5% da receita corrente liquida do Estado à instituição. O deputado acrescentou que este ano, o orçamento da UNEMAT subiu de R$ 168 milhões previstos em LOA para R$ 210 milhões, com cerca de R$ 10 milhões contingenciados. Com o repasse vinculado à receita liquida, o orçamento fica livre da ameaça de novos estrangulamentos.

 

Mesmo sem a adesão unânime de professores e alunos ao novo curso, os debates foram profícuos. Baiano assumiu o papel de mediador junto ao Governo do Estado, e garantiu que pontuará as demandas com o governador Silval Barbosa. “Mais que discutir a criação do curso de Agronomia, os debates foram profundos, se há uma crise precisamos ir à raiz da questão, não podemos admitir que uma universidade da magnitude da UNEMAT seja deteriorada dia a dia, os acadêmicos tem razão em reivindicar e terão em mim um soldado nessa discussão”, concluiu Baiano Filho.     

 

Apesar da importância das discussões, o reitor Adriano Silva não compareceu aos debates.

 

Naiara Martins

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