18/08/2014 - Produtores de milho de Querência cobram garantia de marcas detentoras da tecnologia Bt

Os produtores de Querência, região leste de Mato Grosso, que fizeram uso da tecnologia de milho Bt no cultivo da segunda safra deste ano, estão indignados com a ineficiência apresentada em algumas variedades. Os agricultores cobram garantia das marcas Monsanto, DuPont, Dow e Syngenta, empresas detentoras da tecnologia.

O problema gerou descrédito entre os produtores rurais sobre a eficácia do grão geneticamente modificado. O fato também deixou a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) em alerta. A entidade já notificou a empresa e promete entrar na justiça para que esses agricultores sejam ressarcidos.

 

O assunto foi destaque da caravana do 9° Circuito Aprosoja, que contou com a presença dos produtores de Querência. O presidente da associação afirma que o problema da quebra de resistência da tecnologia Bt vem sendo acompanhado desde o ano passado.

 

– A quebra da eficiência nas cultivares Bt foram identificadas na safra passada, só que numa proporção menor. Entretanto, em 2014, praticamente 100% da área plantada perdeu resistência. A Aprosoja-MT já notificou as empresas que puseram no mercado e que venderam os grãos geneticamente modificados ineficientes. Queremos que elas apresentem soluções de maneira  a compensar o produtor pelos gastos extras e pelas perdas na safra. Nós estamos aguardando as respostas. Queremos resolver pelo diálogo, mas, se não for possível, vamos tomar outras medidas, inclusive judicais, para garantir o direito do produtor – afirma o presidente da Aprosoja-MT, Ricardo Tomczyk.

 

O produtor Valmir José Schneider está acabando de colher 1.600 hectares cultivados com o milho segunda safra – toda a área cultivada com sementes transgênicas de alta tecnologia. A produtividade da lavoura, por enquanto, é satisfatória, alcançando a média de 120 sacas por hectare. O resultado era para ser motivo de comemoração, mas Schneider enfrentou problemas em, pelo menos, 300 hectares da lavoura.

 

Valmir José Schneider desembolsou R$ 350 por cada saco de semente com tecnologia Bt, que são resistentes a pragas. O problema é que em algumas áreas a tecnologia não resistiu, e o produtor precisou fazer algumas aplicações de defensivos. Os custos aumentaram em cerca de 4%, um prejuízo de três sacas por hectare.

 

– A lagarta veio com força. Ela vai para o milho logo após o cultivo da soja, temos uma infestação muito alta. A tecnologia não está suportando as pragas. Hoje, não sabemos se vamos comprar o milho Bt ou o convencional, fazendo a aplicação de defensivos.
 – reclama o agricultor.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Querência, Gilmar Dell Osbel, pelo menos 10% da área de cultivo da tecnologia Bt foi atacada por lagartas. Os custos subiram aproximadamente R$ 50,00 por hectare.

 

– É um sentimento de frustração, porque o produtor está disposto a pagar pela tecnologia, mas ele investe e ela não funciona. O agricultor fica completamente frustrado. Nós tivemos um custo adicional em defensivos, que foi  aplicado para combater as pragas. Isso precisa mudar. A pessoa investe em uma tecnologia que ele espera que funcione – comenta Osbel.

 

 

 

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