16/10/2016 - Canarana: Produtores pedem que as dívidas de custeio sejam alongadas por 5 anos

16/10/2016 - Canarana: Produtores pedem que as dívidas de custeio sejam alongadas por 5 anos

Produtores mato-grossenses pedem ao Conselho Monetário Nacional a prorrogação da dívida do custeio da safra por pelo menos cinco anos, com a mesma taxa de juros, sem barrar novas contratações de créditos. A medida é um pedido de socorro e mostra a preocupação do produtor com a rentabilidade da próxima safra de soja que começa a ser plantada nesta última sexta (16/09).

De acordo com o Banco Central, o endividamento dos beneficiários do crédito rural junto ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) no fim de junho de 2016 é de R$ 260,4 bilhões, o que representa 8,3% do total de operações de crédito do SFN no período.  Dados referentes apenas aos produtores mato-grossenses não foram divulgados.

Entretanto, as dívidas contraídas no último ciclo, em razão da forte quebra do milho e da soja, que juntos somam perdas na ordem de 7 milhões de toneladas, e a irregularidade das chuvas no ciclo anterior continuam tirando o sono do homem do campo mato-grossense, que está com dificuldades de conseguir crédito.

Para reverter esta situação e dar continuidade às safras recordes do maior Estado produtor de grãos no país, a solução seria o alongamento das dívidas, sem que novos empréstimos sejam barrados, conforme explicou ao o presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin.

Ele cita que se o produtor tem garantia e limite, nada mais justo que ele tenha acesso ao crédito dentro de sua capacidade de pagamento. “Antes o produtor prorrogava a dívida, mas não pegava um novo crédito. Para que isso ocorra agora, utilizaremos o critério dos decretos de emergência”, ressalta.

Só em Mato Grosso foram 26 municípios que decretam situação de emergência devido à seca, que ocasionou a forte quebra da safra milho. Entre eles estão União do Sul, Alto Garças, Água Boa, Novo São Joaquim, Claudia, Guiratinga e Canarana. Este último, dos 70 mil hectares plantados, apenas 52,5 mil foram colhidos, cujo rendimento médio foi de 1,8 mil kg/ha, bem abaixo dos 8,4 mil kg/ha colhidos em Campo Verde, segundo o 12º Levantamento de safras da Conab.

Endrigo defende que, se o produtor tem garantia e limite para oferecer, nada mais justo que ele tenha acesso ao crédito dentro de sua capacidade de pagamento; recurso seria o crédito de emergência

Para se ter ideia, a produtividade deste ciclo em Mato Grosso ficou em 75,9 sacas por hectare, uma queda de 30% se comparada com a produtividade do ciclo anterior que atingiu 108,6 sacas por hectare, segundo o Imea. “O produtor veio de uma safra de soja complicada, entrou na safra de milho esperando colher melhor, mas isso também não ocorreu”, lembra Endrigo.

Para ele, a única opção é que os produtores consigam – de fato – renegociar suas dívidas e ter acesso ao crédito disponível no Plano Safra cujo montante chega a R$ 185 bilhões, cerca de R$ 3 bilhões a menos do que o valor disponível na safra 2015/2016. Para este ano, além das dívidas os produtores precisam ainda trabalhar com os bancos mais restritivos na hora de analisar o crédito, bem como o crédito mais caro.

As taxas de juros do crédito rural, que no ciclo anterior variavam entre 7,5% e 10,5% ao ano, avançaram para 8,5% a 11,25% ao ano. Conforme explicou o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, para o as taxas estão de acordo com o cenário econômico atual, vinculadas à taxa básica de juros (Selic) que é de 14,25%. “O reajuste foi balizado pela inflação, mas o setor acolheu bem a mudança”, diz Geller.

No entanto, há uma notícia boa para aqueles que conseguem captar o recurso: a ampliação do limite de contratação que passou de R$ 1,2 milhões para R$ 3 milhões. As regras determinam que cada produtor pode contratar até R$ 1,8 milhão do crédito rural até dezembro de 2016 e R$ 1,2 milhão no primeiro semestre de 2017.

De todo modo, as repostas que os produtores mato-grossenses tanto esperam devem sair apenas no final do mês, durante a próxima reunião do Conselho Monetário, que ocorre sempre na última quinta-feira do mês, ou seja, no próximo dia 29. “Mas não temos saída, é melhor renegociar e não ter dinheiro do que deixar todo mundo inadimplente. É preciso renegociar com o produtor para que ele fique adimplente e consiga plantar”, finaliza Endrigo.

 

 

 

Fonte: Escrito por: Gabriele Schimanoski - RDNews

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