19/03/2015 - Gilmar Fabris fala sobre acidente e afirma que vítimas faziam “bico”

O deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) contou, na tarde desta terça-feira (17), detalhes sobre o grave acidente que ocasionou a morte de três trabalhadores na Assembleia Legislativa, na semana passada.

Segundo Fabris, o gabinete 114 passava por uma readequação básica para que fosse ocupado por ele. Antes, ele estava no gabinete 118.

O deputado resolveu trocar o carpete das quatro salas do novo gabinete e designou que a compra fosse feita por um de seus funcionários. A compra foi realizada em uma empresa chamada Santa Rosa.

“Eu pedi ao meu funcionário, Rogério, que fosse comprar um carpete para colocar na sala. E há uns dez dias ele fez isso, mas a empresa disse que não fazia a colocação do carpete. Os meninos que trabalhavam lá disseram que poderia fazer isso como um bico e vieram fazer o serviço”, disse.

De acordo com o parlamentar, os três estavam na última sala quando ocorreu a explosão.

“Na sexta eles vieram tirar o carpete, já tinham tirado de três salas, na quarta sala, eles pediram mais Thinner (solvente). Depois ,trouxeram mais quatro latas, eles encostaram a porta em que estavam tirando o carpete, o Rogério ficou na sala que já tinha sido limpa, quando escutou a explosão”, afirmou.

Fabris afirmou que o deputado Zé Carlos do Pátio (SD) chegou a passar 10 minutos antes da explosão em frente a sala em reforma.

“Dois deles entraram andando na ambulância. Eu ligava de meia em meia hora para saber como eles estavam e o médico me disse, em determinado momento, que eles estavam piorando. Eu não entendia. O Rogério chegou a dizer que um deles estava bem, e esse foi o primeiro que morreu. O fogo é um demônio, queima por fora e cozinha por dentro”, disse. 

Ele irá esperar o resultado da pericia feita pela Politec para saber o que de fato ocorreu. No entanto, afirma não ser o culpado pelo ocorrido.

“Somente eles poderiam dizer o que aconteceu naquela sala. Se alguém acendeu um cigarro, se ligou o celular, se saiu faísca da máquina. Não tem outra história para contar. Não sei o motivo, tudo o que aconteceu dentro da sala, ninguém sabe ainda explicar. Vão fazer a pericia, mas não sei aonde vão chegar”, afirmou.

“Foi um grande acidente, que ninguém imaginava que pudesse acontecer. Mas causada pelos próprios profissionais. Eram homens simples, novos, estavam tentado ganhar um troquinho a mais. E é duro de acreditar que um carpete gerou uma fatalidade que matou três pessoas”, disse.

Gilmar Fabris afirmou ainda acreditar que os três eram profissionais. Segundo o deputado, profissionais da área teriam lhe garantindo que o produto utilizado na retirada dos carpetes era o correto.

“Pelo carpete que eles tinham colocado, a empresa em que eles trabalhavam, entendo que eram profissionais. Mas se me perguntarem se tinha que ser um mestre para colocar carpete, isso não sei”, disse.

Por fim, o deputado do PSD disse ter dado todo apoio financeiro à família das vítimas, mesmo não sendo, em sua visão, uma obrigação. Ele diz não acreditar que haja qualquer processo judicial sobre a fatalidade.

“Estou dando o apoio necessário. Pedi que toda a minha equipe fosse ao hospital até que tinham vida. Ajudamos também com o velório, caixão. Acredito que não teria que arcar com nada, mas sou diferente, sou humano, e no que puder ajudar, irei ajudar”, afirmou.

“Se alguém fizer isso [entrar com ação na Justiça], acredito que irão perder tempo e vão deixar meu coração duro. Porque não tenho nenhum motivo para ser acionado. Era um gabinete que supostamente seria meu, não foi eu que contratei. Mas estou pronto para ajudá-los”, completou. 

Acidente 

O acidente ocorreu na noite da última sexta-feira (13), no momento em que era realizado o serviço de aplicação de um carpete no gabinete do deputado Gilmar Fabris. 

Os funcionários da empresa contratada para o serviço faziam uso de materiais inflamáveis, como Thinner e cola.

Segundo assessoria da presidência da AL, houve uma explosão no momento em que era feito o polimento do piso para receber o carpete.

As vítimas foram socorridas inicialmente por uma guarnição da PM que faz a segurança da Casa e, depois, por uma equipe do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu).

Entre as vítimas do acidente, estão os trabalhadores Luciano Henrique Perdiza, 27 anos, cujo óbito foi confirmado no início da tarde desta segunda (16), além de Fagner Nunes de Almeida, 28 anos, e Jonatan Bruno Paes, de 24 anos, que morreram no domingo (15).

Um procedimento administrativo será instaurado na Assembleia para apurar as causas do acidente.

 

 

Douglas Trielli 

Do Mídia News

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