18/03/2016 - “Ele vai virar superministro e Dilma, a rainha da Inglaterra”

O senador Blairo Maggi (PR) classificou como um “erro” o fato de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter assumido o cargo de ministro-chefe da Casa Civil.

 

Segundo ele, Lula irá se transformar em uma espécie de “superministro” e caberá à presidente da República, Dilma Rousseff, ocupar um papel de “coadjuvante”.

 

“Acho um erro Lula voltar. Ele vai virar um superministro e a presidente, a rainha da Inglaterra”, disse Maggi, em entrevista publicada pelo jornal Estado de S. Paulo, nesta quinta-feira (17).

 

“Como diz na Bíblia, não dá para servir a dois senhores ao mesmo tempo”, completou o senador.

Na entrevista, o senador mato-grossense disse não acreditar que a entrada de Lula no Governo consiga frear o processo de impeachment da presidente. “Acho difícil. É uma confusão muito grande”, disse.

 

Maggi também reiterou ser favorável ao impeachment de Dilma, já que, segundo ele, a saída da presidente criará um ambiente favorável à economia brasileira.

 

“Porque acho que, se for resolver o político para depois o econômico, nós vamos chegar em 2018 esfacelados. E se os negócios começarem a andar, criando um ambiente para destravar o País, vai trazendo também a possibilidade de destravar a política” disse.

 

“Então, penso que, se houver o afastamento da presidente, essas mudanças no comando criarão um ambiente favorável para os negócios novamente”, afirmou Maggi.

 

Posse de Lula

 

O ex-presidente Lula tomou posse como ministro da Casa Civil na manhã desta quinta-feira.

 

Horas mais tarde, o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara do Distrito Federal, suspendeu, por meio de uma decisão liminar (provisória), os atos da posse. 

 

A decisão foi tomada em ação popular movida por um advogado, mas ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

 

A Advocacia Geral da União (AGU), que defende o Governo na Justiça, já informou que vai recorrer ainda nesta quinta para tentar derrubar a liminar.

 

Confira entrevista na íntegra:

 

"Se não arrumar a casa, vai entrar em colapso"

 

MARCELO MORAES

O ESTADO DE S. PAULO

 

Peso pesado da economia e um dos maiores produtores de soja do mundo, o senador Blairo Maggi (PR-MT) já não esconde mais seu apoio pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Apesar de ter feito campanha pela sua reeleição e ter participado da base de apoio do governo no Congresso, Blairo participou dos protestos no domingo “Vamos viver um período muito ruim”, diz. “Acho que vamos chegar a um ponto que vai faltar dinheiro para o próprio governo. Vai faltar dinheiro para pagar a folha. Se não arrumar a casa vai entrar em colapso.”

Para Blairo, o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) tem plenas condições de assumir o governo e comandar o processo de reformas no Brasil, num processo de conciliação nacional. A seguir, os principais trechos da entrevista.

 

P: Qual é a sua posição sobre a proposta de impeachment da presidente Dilma?


 

R: Eu sou a favor. No mínimo, precisa iniciar a discussão. E se ali na frente, se finalizar, votar e não conseguir tirar a presidente, daí, terá de se trabalhar com o que está aí.

 

P: A oposição terá de se organizar. Impeachment é solução para a atual crise política e econômica?

 

R: Nós temos oportunidade para nos livrarmos de onde estamos hoje para resolver o problema econômico e, depois, resolver o político. Porque acho que se for resolver o político para depois o econômico, nós vamos chegar em 2018 esfacelados. E se os negócios começarem a andar, criando um ambiente para destravar o País, vai trazendo também a possibilidade de destravar a política. Então, penso que se houver o afastamento da presidente essas mudanças no comando criarão um ambiente favorável para os negócios novamente.

 

P: Esse processo passaria por uma conciliação nacional?


 

R: Sim. Um acordo forte entre as lideranças políticas e a sociedade civil organizada, propondo alterações. Temos de pensar em reformas estruturantes.

 

P: Qual seria a primeira reforma de um novo governo? A da Previdência?


 

R: Previdência no longo prazo. A trabalhista, que é muito difícil de fazer, é de curto prazo. Quando você mexe na regra, já no outro dia vale para o mercado. A trabalhista seria algo urgente. E não estamos falando em tirar direitos, mas de arrumar esses direitos.

 

P: O sr. tem uma relação boa com Lula. Como vê a situação dele com o ingresso no governo?

 

R: Acho um erro ele voltar. Ele vai virar um superministro e a presidente vai virar a rainha da Inglaterra. Como diz na Bíblia, não dá para servir dois senhores ao mesmo tempo.

 

P: Ele entrando no governo freia os avanços do impeachment?

 

R: Acho difícil. É uma confusão muito grande.

 

P: Acha que, no caso de impeachment e da formação de um governo de conciliação nacional, poderá haver espaço para a participação do PT?


 

R: O duro é a credibilidade disso. Vejo as notícias de que se o Lula vier, ele vai pegar R$ 100 bilhões da reserva. Isso é um sinal horrível para o mercado.

 

P: Michel Temer consegue conduzir esse novo processo?


 

R: Acho que sim. É obrigação de quem chega na Presidência sem ter passado pelas urnas. Ele não tem capital político para gastar gordura política. Tem de ir para um entendimento.

 

P: O sr.é um nome muito forte na economia. Tem conversado com os outros segmentos? O sentimento é esse?

 

R: Com quem eu converso é sim. Pode ser do pessoal da área do comércio, da indústria, da distribuição, dos supermercados, atacadistas, hotéis. Você conversa com qualquer um e pergunta como está o setor, vão dizer que está 40% menor.

 

P: O sr. tem conversado com Temer?


 

R: Conversei sim. Na posição dele o que demonstra é que está pronto. Se tiver que agarrar o chifre do boi ele vai agarrar.

 

P: Dilma foi reeleita há um ano e três meses. O que deu errado?

 

R: Logo depois das eleições, no início de 2015, frequentava as reuniões de lideranças com os outros partidos. Começamos a perceber que as coisas iriam ser diferentes daquilo que se falou na eleição. Houve barbeiragem no processo, e eles começaram a insistir muito de que ainda iríamos entrar numa crise, mas que seria de problemas externos. Não é verdade.

 

P: O sr. teme que essa crise perpetue pelos próximos anos?

 

R: Vamos viver um período muito ruim. Este ano já foi e se não tomarmos providências, 2017 também. Você vê o que está acontecendo nas empresas é de dar dó... eu acho que vamos chegar a um ponto que vai faltar dinheiro para o próprio governo. Vai faltar dinheiro para pagar a folha. Se não arrumar a casa vai entrar em colapso. Eu vejo um cenário muito ruim. 

 

 

 

Da Redação

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