18/08/2016 - Delator que pagou propina de R$ 17 mi diz que 'trabalhou de graça'

18/08/2016 - Delator que pagou propina de R$ 17 mi diz que 'trabalhou de graça'

Nesta quarta-feira (17), os advogados dos 17 réus na segunda ação penal decorrente da Operação Sodoma se encontram novamente na 7ª Vara Criminal de Cuiabá para acompanharem os depoimentos de 2 delatores do esquema. Serão ouvidos os empresários Willians Paulo Mischur, dono da empresa Consignum e João Batista Rosa, dono do Grupo Tractor Parts.

Ambos firmaram acordos de delação premiada e confessaram que pagavam propina num esquema chefiado pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) entre 2011 e 2014. Mischur pagou cerca de R$ 17,5 milhões em propina para a quadrilha enquanto João Rosa confirmou ter pago R$ 2,5 milhões aos integrantes da organização criminosa. No caso de Rosa, posteriormente sua delação premiada foi revogada e ele passou a ser considerado uma "vítima" da quadrilha. 

Quem preside a audiência é a juíza Selma Rosane Santos Arruda. Ela acatou pedidos das defesas para que não sejam feitas imagens das testemunhas na sala de audiência. Os delatores foram arrolados pelo Ministério Público Estadual (MPE) na condição de testemunhas de acusação.

Veja aqui como foi a audiência

19h10- William Khalil, advogado de Pedro Nadaf, lembra que seu cliente fez uma confissão na última audiência relativa à 1ª ação penal da Operação Sodoma e vai assumir a culpa nos casos em que tiver responsabilidade. Questionou se Nadaf já fez alguma ameaça contra o empresário. Rosa, por sua vez, respondeu que nunca foi ameaçado por Pedro Nadaf. Termina o depoimento de João Rosa.

19h- O depoente João Rosa segue respondendo questionamentos do advogado Goulth Valente Souza de Figueiredo, defensor de Marcel de Cursi. Reafirma que nunca conversou com Cursi sobre pagamento de propina. O advogado Bruno Alegria, responsável pela defesa de Rodrigo Barbosa, filho do ex-governador Silval Barbosa, quer entender se Rosa tem o controle dos cheques repassados por ele, quem descontou os cheques. Rosa afirmar não saber quem foram as pessoas que descontaram os cheques. Responde ainda que não conhece Rodrigo Barbosa. 

18h10 - Lucro de R$ 9 milhões e tensão entre advogado e empresário- O advogado João Nunes da Cunha Neto, que defende o procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, questiona João Rosa sobre o faturamento de suas empresas no período em que receberam incentivos fiscais do Estado (2011 a meados de 2015). Ele esclareceu, visivelmente indignado e com o tom de voz alterado, que o faturamento bruto anual girava em torno de R$ 50 milhões, mas o lucro, segundo João Rosa, foi de R$ 9 milhões no período em que suas empresas se beneficiaram do Prodeic. O questionamento gerou um clima de tensão entre João Batista Rosa e o advogado João da Cunha. O empresário, tinha em mãos uma cópia de uma matéria veículada num site da Capital onde constava que suas empresas teriam lucrado R$ 34 milhões no período. Rosa acusou o advogado João Cunha de ter repassado a informação "mentirosa. Argumentou o advogado quer desmorarizá-lo perante a sociedade. A juíza Selma Rosane entrou na discussão e acalmou os ânimos. Ressaltou a Rosa que se ele quiser, pode acionar judicialmente a pessoa que o difama através da imprensa difundindo informações falsas. 

17h55 - Empresário diz que foi covardemente extorquido e doou na campanha de Silval. João Batista Rosa afirma que não sabia da existência de uma organização criminosa na gestão Silval Barbosa. Confirma, no entanto, que ajudou na campanha de Silval com uma doação de R$ 50 mil. "Mas foi dentro da legalidade", ressalta. "Fui covardemente extorquido. Uma pessoa chegar pra mim e falar assim: João o governo está te ajudando e agora você precisa ajudar o governo", ressalta Rosa ao explicar que tinha direito a receber os R$ 2,5 milhões de créditos em ICMS. Mas o governo ficava enrolando ele.

17h50 - O empresário segue se explicando e destaca que se houve alguma contradição em depoimentos anteriores foi por esquecimento mesmo. "Não menti, nada do que eu disse era mentira, mas no estresse que eu estava passando era humanamente lembrar de todos os detalhes de coisas de 5 anos atrás. 

17h45 - Visita do diretor da City Lar a mando de Pedro Nadaf- João Rosa conta que um dia estava em casa e o diretor juridico da City Lar, Florindo José Gonçalves, foi lá e disse que lá estava a pedido de Pedro Nadaf. "Ele me falou: João, seu celular está grampeado". O alertou para tomar cuidado porque tudo estava sendo gravado e que ele quando quisesse falar com Nadaf que falasse com ele (Florindo) antes e que eles deveriam encontrar outro local para se encontrarem. Rosa foi alertado por Florindo que ao invés de falar sobre reuniões era para falar sobre "ar condicionado". Explica que era "uma maneira de cifrar a conversa e parecer que era sobre compra de ar condicionado. Mas eu não estava comprando ar condicionado", esclarece Rosa. 

17h40 - Somente no final de março de 2015 que o empresário ficou sabendo que Prodeic das empresas dele era irregular. Informa que ficou sabendo por Seneri Paludo, atual secretário estadual de Fazenda. 

17h25 - Nadaf pediu ajuda de R$ 2 milhões pra pagar dívida de Silval. O empresário segue explicando que ainda em 2011 Pedro Nadaf o chamou e disse que o governador precisava de uma "ajuda" para pagar uma conta. "Achei que fosse algo em torno de R$ 60 mil, mas ele (Nadaf) me falou que eles precisavam de R$ 2 milhões". Rosa disse que achou o valor muito alto, mas Nadaf o interpelou dizendo que o governo estava ajudando ele, mas que agora precisava ser ajudado também. João Rosa diz ter entendido como uma ameaça de que se ele não aceitasse efetuar os pagamentos os benefícios do Prodeic de suas empresas seriam suspensos.  Por mês ele deveria efetuar pagamentos de R$ 30 mil através de cheques.

17h20 - Em 2011, João Rosa voltou a procurar Silval para receber os créditos e foi direcionado pelo governador para falar com Marcel de Cursi, à época titular da Sefaz que disse que não tinha como pagar os créditos. Rosa então acionou Pedro Nadaf, da Casa Civil para ajudar. Foi então, que foi sugerido para ele pleitear o incentivo fiscal por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic). No mesmo ano, as 3 empresas de Rosa foram enquadradas no Prodeic.

17h12 - João Batista Rosa começa explicando sobre o crédito em ICMS que tinha a receber do Estado. Ele responde aos questinamentos feitos pela promotora Ana Cristina Bardusco. Ele explica que em 2010 a Sefaz emitiu um decreto tirando retroativamente todo o direito de quem usufruía de créditos de ICMS que as empresas de Rosa se beneficiavam. Ele então pleiteou o direito ao crédito que não conseguia mais utilizar desde 2005 quando passou a enfrentar dificuldades. Ele disse tentou varias vezes sem sucesso junto à Sefaz receber os valores. Em 2010 ele conseguiu falar com Silval e explicou sua situação. O peemedebista disse que se ganhasse a eleição, depois ele resolveria o assunto.

16h42 - Termina a oitiva de Willians Mischur.O próximo interrogado é o empresário João Batista Rosa. A magistrada concede um intervalo de 15 minutos. 

16h30 - Delator diz que Silval mente até para os advogados dele. Mischur coloca em xeque a versão do ex-governador e insinua ele mente aos próprios advogados. Ele diz jurar por Deus e por sua família que não está mentido, que se encontrou sim com o então governador. Pede a Valber Melo para questionar Barbosa sobre isso, pois o ex-governador sabe que Mischur diz a verdade. Por sua vez o advogado Valber Melo rebate e afirma que pode pedir uma acareação entre Mischur e Silval Barbosa. De antemão, Selma Rosane entra na conversa e diz: “senhores, a acareação vai ser indeferida e esse dialogo também”.

16h10 - Valber Melo, um dos advogados de Silval Barbosa agora faz perguntas ao delator. Questiona o valor da propina pago era maior do que o lucro. Mischur reafirma que não tinha lucro, pois faturava uma média de R$ 800 mil e pagava quase o mesmo valor de volta em propina aos integrantes da organização criminosa. Ele também explica sobre as reuniões que participou com Silval Barbosa. Confirma que se reuniu com Silval num domingo no Palácio Paiaguás, sede do governo do Estado. Relata que o então governador estava acompanhado de vários seguranças. 

15h55 - Delator explica valores que recebia pelo contrato que mantinha com o Estado. "Eu ganho por contrato processado, por cada transação financeira”, explica ele quando questionado sobre seus ganhos. O empresário diz não se recordar o valor de contrato que mantinha com o governo de Mato Grosso. Acredita que era de R$ 2 a R$ 3 por contrato processado. Isso dava, segundo ele, uma média mensal de R$ 800 mil. Reafirma que não tinha lucros, pois tinha que pagar milhares de reais em propina todo mês ao grupo criminoso do ex-governador. Nesse período Mischur garante que sobrevivia de contratos que mantinha com outros Estados. "Eu sempre fui chamado quando tem problemas, fraudes", enfatiza.

15h37 - Medo de garimpeiro. O empresario Willians Paulo Mischur é questionado para quem o ameaçou. Ele não cita nomes, mas cita o passado do ex-governador. “Tenho medo de todo mundo que não anda dento das regras”, argumenta Mischur, ao relatar que o ex-governador Silval Barbosa era um garimpeiro e sabe como são as coisas num garimpo. Mischur revela que também já atuou em garimpos e conhece as “regras”. Ele faz as ressalvas ao responder questionamentos do advogado Victor Azevedo, advogado de Silvio Corrêa, sobre os motivos de dizer que tem medo de todos os integrantes da organização criminosa.

15h32 - Valor de R$ 1 milhão guardado em casa. Willians Mischur foi questionado por qual motivo guardava em casa o valor de R$ 1 milhão que foi apreendido na 2ª fase da Operação Sodoma. "Primeiro porque eu posso. Eu estava inadimplente e sem crédito diante de toda essa exposição ai na imprensa. Eu saí do Serasa tem 30 dias. E não foi R$ 1 milhão, foi R$ um milhão, duzentos e setenta mil reais e mais euros que também foram apreendidos. Eu guardo dinheiro em casa porque esse é um costume que tenho de família. Gosto de comprar tudo à vista", afirma o empresário. Ele explica que o dinheiro para para custear o aniversário da filha e a levar para os Estados Unidos para estudar. Informa que o dinheiro ainda está apreendido. 

15h20 - Delator afirma que não deu prejuízo ao Estado. O advogado José do Patrocínio, que faz a defesa do prefeito cassado de Várzea Grande, Walace Guimarães (PMDB), também réu na ação penal questiona o delator. Pergunta se ele causou algum prejuízo ao Estado”. “Nenhum”, responde Mischur ao afirmar ainda que também não cometeu fraudes fiscais e nem direcionou qualquer licitação lançada pelo Estado na gestão Silval Barbosa.

15h05 - Mischur afirma não conhecer o ex-secretário de Fazenda, Marcel Souza de Cursi e garante que nunca pagou qualquer valor em propina para Cursi. 

15h - Agora a representante do Ministério Público questiona o empresário sobre o contrato de compra do terreno onde consta o nome dele de Antelmo Zílio (já falecido). Ele afirma que não sabia de nada. Também esclarece que não relação de amizade com César Zílio, pois os contatos só foram mantidos quando Zílio era secretário e eles tratavam do contrato que ele tinha com o Estado. "Fiquei sabendo pela mídia que pai dele já havia morrido" , garante o delator. 

14h48 - Delator assinou contrato de compra de terreno de R$ 13 milhões sem ler.  Agora, o empresário-delator é questionado sobre o fato de sua assinatura constar no contrato de compra de um terreno de R$ 13 milhões adquirido por César Zílio utilizando dinheiro de propina nos pagamentos. “Um dia ele chegou com o contrato e falou assina isso aqui porque vai dar merda. Ele tacou o terror e eu assinei. Foram 2 contratos. Assinei o 1º e passou um tempo ele veio com outro contrato pra eu assinar onde seria eu e o Antelmo (pai de Zílio que já faleceu). Assinei o contrato sem ler. Assinei porque era um terreno. Ele sabia que eu tinha lastro, tinha muito dinheiro, tinha uma movimentação financeira muito boa. 
Ana Bardusco o questiona se ele, de fato, queria assinar o contrato da compra do terreno. “Pra ser sincero, claro que não, mas é uma pressão muito grande, depois que você está numa dessa é uma pressão muito grande”, justifica Mischur. 

14h36 - Medo de todo mundo e carros blindados. “Comecei a blindar todos os meus carros”, diz Willians Mischur ao relatar que num determinado momento foi ameaçado pelo coronel da Polícia Militar José de Jesus Nunes Cordeiro que à época era secretário-adjunto na SAD e segundo o Ministério Público, também participou do esquema, exigindo propina do empresário e fazendo ameaças. “Tenho medo do Cordeiro, tenho medo do Sílvio, do governador, tenho medo de todo mundo”, revela o delator. Sílvio Cézar Corrêa Araújo é ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa. Ele é réu no processo e apontado por delatores como o "braço-direito" de Silval que agia com "carta branca" dentro da quadrilha fiscalizando o pagamento da propina e até "ameaçando" delatores. 

O empresário esclarece que José Jesus Cordeiro o procurou e exigia mensalmente a quantia de R$ 30 mil como propina. " Ele foi na minha casa e disse que não estava sendo valorizado. Reclamou que ele fazia todo processo para o governador. Eu respondi que não tinha como pagar". A partir de então, segundo Willians Mischur, o coronel Cordeiro o alertou para tomar cuidado porque um caminhão poderia atropelar o filho dele "Eu passei a ter medo e temia que algo pudesse acontecer. Mandei blindar meus 2 carros", revela. 

14h22 - Contrato de José Riva - Mischur revela que seu contrato passou a pertencer ao ex-deputado José Riva como pagamento de dívidas que Silval tinha com ele. Então, foi articulada uma reunião entre Mischur, José Riva e o empresário e bacharel em Direito, Tiago Vieira de Souza Dorileo. 

José Riva foi denunciado pelo MPE e virou réu na ação penal sob acusação de ter praticado o crime de concussão contra os empresários Willians Mischur e Fábio Drumond Formiga, além de tentativa de fraude à licitação para favorecer a empresa Zetra Soft, de Drumond. De acordo com o MPE, Riva quando se envolveu no esquema para tentar atrapalhar os pagamentos de propina que Mischur fazia ao grupo de Silval, ainda era presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

O Ministério Publico afirma que Riva se juntou ao ao bacharel em Direito e empresário Tiago Vieira de Souza para tentar tirar a empresa Consignum da “jogada” para que no lugar dela entrasse a empresa Zetra Soft para prestar serviços ao Estado gerenciando a margem de empréstimo consignado que os servidores públicos têm direito. Nesse caso, a Zetra venceria a licitação desde que pagasse mensalmente propina de R$ 1 milhão a Riva e Tiago que também denunciado pelo MPE.

14h15 - Silval disse que Mischur era seu amigo.  O delator segue esclarecendo questionamentos feitos pela promotora Ana Cristina Bardusco. "Ele (Silval) falou você tem um amigo aqui, por isso até me estranha ele falar agora que não me conhece", revela Mischur ao explicar sobre um encontro que teve com Silval Barbosa onde o então chefe do Executivo Estadual o recebeu e disse que os pagamentos de propina deveriam ser repassados ao secretario-adjunto da SAD, Pedro Elias Domingos de Mello, pois César Zílio não estava mais sendo leal ao governador. Mischur revela que então pagou R$ 600 mil em propina a Pedro Elias.

14h12 - Extorsão e pressões constantes. “Eles te extorquiam de um lado e caminhavam como a licitação de outro lado. Eles mesmo não se entendiam”, revela Mischur ao comentar sobre a pressão constante que sofria do grupo. Revela que era constantes as ameaças de substituição de sua empresa por outra que realizasse os mesmos serviços, ou seja, gerenciamento da margem de empréstimos consignados dos servidores públicos.

14h03 - Sobre a “briga” que Mischur disse que travou com César Zílio foi no sentido de tentar reduzir o valor da propina porque caso contrário sua empresa não conseguiria se manter na ativa, não conseguiria efetuar os pagamentos. “Praticamente trabalhei de graça aqui no meu Estado. A sorte que eu tinha outros contratos”, revela o empresário. Explica na sequência que só permanecia no negócio porque não aceitava perder para outras concorrentes de outras localidades dentro do próprio Estado.

“A pressão foi tão grande no começo, queria cheque, queria cheques em valores pequenos. Depois, começamos a passar em dinheiro porque muitos cheques estavam voltando”, revela. Ele conta ainda que o dinheiro era entregue em sua empresa e às vezes na SAD. “A maioria das vezes era na empresa mesmo que ele buscava. Na secretaria, eu entregava a propina no próprio gabinete dele”, esclarece. 

13h57 - O empresário esclarece que em meados de 2011, o então governador Silval Barbosa precisava levantar dinheiro para custear campanha e começou a pressionar ele para pagar propina ou o contrato seria rescindido. Ele revela que a exigência partiu do ex-secretário de Administração, César Roberto Zílio, para que Mischur começasse a fazer pagamentos mensais de R$ 700 mil. "Eu disse que R$ 700 mil era muito e começamos a brigar e foi baixado pra R$ 500 mil", revela. 

13h55 - Empresa não recebe do erário público. Mischur esclarece que sua empresa não é remunerada pelo erário público, mas sim pelos bancos que fazem empréstimos ao servidores intermediados pela Consignum. Ele revela que mantém contratos em outros Estados e em prefeituras de grandes cidades brasileiras.

13h50 - “No Estado antigamente tinha muitas fraudes nos consignados”, afirma o empresário ao explicar para a promotora Ana Cristina Bardusco que sua empresa gerencia a margem de empréstimos que os servidores públicos têm direito. Sua empresa não permite que eles consigam empréstimos acima de 50%. Eles operam com base no CPF de cada servidor e impede os empréstimos fora da folha de pagamento o que resultava num alto índice de inadimplência. Com o controle realizado pela Consignum cada servidor não pode contrair empréstimos que ultrapassem 30% de seus salários.

 

 

Welington Sabino, repórter do GD

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