18/06/2012 Xavantes cobram devolução de terra que foi prometida na Rio 92


Vinte anos depois, indígenas questionam legado da conferência da ONU. Cacique Damião Paradzané diz ter sido envenenado em Mato Grosso.

 

Índios xavantes cobraram a devolução efetiva das terras Marãiwatsédé, em Mato Grosso, durante um encontro na Cúpula dos Povos, neste sábado (16). O território seria devolvido para eles depois de um compromisso público assumido por uma petroleira italiana durante a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) na Rio 92. Mas a promessa não foi cumprida.

 

Passados 20 anos, o legado negativo da Rio 92 marcou a vida dos xavantes. “Enquanto um representante da empresa italiana dizia, no Rio de Janeiro, que iria devolver nossas terras, um grupo apoiado por essa empresa invadia nossas terras”, disse o cacique Damião Paradzané.

Este não foi o primeiro confronto entre o “homem branco” e os xavantes. Eles já tinham sido expulsos do local, em 1966, em uma ação do governo federal e que contou com apoio logístico da Força Aérea Brasileira (FAB). A corporação transportou os indígenas em aviões para a Missão Salesiana São Marcos, que fica cerca de 400 quilômetros de distância de onde viviam.

"Tiraram a gente da nossa terra. Depois prometeram durante a Rio 92 que iriam devolver, mas não fizeram isso. Não quero mais esperar outros 20 anos. Não vou desistir, já me ameaçaram de morte, nos deram comida e água envenenada, mas nós estamos aqui e queremos um novo compromisso, dessa vez de verdade", disse o cacique. (Xavante fala, em seu idioma, sobre o caso no vídeo ao lado)

 

Os xavantes tiveram o primeiro contato com o “homem branco” em 1950. Dezesseis anos depois, eles foram obrigados a deixar a aldeia. A mudança brusca de local fez com que 150 xavantes morressem após contraírem sarampo. A terra antes ocupada por eles, passou a ser chamada de Suiá-Missu, em 1961, quando o colonizador Ariosto Riva ocupou o local. Em seguida, o território foi vendido para família Ometto e para a Agip do Brasil S/A, filial brasileira da Agip Petroli, da Itália.

Entre fevereiro e junho de 1992, a antropóloga Iara Ferraz participou do grupo de trabalho de identificação da terra indígena Marãiwatsédé e presenciou a invasão das terras dos xavantes enquanto os empresários e índios participavam da Rio92.

Em 1998, mais de 165 mil hectares de terra foram homologados em um decreto presidencial. Hoje, os xavantes ocupam cerca de 10% de seu território.

Devolução em 20 dias
Segundo a procuradora da República Marcia Brandão Zollinger, as terras indígenas terão de ser devolvidas aos xavantes em até 20 dias, conforme a revogação de uma decisão anterior da Justiça, que suspendeu a retirada de fazendeiros, posseiros e grileiros da terra indígena Marãiwatsédé.

"Não há mais diálogos entre as partes. É uma questão judicial e depende apenas dos recursos das partes. Essa devolução pode ser uma coisa rápida ou demorar mais tempo.", disse Marcia.

Ainda de acordo com ela, a nova decisão do desembargador federal Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região revogou, em 18 de maio deste ano, a decisão anterior do mesmo tribunal, que suspendia a retirada de todos os não índios da terra Marãiwatsédé. "Isso significa que a desintrusão está autorizada e todos os que ocupam a área deverão sair", disse Marcia.

Permuta ilegal
O desembargador federal Fagundes de Deus suspendeu, em junho de 2011, a retirada dos invasores da terra indígena diante da proposta feita pelo governo de Mato Grosso de permutar a área demarcada e homologada como terra indígena por uma área dentro do Parque Nacional do Araguaia.

A procuradora Marcia Zollinger disse que vai acompanhar a elaboração de um plano de desintrusão da terra indígena, que deverá ser feita em uma ação conjunta com o governo federal, Funai, Ibama, Incra e Polícia Federal.

Carta compromisso escrita pelos índios xavantes cobrando de entidades governamentais e não-governamentais a devolução das terras Marãiwtsédé (Foto: Glauco Araújo/G1)
Carta compromisso escrita pelos índios xavantes cobrando de entidades governamentais e não-governamentais a devolução das terras Marãiwtsédé (Foto: Glauco Araújo/G1)
 
 
Glauco Araújo | Rio de Janeiro

 

Comentários

Data: 22/06/2012

De: paulo

Assunto: terra

E seu Branco sem nome vem aqui nos chamar de grileiro ,se vc não sabe a nossa vida não se meta,seja homem pelo menos para comentar,se vc não tem o que fala facha a tua matraca...

Data: 22/06/2012

De: joão

Assunto: terra nova suia

Diz q/ somos invasores, mais porque os políticos no tempo de campanha vem pedir votos p/ esses invasores , vão pedir p/ os índios q/ só sabe viver a nossa custa roubando nossas coisa para comer e muito mais,cade a funai q/ não cuida
dos índios só quer e aparecer na mídia,e o cacique com suas lagrima de crocodilo
o que vem fazer aonde os brancos estão pegar coisas para comer pois eles não tem a minima coragem de plantar nada, são um bando de preguiçosos e ladões apoiado pela a ONG pessoas que nem sabe como vivemos aqui,e trabalhando para criar os nossos filhos ,querem tirar nos daqui para nos irmos para cidade virar bandidos,pois só sabemos cultivar a terra para nos viver,porque esses países q/então preocupados com os índios não leva um pouco para eles ,eu espero que os governamentais toma atitude e nos ajuda pois nao temos nada para viver,tudo que temos esta aqui .

Data: 19/06/2012

De: branco

Assunto: xavante

sai das terra indigina grileiro

Data: 19/06/2012

De: kkk

Assunto: indio

valeu rogerio é asim msm que se fala ......

Data: 19/06/2012

De: concordo com a posição de Rogério

Assunto: As coisas deve ser bem analisadas

Devemos respeitar ambas as partes se é que vivemos em um pais democrático! Será que os indígenas nos dia de hoje consegue viver sem os não indígenas? Pois quem convive com os povos indígenas sabe bem disso...Temos que deixar de ser olhos tapados falar bonito para repercutir a mídia todos sabem mas analisar a realidade dos brasileiros povos em muitas dos vezes sofridos pucos param para pensar. Nós não indígenas não temos tanta proteção e daí? Seviramos de qualquer forma para sobrevivermos, até em um alqueiro de chão sobrevivemos, será que não está na hora de termos direitos iguais, plantar, colher criar e tocar a vida para frente deixando de lado essa história de que precisa ter tantas terras para sobreviver? Cabe a pensar e repensar......Não é preconceituosa essa mensagem apenas um direito de expressão de sonho de igualdade em tudo.

Data: 18/06/2012

De: KALIXTO GUIMARAES

Assunto: HORA DA VERDADE

HORA DA VERDADE!
FUNAI, ONGUEIROS E ALGUNS MAGISTRADOS DO TRF E MP, ENTRAM EM DESESPERO PELA EMINENTE DERROTA PERANTE ESTE PROCESSO FRAUDULENTO. A COMUNIDADE E OS CIDADÃOS QUE VIVEM NA SUIÁ-MISSU, ESTÃO CADA VEZ MAIS CONSCIENTES E UNIDOS NA DEFESA DE SEUS DIREITOS CONSTITUCIONAIS, AS AMEAÇAS ENSAIADA DE DAMIÃO E AS CHANTAGENS JURIDICAS DE DESPEJAR OS PRODUTORES DE SUAS TERRAS, NÃO PASSA DE TERRORISMO PSICOLOGICO.VAMOS A LUTA! COM JUSTIÇA E VERDADE VENCEREMOS ESSES ABUTRES CARNICEIROS QUE VIVEM A CUSTA DA MISERIA INDIGENA.
AS FORÇAS DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL DO ESTADO BRASILEIRO, DEVEM FICAR DE PRONTIDÃO CONTRA A INSANIDADE MORAL DE ALGUNS MAGISTRADOS VENAIS, QUE ATUAM NESTA DEMANDA, IGNORANDO OS PRINCIPIOS BASICOS E FUNDAMENTAIS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ESTA MAIS QUE PROVADO, A RESERVA MARAIWATSEDE, É UMA FARSA, QUE OS "ANTAPROLOGOS" FORAM PAGOS PARA MENTIREM!

Data: 18/06/2012

De: Rogério

Assunto: DISTRITO ESTRELA DO ARAGUAIA

Vejo com grande tristeza essas reportagens unilaterais, feitas por reporteres lá de longe, que não conhecem arealidade local.
As questões indígenas em nosso país devem ser revistas; não sou contra o povo indígena, porém, sou contra o racismo e preconceito de toda forma.
Sou brasileiro, portanto, acho que sou branco, negro, índio, ou seja, sou uma mistura de raças e povos. Como pode viver-mos num estado democrático de direito e vermos por todo Brasil o esbulho (tomada da posse violentamente) de terras de milhares de brasileiros em favor de outros. Como pode o governo querer tirar da regiao do Posto da mata milhares de brasileiros para a manutenção de outros brasileiros em número muito menor?
Como pode a "verdade" dita por um religioso e por um antropólogo (que nunca veio a região) se sobrepor a verdade de muitas pessoas antigas, pessoas probas, que ajudaram no desbravamento da região do Araguaia?
O POSTO DA MATA NUNCA FOI MORADIA DE ÍNDIOS XAVANTES...Gostaria de conclamar os senhores repórteres a vir no Distrito Estrela do Araguaia, na cidade de Alto Boa Vista e em São Félix, venham, vejam, perguntem e ouçam a realidade, conversen com as pessoas mais antigas!
Mas isso não acontece, os indigenistas e o "religiosos" não deixam, sempre que trazem reporteres aqui, levan-nos direto a "aldeia montada" no Posto da Mata e na casa de Dom Pedro, para lá ouvirem a verdade contada por ele. Não quero aqui falar mal da pessoa de Dom Pedro, muito pelo contrário, assim como muitos aqui em nossa região, sou fã desta pessoa, porém, como disse, sou brasileiro, e como tal, devo ter meus direito resquardados pelo Estado,
O DISTRITO ESTRELA DO ARAGUAIA nunca foi e nunca será dos indigenas enguanto o Brasil for um Estado Democarático de Direito. Moramos num País em desenvolvimento, que agora é um potência puljante e que não precisa mais se submeter a vontades de Europeus e Americanos.
Fica aqui registrado minha sugestão para os Senhores repórteres...venham, vejam, perguntem e ouçam a verdade de muitos brasieliros que aqui vivem...Ai sim, os senhores poderam escrever com conhecimento de causa, e não só baseado na verdade contada por uma única pessoa.

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