19/06/2014 - Diretora arquivava processos contra servidores para "ajudá-los" - confira

A diretora do Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Correa (Cridac), Lúcia Provenzano, teria arquivado processos contra servidores só para ser “camarada”. A afirmação foi gravada em vídeo de reunião interna realizada entre administração e os servidores para discutir problemas na gestão. Lúcia relatou aos presentes que inúmeras vezes livrou os funcionários de processo por entender a situação de cada um e os servidores nunca ficaram sabendo de sua "benfeitoria".

 

Ela deu exemplo de caso ocorrido entre 2006 e 2007. À época, uma servidora fazia faculdade no horário em que deveria estar no trabalho. A diretora diz que entendeu a situação e arquivou a denúncia. Esta seria uma forma de ajudar uns aos outros. “Agora, essa mesma funcionária tem dois cursos superiores e não tem paciência de esperar e compreender o momento em que estamos”, desabafa. Lúcia ainda reclama que muitos dos problemas vividos pelos servidores não chegam até ela. “Em 100% das vezes é culpa minha, mas não chega nada pra mim”.

 

Na reunião, que ocorreu dia 2 de abril, os funcionários disseram também que médicos não cumprem a carga horária de 40h. Relatam que ficam apenas alguns minutos no Centro e atendem somente dois pacientes. Lúcia garante que os casos denunciados já estão em análise no RH e serão tomadas providências. Um médico presente, no entanto, defendeu a categoria e disse que a maioria dos profissionais cumprem suas obrigações. “Eu atendo 12 ou 13 pessoas por dia” afirma. Ele instiga os presentes, então, a dar nome aos profissionais que não cumprem com seu trabalho, mas ninguém delatou.

 

Os servidores queixaram-se também de benesses que algumas categorias do Cridac recebem e outras não. “Isso causa desconforto”, diz o funcionário na gravação. A gestora defende dizendo que a forma como o Estado está, dificulta o trabalho e ela também se sente frustrada com a situação.

 

O vídeo já teria sido enviado ao Ministério Público para apuração das denúncias. O promotor Alexandre Guedes, contudo, não confirma se tem a gravação em mãos. Conta somente que hoje existem dois inquéritos em andamento no órgão. Um para apurar irregularidade na distribuição de cadeiras de rodas e outra, que foi deferida liminar, por meio de ação civil pública, para reforma do prédio do Cridac, que está sem condições de uso.

 

Conforme a secretaria estadual de Saúde, as reformas estão encaminhadas, uma para o prédio antigo (atual) e outra para a nova sede, que vai usar espaço existente, onde era o hospital São Tomé. Ambas intervenções vão custar R$ 3,8 milhões. O secretário Jorge Lafetá chegou a pedir dispensa de licitação para que a reforma fosse feita com urgência, mas o conselho econômico do Estado recusou. Assim, o trâmite está correndo em processo normal e agora se encontra na fase de juntada de documentos. O Cridac é o espaço para realização de reabilitação física, auditiva, intelectual e autismo, além de serviços de oficina ortopédica e unidade de sentinela. 

 

Outro lado

A diretora do Cridac, Lúcia Provenzano, está de licença médica e em viagem. Ela informou, por meio do Cridac, que na próxima quarta (25) estará em Cuiabá e vai responder às denúncias.

 

 

Valerya Próspero e Patrícia Sanches

 

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário