18/07/2014 - Suiá-Missú: Posto da Mata agora é Monipá

O posto de gasolina no cruzamento das rodovias BR-242 e BR-158 não existe mais. Tampouco comércios, residências, igrejas, escolas, farmácias. Foi tudo demolido. Sedes de fazendas, sítios, currais e outras edificações da zona rural. O palco da “operação de guerra”, na classificação dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, é o distrito de Posto da Mata, município de Alto da Boa Vista.

As demolições, intensas em abril e maio, estão em fase final, diz Aluísio Azanha, diretor de Proteção Territorial da Funai. A Justiça determinou a demolição das benfeitorias de origem não índia, depois que em janeiro cerca de 40 posseiros, insuflados por políticos e fazendeiros da região, voltaram a ocupar Posto da Mata, um ano depois da retirada dos não índios, quando a terra foi devolvida oficialmente aos Xavante.

Em meados de 2012, a Justiça determinou a desocupação do território pelos “intrusos”. Iniciou-se então o que foi chamado de desintrusão. A ação foi planejada por uma equipe do governo, envolvendo ministérios, Secretaria-Geral da Presidência, Funai, Ibama, Polícia Federal, Exército, Força Nacional, entre outros, visando a um processo pacífico. Por má-fé, a Justiça determinou a não indenização aos invasores, que haviam ocupado uma terra que sabiam pertencer aos índios.

Entre os habilitados a ser atendidos por programas sociais, o Incra cadastrou 235 famílias. As 97 que moravam em Posto da Mata foram assentadas no Projeto Casulo (Minha Casa, Minha Vida). Algumas aceitaram ir para o assentamento Santa Rita, em Ribeirão Cascalheira. Outras preferiram ir para a casa de parentes ­e conhecidos.

A movimentação, segundo o prefeito Leuzipe Domingos, causou sérios problemas sociais. A cidade não tem escola e atendimento de saúde para suprir as demandas. Ele também critica as condições em que vivem as famílias assentadas no Projeto Casulo. “Estão debaixo de lona, ou em casas de pau, sem energia e água, a prefeitura tem que mandar caminhão-pipa... O governo federal só ajudou a cascalhar as ruas”, reclama.
O Incra estuda uma nova área no município de Santa Teresinha, para assentar as cerca de 150 famílias cadastradas, que “moram de favor”.

Durante os quase 50 anos de ocupação ilegal, a terra indígena (conhecida também como Gleba Suiá Missú) foi violentamente desmatada (70% do território) para dar lugar a fazendas de plantação de soja transgênica, milho, arroz e criação de gado. A fase mais intensa se deu a partir de 1992, durante os governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Em maio, o Ministério Público Federal denunciou 27 fazendeiros, condenando-os a pagar multa de R$ 42 milhões por crime ambiental. O valor a ser arrecadado será usado para reflorestar uma área de 10 mil hectares (1 hectare equivale a aproximadamente 1 campo de futebol) da terra Xavante. O desembargador aposentado Manoel Ornellas de Almeida, o empresário do agronegócio Edi de Oliveira Vieira, o atual prefeito de Alto da Boa Vista e muitos outros que integram a Associação dos Produtores Rurais da Área Suiá Missú (Aprosum) estão entre os denunciados.

A longa luta dos Xavante, a firme ação da Justiça e a atuação conjunta de vários órgãos federais não garantem ainda um futuro tranquilo aos índios. Azanha vê risco de novas invasões. “Não podemos esquecer que invasões e conflitos foram capitaneados por aqueles que insistem em se opor às demarcações”, diz, aludindo à bancada ruralista. A Aprosum tem como advogado Luiz Alfredo Feresin de Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), referência dessa bancada.

Ele tem razão. Em março, o presidente da associação, Sebastião Prado, prometeu iniciar um movimento nacional, partindo da Suiá Missu, para defender a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere do Executivo para o Congresso o poder de decisões sobre reservas indígenas.

Outro projeto defendido pelos ruralistas é o ­PLP 227,­ que abre Terras Indígenas à exploração do agronegócio, empresas de energia e mineração.

O clima de disputa faz com que servidores da Funai permaneçam na área no mínimo até as eleições de outubro. O fato é que Posto da Mata não existe mais. Voltou a se chamar Monipá, território sagrado para a comunidade Xavante.

 

 

Autor: Administrador

Comentários

Data: 09/06/2016

De: joao

Assunto: demoliçao de cidade posto da mata

no governo lula e dilma..Joao Cruz lula e dilma na demoliçao da cidade do posto da mata em mt foi um sucesso...apoiado pelo pt...sera..................familias... crianças... recem nascidos jogados fora de suas casas...se uma familia mora mais de seculo desprava...o mato ... formam suas propriedades..criam os filhos... os netos...os bisnetos...com a força derramando o suor que lutam colhendo o fruto da terra .. na sobrevivencia tirando o sustento.da .terra que os proprios indios xavantse reconhecem que ali nao e lugar deles....homens honestos...trabalhadores que sempre ajudaram a construir o pais atraves lutas... cade o reconhecimento dos direitos adquiridos...se o proprio governo federal nao reconheceu como terras indigenas levando e executando o projeto luz para todos ..terras nacionalizadas , escrituradas..e reconhecidas legalmente pelo incra..e que tambem .nunca foram devolutas...e que ja estao desbravadas... terra indigina tem que ser terras indigenas e com mata virgem..tai a desqualificaçao social e da má aplicaçao da legislaçao...nunca vai existir uma adapitaçao indigena ...num local desapropriado no habitat indigena..como vai pescar, caçar..comer frutas nativas e raiz..num lugar desbravado proibido a caça e pesca..num lugar desbravado a mais de cem anos...que nem sequer existe condiçoes de sobrevivencia..de um ser sem nacionalidade...

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