18/01/2011, 19:16 Cadeia pública de São Félix do Araguaia, a mais de mil km de Cuiabá

 Ambiente salubre, assistência à saúde e alimentação digna

são fatores que estão tornando possível resgatar pessoas

que cumprem pena na Unidade Prisional de São Félix do Araguaia,

a mais de 1.000 km de Cuiabá, na região leste do Estado. Aliado

a isto, a religião, o trabalho e a educação contribuem para reintegrar

infratores à sociedade.

Por outro lado, o presídio tem hoje uma população

inferior à sua capacidade. São 30 reeducandos num ambiente

onde cabem 50 pessoas, ao contrário da maioria dos presídios

de Mato Grosso, que vivem superlotados. Os que aguardam

julgamento ou estão no regime semiaberto e as mulheres, ficam

acomodados em alas distintas e sem contato com os demais.

O diretor da unidade, o gente penitenciário João Fernando,

há 3 anos no cargo, contabiliza os avanços, segundo ele

conquistados com o apoio da então Secretaria de Justiça e

Segurança Pública (SEJUSP). Ele conta que o prédio tem

quase 30 anos, funcionava como delegacia, e nunca tinha

passado por uma reforma desde que inaugurado, ainda nos anos 80.

“Conseguimos material para a reforma e também buscamos

ajuda das prefeituras dos municípios que fazem parte da

Comarca de São Félix do Araguaia”, explica o diretor,

referindo-se a Luciara, Novo Santo Antônio e Alto da Boa Vista.

Além da mão-de-obra qualificada garantida pelas prefeituras,

a obra conta com os serviços dos próprios reeducandos.

Com a reforma, que ainda está em andamento, foi possível

tornar o ambiente mais salubre. Hoje existe abertura de ar

e antes o prédio era totalmente fechado. A unidade foi toda

pintada e feita a troca de toda parte hidráulica, elétrica e

de esgoto. “Para o reeducando melhorou muito o espaço que

ele tem hoje dentro da unidade”, conta João Fernando.

A alimentação também melhorou muito, segundo ele. “Anos

atrás ocorriam motins por conta da qualidade da comida,

que sempre foi motivo de muita tensão na maioria dos

presídios e aqui não era diferente. Agora existe uma gerência

de alimentação muito exigente, a alimentação é terceirizada,

a direção da unidade também cobra qualidade, de maneira

que a nutrição é bem rigorosa, tanto que nunca mais houve

problema desse tipo”, observa o diretor.

O uniforme foi outra conquista contabilizada na unidade.

Segundo João Fernando, a partir do momento em que o

detento é entregue pela delegacia ele recebe uniforme e

já entra uniformizado na unidade e também recebe

colchão, talheres, pratos, material higiênico, cobertores.

“Tudo que antes nunca o reeducando tinha visto.

Uma vitória muito grande junto com o grupo de agentes”.

Outro sonho realizado foi o recebimento de mais viatura

(zero km), porque a unidade vivia em função de outras

instituições como Polícia Civil e Militar. “Hoje o deslocamento

do detento é muito mais ágil. Nós zelamos do veículo para que perde-lo”.

O diretor lembra ainda que melhoraram as condições de

trabalho na unidade por conta da informatização. Hoje

cinco computadores garantem mais agilidade aos serviços

administrativos, além de móveis e até mesmo espaço

reservado para o reeducando receber advogados e familiares.

O direito à religião, à saúde também são garantidos aos

detentos da unidade prisional de São Félix do Araguaia.

Entidades fazem trabalhos religiosos para momentos de

reflexão que acalmam a unidade e o ambiente daqueles

que aguardam uma resposta da Justiça fica mais tranqüilo.

Quanto á saúde, a Prefeitura de São Félix tem atendido

os reeducandos dos PSFs e no Hospital Regional e o

medicamento é pego na Farmácia Popular. “Os presos

tem inclusive acesso a tratamento odontológico”, conta o

diretor, ressaltando que a unidade recebeu visita recentemente

de dois juízes um do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o

outro representante do multirão Carcerário. “A unidade foi

elogiada pelo conselho e inclusive pelo Conselho Nacional

da População Carcerária pelo trabalho da nossa gerência

de saúde e nutrição e pela organização em geral”.

Para completar João Fernando anuncia a construção de uma

sala de aula e uma biblioteca, além de horta e pomar para

que o reeducando estude, tenha acesso à leitura e trabalhe.

“A única coisa que pedimos é o apoio da sociedade civil

organizada que ajude o reeducando quando ele sair da

unidade. Uma mão que se dá pode mudar a vida deles”, concluiu o diretor.

                                          Entrevista Vanessa Lima (O Repórter do Araguaia)

e texto de Sandra Carvalho

Publicada por Ida Aguiar