19/08/2013 - Pais de estudante desaparecido no Peru acreditam que filho tenha sido escravizado pelo narcotráfico

Os pais do estudante brasiliense Artur Paschoali, de 20 anos,desaparecido no Peru há quase oito meses, acreditam que o filho esteja vivo e em situação de cárcere. Durante os quatro meses em que estiveram acompanhando as buscas, o administrador Wanderlan Viera e a arquiteta Susana Pachoali reuniram indícios que os fazem acreditar que o jovem esteja nas mãos de traficantes. Eles também não descartam a hipótese de que o filho tenha sido morto e enterrado. Mesmo assim, mantêm a esperança de reencontrá-lo.   

Após percorrer 182 cidades peruanas, próximas a Machu Picchu,região onde o rapaz foi visto pela última vez no dia 21 de dezembro do ano passado, Vieira reuniu informações  que o fazem acreditar que o filho tenha sido vítima de um esquema criminoso. Ele denunciou suspeitos do desaparecimento à Fiscalía, órgão peruano correspondente ao Ministério Público no Brasil, mas até agora não obteve nenhuma resposta das autoridades peruanas. No Brasil, ele planeja entregar na semana que vem o documento ao Ministério das Relações Exteriores, pedindo providências a respeito da investigação do desaparecimento de Artur Paschoali.   

— Nós denunciamos pelo menos quatro pessoas que acreditamos estar envolvidos no desaparecimento do Artur. No entanto, não tivemos informações do avanço dessa denúncia ou qualquer investigação nesse sentido.  

Enquanto esteve no Peru, Vieira acompanhou as buscas, entrevistou moradores, distribuiu fotos e até ofereceu recompensa para quem tivesse notícias do filho. Em conversa com um trabalhador local, ele ouviu que o filho pode ter sido vítima do narcotráfico.

— Me disseram que o Artur seria muito útil para os traficantes porque ele fala inglês fluentemente, além do português e do espanhol. Soube de outros casos de desaparecimento de turistas na região. Muitos deles, vítimas dos traficantes.

Mas o que fez Wanderlan Vieira acreditar que o filho esteja vivo e nas mãos de traficantes, foi uma conversa que ele ouviu entre um homem que acompanhava as buscas e o dono de um hotel por onde Arthur teria passado. Nos primeiros dias de investigação, Wanderlan ouviu este homem conversar ao telefone com o dono do hotel e ouviu a seguinte frase “Fala com o Kique para tirar o Artur de lá.” Wanderlan denunciou o homem para a polícia local, mas ainda não recebeu retorno sobre a denúncia.

Buscas

Os pais de Artur percorreram montanhas e vales na região da cidade de Santa Teresa, próxima a Cuzco e Machu Picchu, na tentativa de encontrar o filho. Segundo eles, durante este período, muitas pessoas os procuraram dizendo que o menino foi visto na região. Em uma dessas ocasiões, Artur teria sido visto desesperado tentando fazer uma ligação em um telefone público. Mas em quatro meses de buscas, o estudante da UnB (Universidade de Brasília) não foi encontrado. 

Wanderlan lembrou que o período de buscas ao filho foi muito difícil e angustiante. Segundo ele, a polícia local agia de forma morosa e apresentava poucos resultados.  

— Em muitos momentos eu tive que conduzir as buscas. Houve uma situação em que saímos para procurar o Artur e o policial me perguntou por onde eu queria procurá-lo.   

A família Paschoali gastou cerca de R$ 80 mil para tentar encontrar Artur. Agora, eles pretendem lançar um livro com a história do estudante para juntar dinheiro e pagar um advogado que possa pressionar as investigações no Peru. A mãe do estudante disse que tem esperança de reencontrá-lo e agradeceu a ajuda de amigos e pessoas que nem conhecia, mas que se solidarizaram com o caso.  

— Eu tenho muita esperança de abraçar meu filho de novo. Durante todo este período de buscas e até agora foi criada uma corrente de energia em torno do aparecimento do Artur. Eu sinto que meu filho está vivo e vai voltar para nós.   

Autoridades

A assessoria de comunicação do Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, informou que disponibilizou à família o atendimento de serviço consular e está acompanhando as investigações no Peru. O ministério informou ainda que mantém contato com as autoridades peruanas, mas não obteve informações que possam ser divulgadas. 

A Embaixada do Peru no Brasil informou, por meio do cônsul Raul Meneses, que as investigações realizadas pela polícia peruana e pelo Ministério Público continuam. A respeito da postura da polícia, o diplomata disse não poder comentar a opinião da família. Ele reafirmou que as buscas aconteceram em conjunto entre autoridades brasileiras e peruanas.  

 

Paulo Mondego, do R7

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