19/04/2011 09h:05 Índios de MT criticam Funai, denunciam queimadas e caça indiscriminada de tartarugas

“A Funai precisa assumir o seu papel e defesa dos interesses indígenas. E o começo é sair de seus gabinetes para conhecer a nossa realidade e nossas necessidades.”

 

No Dia do Índio, 19 de abril, lideranças indígenas mato-grossenses criticam a Fundação Nacional do Índio (Funai) por não conhecer a realidade dos povos e estar muito distantes de sua realidade.

“A nossa comunidade é reconhecida por sua passividade. É da nossa natureza acreditarmos na boa vontade do próximo. Ocorre que quando o nosso próximo fica distante de nossas necessidades, entendemos que ela não nos serve mais”, diz o líder e advogado Samuel Karajá.

Para ele e demais lideranças do Araguaia, se a instituição Funai se justifica pela existência da população indígena, é hora de repensar suas ações e preocupações. “Uma delas é a falta de compromisso com a agenda institucional”, ressaltam em documento entregue à Funai. Eles citam como exemplo o fato de representantes do órgão em Palmas (To) terem marcado uma reunião em São Félix do Araguaia e só chegado dois dias depois da data estipulada.

“Ficamos quase dois dias na cidade aguardando a chegada da coordenação regional. Lideranças de dez aldeias indígenas deixaram suas comunidades e famílias para estar reivindicar direitos e discutir nossas necessidades junto à essa coordenação na data previamente agendada, ou seja, dia 07 de abril de 2011. Provamos o gosto amargo do descaso, do esquecimento. Há um ano que a atual coordenação tem ignorado nossa causa e sua prerrogativa de defesa do índio, reafirmando essa omissão com a falta de compromisso com a agenda de reuniões”, criticam.

Os povos do Parque Indígena do Araguaia lembram, neste Dia do Índio (19 de abril), que a Funai os ensinou, de 1965 a 2001, a comer carne bovina, mantendo criações de bovinos dentro da área, manejados por funcionários do próprio órgão, registrados como vaqueiros. Lavouras de arroz eram cultivadas de forma mecanizada e povo vivia na fartura.

Com a reestruturação da Funai, o  órgão estaria obrigando os indígenas a viver exclusivamente da coleta de frutos, da pesca e da caça, quando quase tudo isto já estaria em extinção em seus territórios.

Eles ainda denunciam que a Funai tem ignorado a legislação brasileira, assim como o povo indígena, exemplificando que em 2010 enfrentaram a maior queimada já vivida na Ilha do Bananal. “Desprovidos de fiscalização com a chamada reestruturação,  a presença de não índios na área tem aumentado assustadoramente, cujo objetivo é a retirada indiscriminada de nossos peixes, tartarugas e animais silvestres”. A denúncia foi entregue à Funai no início deste mês de abril.