19/10/2015 - Cuiabá não comporta o BRT, diz especialista

O impasse e a incerteza quanto as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá e Várzea Grande trouxe à tona a discussão quanto ao modal ter sido ou não a melhor escolha para as duas cidades. Com as obras paralisadas há quase um ano e sem data para a retomada, ainda existem aqueles que defendem que a melhor opção de modal teria sido o Bus Rapid Transport (BRT). Mas de acordo com especialistas, o VLT foi a melhor e mais inteligente escolha já que Cuiabá cresceu sem planejamento e não teria condições para operação do BRT.

O advogado e ambientalista Ewerson Duarte da Costa, diretor institucional na Eco 2 Neutralização, empresa que acompanhou o estudo de impacto ambiental do VLT, afirma que a falta de informação, aliada à corrupção e aos atrasos das obras são os principais motivos que colocaram o modal como um “vilão”.

Segundo ele, não há mais o que se discutir quanto a viabilidade ou não do modal, já que estudos comprovaram que o VLT era a melhor opção e que as avenidas de Cuiabá não teriam condições estruturais
para comportar o BRT, que tomaria um maior espaço. “Cuiabá não foi uma cidade pensada, não cresceu com planejamento e não tem calha viária para o BRT, pois este modal ocupa muito espaço, tecnicamente
seria inviável”.

Outro ponto polêmico em relação ao VLT é quanto aos valores gastos com o modal, que ficaram em mais de R$ 1,4 bilhão e pode ultrapassar ainda os R$ 2 bilhões. Na época, o projeto do BRT custaria aos cofres públicos pouco mais de R$ 450 milhões. Costa afirma que em primeiro momento o BRT teria um custo mais barato, porém reforça que é muito importante pensar a longo prazo e, segundo ele, sem dúvidas o VLT é economicamente mais viável. “O VLT tem uma vida útil de 30 anos, já o BRT são ônibus e que precisam ser trocados a cada cinco anos. Logo, a manutenção sairia mais cara. Em 15 anos gastaríamos mais do que se investisse no VLT para 30 anos”.

Além disso, o ambientalista lembra ainda que quando o assunto é a emissão de poluentes e o uso de
energia limpa, o VLT leva vantagem porque “polui zero”. “Por ser tração elétrica, a poluição é muito pequena”. Os BRTs, por sua vez, operam com diesel e emitem poluentes. Costa destaca ainda que para o
aspecto turístico e econômico para as cidades o VLT também sai na frente. “Existem estudos que comprovam que turistas optam por lugares que oferecem mais conforto, além de que a tendência é que
hotéis e empresas comecem a margear as avenidas por onde o modal passa”.

Ele afirma que com todas essas vantagens não há mais do que duvidar quanto ao VLT ter sido a escolha certa. “O que posso assegurar é que hoje está discussão entre BRT e VLT não cabe mais e ele precisa ser
concluído”.

 

 

Dantielle Venturini, repórter de A Gazeta

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