19/05/2015 - Cadê o povo?

Nenhum, dos mais de 20 mil habitantes, dentre eles 15 mil eleitores registrados, com exceção deste que o escreve e outro cidadão solitário, compareceram à Assembleia Legislativa na Câmara Municipal de Água Boa, na noite dessa segunda-feira, dia 18. E não pense que isso é fato isolado no tempo. Ao contrário, de acordo com funcionários da casa, é a regra.

As cadeiras vazias expõem mais do que a cor do estofado, demostram uma situação nacional, uma verdade inconveniente.  Nunca antes houve tanto descredito e desinteresse da população pela política. Por que será?

Talvez isso seja reflexo dos recentes e recorrentes casos de corrupção no Brasil, como o petrolão, o mensalão ou cuecão. Com tanta corrupção, o povo jogou a toalha. Não crê em mais nada. Não defende mais nada. Cansou e sumiu. Talvez seja isso, mas somos forçados a admitir. A corrupção sempre existiu por aqui, em todos os lugares, em todas as épocas. Não somos mais o país do futuro do que somos o país dos escândalos.

Talvez o povo, exausto de tanto trabalhar para pagar os impostos que mantem um Estado gigantesco e ineficiente não encontre forças para achar o caminho do Plenário. Para que sair de casa para ouvir “mais do mesmo blábláblá político? ”. Talvez seja isso, mas convenhamos que a história nos ensina que o brasileiro sempre foi um sujeito que trabalhou mais do que podia e recebeu menos do que devia, e isso não impediu muita gente de se envolver com questões políticas ao longo do século passado por exemplo.

Ou talvez, mais simples, o povo simplesmente não saiba que dia as sessões ocorram, ou onde elas ocorram, ou para que elas ocorram. Porém é notável a participação popular quando o assunto em pauta afeta diretamente a vida do cidadão. Alguém lembra de como estava cheia aquela câmara na ocasião da audiência pública sobre as multas referentes aos estacionamentos ilegais nas calçadas?  Pois é, bem cheia né. Será que esqueceram o caminho? Talvez.

No meio de tanta incerteza, contudo, há uma verdade dura, inquebrável e que não escapa a cumprir: povo ausente, país demente.

O plenário é o povo, o povo é a política, e a política é o plenário.  É o povo que é solução, o objetivo, o meio e o fim da ação política. Mas o povo não foi. Não vai. O povo sumiu. E plenário vazio meu amigo, é plenário fraco, é incompleto, é capenga, é mera função burocrática. Sem o povo não há Estado, não há política, não há país. Sem o povo, não há começo, nem meio, só o fim.

 

 

 

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