18/10/2012 - Detentos colocam cabeça do diretor a prêmio e oferecem até R$ 100 mil

 

Os seguidos casos de fuga e tentativas ocorridas nos últimos dois meses na Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Correa (Mata Grande) em Rondonópolis seriam ações planejadas pelos presos para ‘derrubar’ o atual diretor da unidade, Agno Sérgio Silva Ramos, segundo declarações de agentes prisionais da unidade prisional que não quiseram se identificar. Os rumores são de que os ‘grandes bandidos’ estariam oferecendo R$ 100 mil para quem assassinasse Agno. 

Os agentes prisionais também estariam sendo alvos de retaliação. Recentemente, dois perigosos bandidos teriam sido transferidos porque tiveram ligações telefônicas grampeadas e em uma das conversas pediam a morte de dois agentes prisionais.

Os funcionários alertam que a qualquer momento pode haver uma rebelião e temem que isso possa iniciar com a detenção de um agente para fazer refém. “Eles [os detentos] estão doidos para pegarem um dos agentes”, afirmou um deles.

Ainda segundo os carcereiros, os detentos estariam revoltados com a nova administração, por terem perdido regalias dentro da cadeia. Eles dizem que na gestão anterior era uma bagunça.  

“Havia um entra e sai de prostitutas e eles usavam drogas a vontade lá. Agora o regime é rígido, eles perderam a mordomia. Logo que o novo diretor assumiu, fizemos um pente fino nas celas e muita coisa foi tirada deles. Havia celas que tinha geladeiras, freezers, grandes TVs... E dinheiro, foi apreendido mais de 25 mil reais. Tudo dinheiro do tráfico, pois eles traficavam lá dentro”, contou um deles.

Um grupo de presos conhecido como a Comissão, ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do país, é quem costumava dar as cartas no presídio sobre quem poderia ter ou não certas regalias. Ainda segundo funcionários, o grupo decidia a hora de tranca, caminhavam pelos corredores do presídio à vontade, ditava quem poderia usar celular, drogas e ter acesso ao banho de sol.

A mudança de regime tem três meses, tempo que novo diretor assumiu. Na administração ele implantou o Serviço de Operações Especiais (SOE), grupo de agentes penitenciários que vieram a agregar com os agentes prisionais do GIR (Grupo de Intervenção Rápida). A diferença é que o SOE foi treinado para portar armas, o que deixa os detentos mais intimidados ao acompanhar os agentes do GIR que usam apenas armas não-letais. 

Efetivo 

Os agentes prisionais comentam também o pequeno número de efetivos. “Não teria como a gente evitar essas fugas com o numero de efetivo tão baixo. São mais de 700 presos para 13 agentes (GIR e SOE) por dia. É muito pouco”, desabafou. 

Fugas 

Nos últimos dois meses foram registradas duas fugas e uma tentativa de fuga no presídio. Na madrugada de ontem (17), os policiais da penitenciária perceberam que os presos do raio 3 haviam saído das celas e estavam próximo ao alambrado (cerca de arame) tentando fugir. Um dos guardas que estava na torre II efetuou um disparo para coibir a ação e após o tiro eles retornaram à cela.

No último domingo (14), três detentos conseguiram fugir após serrarem as grades de uma das celas. A possibilidade da facilitação de um policial na fuga foi cogitada um dia depois, após denuncia de outros reeducandos.

Mês passado, vinte detentos conseguiram escapar durante as visitas. Os presos usaram barras de ferro para fazer um buraco na parede do banheiro e depois o muro da penitenciária. Desses, oito foram recapturados.

 

Da Redação - Victor Cabral

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