18/06/2012 ‘Vou buscar para Elise Matsunaga pena digna do crime que ela cometeu’, diz promotor

Versão de médico legista contradiz a confissão de Elize para a polícia em dois pontos.

 

Elize Matsunaga pode pegar 25 anos de prisão pelo esquartejamento e morte do marido Marcos Matsunaga. Esta é a pena que o promotor pretende pedir para a assassina confessa. Esta semana a investigação sofreu uma reviravolta. O laudo do médico legista botou em dúvida a versão de Elize para o crime.

Elize Matsunaga ocupa uma cela sozinha em uma cadeia de Itapevi, na Grande São Paulo. Não vê televisão. Passa o tempo lendo livros e revistas, levados pelos advogados. “Ela está muito chorosa, sempre pergunta da filha, preocupação de mãe”, relata o advogado dela, Luciano Santoro.

A menina de 1 ano está com uma tia da mãe no apartamento onde ela matou e esquartejou o marido, o executivo da Yoki, Marcos Matsunaga.

A prisão temporária de Elize termina na próxima quinta-feira (21). Para impedir que ela seja solta, o Ministério Público vai pedir a prisão preventiva. Se a Justiça decretar, Elize pode ficar presa até o julgamento. Para o promotor do caso, José Carlos Consenzo, ela cometeu o crime porque quis se vingar das traições e da forma que era tratada pelo marido: “Não é um crime passional em hipótese alguma”, afirma.

O promotor passou o fim de semana estudando o inquérito da polícia e concluiu: vai acusar Elize de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, ou seja, repugnante, meio cruel e sem chance de defesa para a vítima. “Eu vou buscar para ela uma pena que realmente seja digna do status do crime que ela cometeu. No mínimo uns 25 anos”, afirma.

Para o promotor, até agora, a principal prova de que Elize teria agido por vingança são os resultados dos exames no corpo do executivo. A versão do médico legista Jorge Pereira de Oliveira, que analisou o cadáver de Marcos, contradiz a confissão dela para a polícia em dois pontos: primeiro, a posição de Marcos no momento do tiro. Elize contou que estava sentada quando começou a discutir com o marido e os dois se levantaram. Marcos a humilhou e deu um tapa no rosto dela. E só então Elize pegou a arma e atirou. Mas o legista concluiu que o executivo levou um tiro de cima para baixo, na cabeça.

O professor de medicina legal Henrique Soares disse que, pela trajetória da bala, é improvável que o executivo estivesse em pé ao levar o tiro: “Possível até seria, desde que ela tivesse em uma cadeira ou em alguma superfície que a tornasse mais alta do que ele. É mais provável que ele estivesse sentado, ou ajoelhado, ou deitado’, avalia.

O disparo provocou queimadura na face de Marcos, o que significa que foi a queima roupa, a menos de 12 centímetros de distância.

Para o advogado da família de Marcos, Luiz Flávio Borges D’Urso, a proximidade da arma e a direção do tiro mostram que Elize pegou o marido de surpresa e não em uma discussão: “Violenta emoção, na minha opinião, está completamente descartada. Ela busca esta arma, ela o surpreende. Ela é fraca, menor que ele, se ele quisesse, ele poderia tentar desarmá-la e ele absolutamente não faz nada disso”, argumenta.

O advogado de Elize conversou com ela depois de ver o resultado do laudo e reafirma que o tiro foi durante uma briga: “Começou com a negativa da traição, com tapa no rosto, ofensas, humilhações. Ela não aguentou e acabou atirando”, afirma.

Os exames no corpo de Marcos levantam outra contradição em relação à confissão de Elize: o instante do esquartejamento. Elize contou que depois de ver o marido morto, arrastou o corpo até o quarto de hóspedes e esperou por cerca de dez horas antes de começar a esquartejá-lo. Mas, segundo o legista Jorge Pereira de Oliveira, Marcos estava com vida quando Elize começou os cortes. Em entrevista ao repórter César Galvão, ele revelou: havia sangue no pulmão do executivo. “Se ele já estivesse morto no momento do corte, não haveria essa possibilidade. A entrada de sangue em vias aéreas é movimento ativo, quer dizer que ele tem que estar respirando”, explica o legista.

O laudo concluiu a causa da morte: traumatismo na cabeça, causado por bala, associado ao sufocamento por sangue, devido à decapitação.

Quando perguntado sobre a reação da Elize ao saber que o laudo do IML apontou que ela teria decapitado o marido ainda vivo, o advogado de Elize responde: “Ela discordou desse laudo veementemente. A gente não deve fazer a análise do conjunto baseado em apenas um único laudo”, diz.


Faltam ainda outras provas técnicas: a análise do local do crime e da reconstituição do que aconteceu dentro do apartamento do casal. Defesa e acusação já estão preparando as estratégias para o futuro julgamento. O ponto central dos debates deverá ser se Elize Matsunaga planejou friamente a morte do marido ou agiu sob forte emoção. O poder de convencimento das partes vai determinar o tamanho da pena que ela pode pegar pelo assassinato do marido: de 6 a 30 anos.

“Além de termos um homicídio, temos um homicídio por meio cruel”, avalia Luiz Flavio D’Urso. “Eu entendo que ela foi muito provocada. Não acredito em homicídio premeditado”, diz o advogado de defesa. .

“Apesar da complexidade que a sociedade esta vendo, não haverá nenhuma complexidade para o jurado que é quem vai julgar, entender a conduta criminosa da Elize para aplicar uma pena justa e merecida dentro dessa conduta que ela teve”, destaca o promotor José Carlos Consenzo.

 

Do G1 RS, com informações de O Repórter do Araguaia