18/10/2016 - Estado e União correm risco de ter de pagar indenizações milionárias à família de suposto ''terrorista''

18/10/2016 - Estado e União correm risco de ter de pagar indenizações milionárias à família de suposto ''terrorista''

A União e o Estado correm o risco de arcar com uma indenização milionária à família do detento Valdir Pereira da Rocha, de 36 anos, inocentado da acusação de terrorismo, assassinado brutalmente por espancamento dentro da Cadeia Pública do Capão Grande, em Várzea Grande,  na tarde de sexta-feira, 14. A advogada criminalista Zaine El Kadre, mãe adotiva de Valdir, vê erros grosseiros, que vão desde a transferência do preso do presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para Mato Grosso, até a chegada dele em Várzea Grande.

Além de que muita coisa ainda não foi explicada. Primeiro: Valdir estava condenado pela prática de outro crime em Palmas, no Tocantins, cujo processo teria sido avocado para Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso, onde ele morava com a família onde ele foi preso, acusado de terrorismo quando foi preso?

Segundo: Valdir estava com prisão preventiva para ser transferido de Mato Grosso do Sul e ficar preso em Várzea Grande? Terceiro: Quem fez a transferência, foi a Polícia Federal (PF)? Quarto: Porque o preso, como acontece sempre, principalmente quando a PF está envolvida, não foi levado, primeiro para o Instituto Médico Legal (IML), para passar por exame de corpo de delito?

 Quinto: Por que a família de Valdir não foi avisada de que ele estava sendo transferido para Várzea Grande? Sexto: Por que a psicóloga à disposição do Sistema Penitenciário não teve acesso ao preso quando ele chegou à Cadeia Pública do Capão Grande?

Sétimo: Por que Valdir não foi colocado em um local isolados dos outros presos? Oitavo: Quem espalhou os boatos de que Valdir era um preso de alta periculosidade, pois como terrorista era matador de criancinhas? Nono: Quem abriu os cadeados da cela, ou das celas onde Valdir estava com mais de 100 presos no momento da refeição?

Décimo: Por que Valdir, que chegou ao Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande (OS-VG) em estado muito grave, inclusive com traumatismo de crânio, não foi levado diretor para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI)?

Valdir foi dado como morto às 19h23 de sábado, mas a família, segundo a advogada e mãe adotiva Zaine El Kadre, só conseguiu fazer a liberação do corpo do IML para sepultamento no final da tarde do domingo, 16, graças a um auto de reconhecimento de cadáver junto à Polícia Civil.

Valdir, segundo a advogada, estava com toda a documentação  apreendida pela PF desde que ele foi preso na “Operação Hashtag”, desencadeada em 22 de julho deste ano. Valdir, segundo ainda a família, foi liberado pela Justiça Federal de Campo Grande desde 16 de setembro, após decisão da Corregedoria de Justiça Federal em Mato Grosso do Sul.

A advogada Zaine contestou e se mostrou revoltada com a forma que foi feita a transferência de Valdir. “Estranha. Muita estranha essa transferência feita pela Polícia Federal após dois feriados prolongados em Mato Grosso do Sul, nos dias 11 e 12 últimos”, ironiza a advogada, que como mãe da vítima, diz que vai lutar pelos direitos do filho e da família dele.

ESTRANHO – A família estranhou a transferência, que teria sido realizada “na calada da noite”, e garante que só foi informada que Valdir estava em Mato Grosso após a agressão violenta ao ser espancado.

O Valdir foi brutalizado por mais de 100 homens que dividiam ala com ele, após cadeados das celas serem abertos, no momento em que foi servido o almoço, na sexta-feira. “É ainda mais estranho o fato dos agentes penitenciários terem espalhado boatos entre os presos que ele (Valdir) faria parte de um grupo terrorista que executaria crianças”, conta a advogada.

E ela continua fazendo denúncias: O fatos dos boatos geraram a revolta entre os detentos. A história teve fim com as agressões brutais a uma pessoa indefesa. Vou cobrar da Justiça tudo isso”, afirmou a doutora Zaine El Kadre, que conclui:

- Ele (Valdir) também não passou pela assistente social. A própria assistente contou que tentou falar com ele várias vezes mas não conseguiu, pois sempre havia uma alegação de impedimento por outros servidores da unidade. Não sei por que isso aconteceu, mas foi o que aconteceu, pois eu conversei com a assiste social”.

Além das denúncias com pedido de uma indenização milionária que poderá fazer contra o Estado e a União, a advogada Zaine El Kadre também incluiu nas denúncias, o descaso do Estado com a segurança e com a saúde de Valdir, que não teria sido atendido como deveria dentro do hospital.

 
 
 
 
Trindade/Redação 24 Horas News

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