19/06/2015 - Racismo: EUA prendem suspeito de matar 9 negros em igreja

A polícia do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, prendeu nesta quinta-feira, 18, Dylann Roof, de 21 anos, suspeito de ser o autor do tiroteio em igreja na cidade de Charleston, na Carolina do Sul, que deixou 9 mortos na noite de quarta-feira. De acordo com as autoridades, Roof foi preso na cidade de Shelby, na Carolina do Norte - a cerca de 320 quilômetros de Charleston -, durante uma blitz montada pela polícia nas estradas que cortam o Estado.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um pronunciamento no começo da tarde desta quinta-feira para comentar o ataque em Charleston, tratado até o momento pela polícia local, pelo FBI e pelo Departamento de Justiça como um crime de ódio.

Obama disse que ele e a primeira-dama, Michelle, conheciam alguns membros da igreja em Charleston, incluindo o pastor Pinckney, morto no ataque. "Nossas condolências não são suficientes para traduzir a tristeza que sentimos", disse o presidente.

Obama também lamentou o fato de em seus mais de seis anos à frente dos EUA ter feito "pronunciamentos como este muitas vezes". "Mais uma vez, pessoas inocentes foram mortas", disse o presidente. "Este tipo de coisa não acontece em outros países desenvolvidos com essa frequência e está nas nossas mãos mudar isso."

Antes do pronunciamento de Obama e pouco depois de a informações sobre a prisão de Roof ser divulgada, a secretária de Justiça dos EUA, Loreta Lynch, afirmou que as autoridades tinham detido um suspeito, mas não deu mais detalhes. "Eu posso confirmar que um suspeito está sob custódia da polícia", disse Loreta.

Em uma mensagem publicada no Twitter, o FBI - a Polícia Federal dos EUA - confirmou a prisão de um suspeito e eleogiou as autoridades que participaram do cerco. "Suspeito do tiroteio em #Charleston prso. Nossos sinceros agradecimentos à população aos nossos parceiros da lei", escreveu a conta oficial do FBI.

'Tenho que fazer'. Uma sobrevivente do massacre na igreja em Charleston contou para Sylvia Johnson, sobrinha do pastor Clementa Pinckney, morto no ataque, partes do diálogo que ouviu entre o atirador e as vítimas do tiroteio.

De acordo com a testemunha, o autor do ataque procurou pelo pastor e sentou-se ao lado dele durante a sessão de estudos bíblicos. Ao final da atividade, houve um grande barulho e o começo do tiroteio. O atirador teria recarregado sua arma pelo menos cinco vezes.

"O filho dessa testemunha tentou convencer o atirador a não matar as pessoas na igreja", disse Sylvia. Ao responder, o autor do ataque disse: "Eu tenho que fazer isso. Vocês estupram nossas mulheres e estão assumindo o controle do país. Vocês têm que ser eliminados".

Presente. Em entrevista à agência Reuters, Carson Cowles, um tio de Dylann Roof, disse que reconheceu seu sobrinho na fotos divulgadas pela polícia na qual Roof é identificado como suspeito pelo ataque. 

Cowles disse também que Roof ganhou uma arma - uma pistola calibre 45 - de presente de seu pai quando completou 21 anos, em abril. Ele cofirmou que policiais estiveram na casa da mãe de Roof na manhã desta quarta.

Além disso, uma foto publicada no perfil de Roof no Facebook mostra ele com uma jaqueta com dois brasões de regimes que defendiam a supremacia branca, um durante o Apartheid, na África do Sul, e outro na Rodésia, atual Zimbábue. (AE)

Escrito por Diário do Poder

 

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