19/09/2015 - Silval teria buscado ajuda de Temer para tentar libertar Roseli

Interceptações telefônicas feitas pelo Ministério Público Estadual (MPE), por meio do Gaeco, com autorização da Justiça, indicam que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) teria usado influência política para tentar libertar sua mulher, Roseli Barbosa. 

Os "grampos" telefônicos, aos quais o MidiaNews teve acesso, fazem parte do inquérito da Operação Arqueiro.

A ex-primeira-dama de Mato Grosso foi presa no dia 20 de agosto, por agentes do Gaeco, acusada de participar de um esquema que desviou R$ 2,8 milhões da Setas (Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social).

Cinco dias após a prisão da mulher, no dia 25 de agosto, o ex-governador viajou para Brasília, por volta das 13h30. 

Na Capital federal, ele se encontrou com o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, para definir detalhes da entrada de um pedido de liberdade, por meio de habeas corpus, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na véspera, o desembargador Rondon Bassil, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, negou uma liminar, também em habeas corpus, para soltar Roseli.

Gabinete de Temer

Após o encontro com Kakay, Silval Barbosa, segundo revelam as interceptações do Gaeco, manteve contato telefônico com Nara de Deus Vieira, chefe de gabinete de Michel Temer (PMDB), vice-presidente da República.

Em um relatório reservado, o Gaeco afirma que, nos diálogos, “observa-se facilmente” que Silval teria procurado Temer possivelmente com interesse de “obter algum auxílio na sua demanda junto ao STJ, ou seja, a soltura de Roseli Barbosa”.

No mesmo dia 25 de agosto, Nara liga para Silval, às 16h57, e diz: “Vem agora, pode vir agora, tá”.

Silval agradece, e diz que o trânsito está “meio ruim”. Nara diz que dá tempo. Silval questiona se é para procurá-la no gabinete. Ela diz que sim: “aí coloco o senhor para falar com ele”.

 

Em outra ligação no mesmo dia, às 17h34, Nara liga novamente para Silval e pergunta se ele já chegou. Ele diz que está “trancado no trânsito”.

Na sequência, ela pergunta se dá para falar com Temer por telefone. 

Silval diz que irá procurar um telefone fixo. Ela lhe passa o número, dizendo que era para ligar naquele momento, pois o vice-presidente iria sair. “Estou ligando agora”, diz Silval.
 

Mais tarde, às 21h50, Nara de Deus Vieira liga novamente para Silval. Ela questiona qual o nome completo da ex-primeira-dama Roseli Barbosa. 

O ex-governador passa o nome da mulher, e em seguida se despedem: “Tá bom, eu já vou, falamos amanhã, então”. 

 

Segundo o Gaeco, a interpretação de suposta tentativa de influência para libertar Roseli, surge do cenário das interceptações telefônicas, “em especial na ligação corrida da chefe de gabinete de Temer à Silval, para questionar o nome completo de Roseli”.

 

“Se não fosse essa a intenção, por qual motivo Nara Vieira questionaria Silval se poderia falar esse assunto via telefone? E, porque Silval preferiu contatar de um telefone fixo? E, ainda porque Nara contataria Silval para questionar o nome completo de Roseli?”, questiona o Gaeco.

E, em seguida, o analista do Gaeco responde: “Não há dúvida de que o propósito de Silval, ao contatar com o vice-presidente da República, não é outro senão obter a liberdade de sua esposa”. 

No relatório, o Gaeco afirma que, no dia seguinte, 26 de agosto, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, deferiu o pedido liminar e determinou a soltura de Roseli Barbosa.

Temer nega

Em nota, a assessoria do vice-presidente Michel Temer afirmou que Silval Barbosa não manteve contato com ele, por falta de espaço na agenda.  

A assessoria negou qualquer “gestão" para beneficiar Roseli Barbosa.

 

 

 

Da Redação

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