18/04/2012 - Índios de Mato Grosso estão em pânico com medo de perder reservas

 

É interessante ouvir, a pouco mais de um metro, um velho índio da etnia Myky falar em língua própria, com muita revolta, sobre a preocupação dele (mas que não é só dele) com a afronta às reservas indígenas e à natureza, em Mato Grosso e no Brasil.

A etnia Myky é uma das 42 que vivem neste Estado. Dessas pelo menos 14 estão representadas no Encontro dos Povos Indígenas de Mato Grosso, que começou hoje, 16 de abril, no auditório da Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso (Famev-UFMT), em Cuiabá. O encontro vai até dia 18.
 
Além dessas etnias formalmente reconhecidas, Mato Grosso também é terra de oito povos indígenas ainda isolados, ou seja, que não fizeram contato, sendo que sete vivem dentro do território mato-grossense e dois na fronteira.
 
O velho Myky foi um dos que se manifestaram na abertura do evento, após a fala contundente da palestrante Francisca Novantino ou Chiquinha Paresi, que fez uma análise de conjuntura. “Não podemos nem contar quantos índios sangraram, lutando pelos nossos direitos até a Constituição de 1988, que em seu capítulo quinto trata sobre as terras indígenas. Não podemos esquecer que a luta do povo indígena é uma luta mais ampla, porque contempla os interesses de todo o povo brasileiro, já que protege o meio ambiente. É uma luta que propõe uma vida melhor, mais natural, um bem viver”.
 
No Encontro, índios de Mato Grosso farão debates, dias 16 e 17, na SEMANA DE LUTO! contra a PEC 215 e outras mais de 15 que versam sobre terras indígenas, quilombolas e de comunidades originárias, em trâmite no Congresso Nacional. A PEC 215 quer reduzir reservas e ampliar áreas de plantio.
 
Em nome das comunidades negras, Emílio de Souza, do Morro Cambambe, na Chapada dos Guimarães, disse que, em relação ao movimento indígena, os quilombolas estão “gatinhando que nem tartarua, mas firme e conscientes de que têm direitos”. Segundo ele, quilombolas deixam o campo e vão para cidade sofrer nas periferias e isso não é vida!
 
No dia 18, às 9 horas, sai da praça Ulisses Guimarães, uma marcha de índios, quilombolas e sem-terra que nessa semana também fazem protestos em Cuiabá por reforma agrária. Vão direito aos poderes constituídos, para protestar juntos.
 
Dia 19 de abril é Dia do Índio, mas o movimento indígena afirma que não há nada a comemorar, nada mesmo.
 
“Estamos com medo de perder conquistar históricas”, lamenta Gilberto Vieira, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
 
Conforme Chiquinha Paresi, projetos governamentais e políticos tramam a invasão das terras indígenas na surdina, passando com o “trator” dos interesses econômicos sobre a história indígena, os valores e a cultura dos povos. Segundo ela, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), seja o PAC 1, 2 ou 3, todos impactam aldeias, porque propõem grandes obras ou encima ou próximo delas. “O que está acontecendo com a nossa sociedade? A Constituição de 1988 está sendo rasgada na nossa frente. É a desconstrução de todos os nossos direitos. E para piorar não estamos conseguindo dialogar com o governo federal. O Governo Dilma ainda não nos recebeu nem uma única vez”.
 
A primeira coisa que talvez passe na cabeça, ao ouvir o velho Myky, é que o Brasil é de fato um país muito rico culturalmente. “Se tirarem nossas reservas, como vamos fazer nossas roças de milho e batata, caçar e pescar?” – perguntou o manifestante, conforme tradução de um jovem da mesma etnia. A segunda coisa que talvez passe na cabeça, ao ouvi-lo, é que, nas reservas, onde a dinâmica do capitalismo passa longe, o meio ambiente está seguro. O velho Myky também lembrou que todo o território do município onde fica a aldeia dele – Brasnorte – era do povo dele, assim como a faixa da Grande Cuiabá era terra dos Bororo.
 
Outro índio, Jair Nambiquara, de Comodoro, lembra que, quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles, os índios, já estavam aqui, sadios e felizes. “De lá para cá, eles foram invadindo, invadindo, nossas terras…e foi aquela matança”.
 
Faz muito tempo que não há uma articulação de índios como esta, conforme Vieira, do Cimi. É medo dessas PECs.
 
“Num piscar de olhos, podemos perder nossas terras, porque são grandes as bancadas ruralista e evangélica no Congresso Nacional e elas estão articuladas contra nós”, reagiu Félix Bororo, que veio de São Félix do Araguaia para o encontro. “A Frente Indigenista, puxada pelo padre Tom (PT-RO) é pequena”.
 
Para Jair Rikbaktsá, querem acabar com os índios, essa que é a verdade. “Boa parte das pessoas não gostam de nós”, lamenta, se mostrando marginalizado, embora os índios sejam brasileiros como outros quaisquer.
 
A acadêmica de Enfermagem na UFMT, Jurenilda Chiquitano, propõe que o movimento indígena pense saídas para o longo prazo, o futuro, porque, na visão dela, “se as coisas continuarem assim, nossos filhos e netos não virão os rios que vimos, não vão conhecer nossas tradições, nem nossa cultura, enquanto deixarmos que acabem com nossa terra, nossa gente”.
 
O velho Myky diz, por fim, que é preciso falar com os “chefes grandes”, que eles também vão fenecer, caso insistam nessa política de destruição.

 

Keka Werneck
do Centro Burnier Fé e Justiça

Comentários

Data: 18/04/2012

De: jhonny love

Assunto: indigenas

Sabe as vezes eu fico a me perguntar e respondo ao mesmo tempo, porque um assentado da reforma agraria tem que se contentar com uma área pra sobreviver com sua familia em apenas 50,0000 e desses apenas se estiver dentro do bioma amazonico que é oque ta velndo hoje ainda só pode desfrutar de apenas 20% dessa area pois 80% deve ser preservada. Como podemos comentar atraves deste veiculo de comunicação democratico ainda...sou totalmente favoravél que nossos irmão indigenas tenham suas terras e o direito de viver nas mesmas, mas não com as dimenssões que estão sendo propostas, tem áreas que são maiores que muitos paises na Europa ou mesmo que muitos estados Brasileiros, a gente copia tanto modelos estrangeiros porque não ve em alguns paises onde seus silvicolas são bem tratados e participam da vida de seus paises, mas eu acho que se todo o território era habitado pelos nossos irmãos índios então devemos arrumar as malas e irmos pra onde? Temos é que resolver o problema não com interferencia de ongs..essas sim adentraram nos meio desse indios com volumosas quantias de verbas públicas e olha para nossos indios aqui de São Félix como são tratados até o polo da Funai foi tranferido de nossa cidade, o fato é que todos tem direito sim de terras pois esse é o nosso pais, não importa o ontem que descobriu e arrasou essa nação oque importa somos nós que vivemos hoje aqui, e fico constragidos pois nossos politicos abençoados muito contribuem para o sofrimento de nosso povo, não só indios, como aposentados, favelados, mendigos, moradores de rua, o povo que vivem nos lixões das grandes cidades que sofrem em silencio sem ter ninguem por eles, das pesoas que trabvaljam a vida toda pelo seu pais e que quando precisa de saude, trabalho, estradas são desfavorecidos pelos que governam essa nação, e digo mais estão todos gostando da atual gestão, pois o governo atraves da midia possue quase 80% de aprovação e sem falar daqueles que contribuem para o desenvolvimento do Brasil de verdade, não um bando de sanguessuga que ora governa essa nação, e muito me admira esse editorial falar em bancadas, e as outras bancadas dos aposentados, dos funcionários públicos dos policiais, dos homoafetivos dos magistrados, maçons e dos CATÓLICOS, então não seria melhor dizer dos eleitos pelos cidadãos desse pais, parem de ficar apontando e descriminados uns em função de outrem, pra refresco de memoria não foi só os portugueses que assolaram nossa nação, podemos incluir ai os mais piores de todos que foram os espanhois seguidos pelos holandeses, franceses, ingleses, que foram povos que conquistam e dominaram boa parte do mundo com todas especies de males para com as populações nativas, o´Brsil é de todos ou então achem outras terras para nós morarmos e deixemos toda essa terra para seus tradicionais habitantes..Mas é como diz a musica mineira............é aqui que eu amo e é aqui que eu quero ficar................. em paz e harmonia entre as etnias do nosso abençoado pais, que é em varios aspectos unico em todo mundo, apesar de todas as mazelas reveladas na matéria ainda é um bom lugar de se viver..desculpe mas falei..............!!!!!!!!!!!!!!!!!

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