22/11/2012 Advogado, fala sobre as denúncias de que o bispo Pedro Casaldáliga teria contribuído o deslocamento das terras dos xavante para a área em conflito.

 

Exclusivo: Entrevista com advogado Dr. Luiz Alfredo Feresin de Abreu, fala sobre as denúncias de que o bispo Pedro Casaldáliga teria contribuído decisivamente para o deslocamento das terras verdadeiramente xavante para a área em conflito

 

Néia Rondon: Luiz Alfredo Feresin de Abreu o senhor acredita que o Bispo Pedro Casaldáliga pressionou a FUNAI para deslocar a área ocupada em tempos remotos pelos Xavantes, a beira dos rios Xavantinho e Tapirapé, para a área em conflito?

 

Dr. Luiz Alfredo:

Antes de responder objetivamente a sua pergunta, gostaria de fazer algumas considerações sobre o Pedro Casaldáliga.

Eu recordo quando conheci Bispo Pedro Casaldáliga no ano de 1987, quando fui contratado pela empresa Macife para ajuizar várias ações de Reintegração de Posse em face de centenas de posseiros que ocupavam as terras da fazenda.

As informações que os dirigentes da empresa Macife me passaram, à época, era de que não adiantaria procurar o “Bispo Vermelho do Araguaia” para tentar um possível acordo para a retirada pacífica dos posseiros da Fazenda.

Os   empresários afirmavam que o Bispo era polêmico, intransigente, radical e que alardeava se sentir melhor em uma túnica terrorista do que em sua batina. Alertar ampara que eu tivesse bastante cuidado na região, eis que correria risco de morte se confrontasse o Bispo e seu exército de posseiros.

Eu relutei em aceitar patrocinar a causa da empresa Macife. Minha mãe, católica, também tinha medo do “Bispo vermelho”. Que não respeitava o vaticano; Que pregava a Teologia da Libertação; A revolução do proletariado; O regime comunista-materialista; Um Bispo católico que acredita na existência de várias igrejas, e pregava que o nosso Deus católico não é o único Deus do universo; Que ousou a condenar o Papa por transformar a Opus Day em Prelazia, após salvar o Banco Ambrosiano da Falência. O Bispo que prega o fim do voto de celibato.

Confesso que recém-formado e ainda muito jovem senti receio em aceitar patrocinar a causa da empresa Macife. Senti medo, na verdade, do Bispo.

Depois de muito refletir resolvi aceitar o desafio, longe de meu reduto natal. A primeira iniciativa foi telefonar ao bispo e tentar marcar uma audiência para tratarmos do assunto da Macife. No primeiro momento ele relutou em me receber. Disse-me que o assunto era com pastoral da terra.

De tanto insistir ele marcou a audiência, e pela primeira vez fui a São Félix do Araguaia em 1988. Encontrei o Bispo na prelazia a beira do Rio Araguaia. O meu nervosismo advindo do respeito era flagrante.

Logo que ele me viu, não sei como, já sabia de quem se tratava. O seu desconforto com a presença de um advogado de latifundiário será percebível.  Quando iniciei a conversa com aquele homem franzino, educado, que transmitia uma autoridade sem precedente em minha vida, não sabia direito como começar a falar.

Ele percebeu meu nervosismo e falou sobre amenidades para, certamente, me deixar à vontade. Logo que refiz daquela emoção fui direto ao assunto. E lhe disse: Bispo eu somente aceitei patrocinar a causa da Macife contra os posseiros com a condição de não retirá-los da fazenda.

De imediato ele me interpelou: Como assim? E eu lhe disse que o plano apresentado, por mim, aos proprietários da Macife era no sentido de desapropriar toda a fazenda para fins de reforma agrária, com exceção de 10 mil hectares em volta da sede, que não se encontravam invadidos por posseiros.

A tensão inicial passou e eu percebi que Bispo recepcionou a proposta da desapropriação. A partir daquele dia passei a ir a São Félix, assiduamente, com o propósito de concretizar a desapropriação das terras da Fazenda Macife.

Nunca fui amigo íntimo do Pedro Casaldáliga, mais todas as vezes que viajava a São Félix ia lhe visitar, sempre lhe levava um livro e um abraço. A admiração pelo Bispo“Vermelho e terrorista” foi se exacerbando com tempo. Contava a todos, orgulhosamente, sobre o “meu amigo Bispo”. Sobre o seu caráter, seu humanismo, sobre o desprendimento de sua alma e principalmente de sua luta incessante pelos direitos dos mais pobres, dos índios e principalmente pelo seu espírito de justiça.

 Como advogado consegui desapropriar várias fazendas na região e sempre que precisava de um telefonema ou uma carta do Bispo para alguma autoridade ele estava sempre disposto a ajudar. Na verdade ele sabia que eu ganhava meus honorários. Mas certamente sabia também que as desapropriações trariam paz ao campo e felicidade aos mais pobres e por isso ajudava sempre quando solicitado.

Algumas vezes o Bispo me ligou pedindo que eu advogasse para várias pessoas sem condições financeiras e sempre atendi seus pedidos.

Eu dizia a todos que em São Félix valia literalmente o brocado popular “Quando não se tem justiça procure o Bispo”.

Para minha mãe disse que se na igreja católica existisse algum representante de Deus, o Pedro era verdadeiramente um deles. Seu voto de pobreza, sua vida simples, sua poesia, sua cultura, sua opção pelos fracos e oprimidos, sua casa simplória tem muito mais semelhança com os hábitos do filho de Deus pela Terra do que a grandiosidade dos palácios das igrejas católicas que abrigam cardeais e papas.

 Disse ainda que Teologia da Libertação é a única salvação da igreja católica. Que sofre o desfalque dos fiéis pelas igrejas evangélicas que pregam a Teologia da Prosperidade.

Depois dessas considerações, respondo sua pergunta:

 

Penso que sua pergunta quem deveria responder é o próprio Pedro Casaldáliga, uma vez que não tenho procuração para responder em seu nome. Posso, no muito, dar a minha modesta opinião sobre os fatos e provas que surgiram no decorrer do processo da Suiá Missú.

 A antropóloga da FUNAI Dra. Iara Ferraz descreve às fls. 110/116 do processo administrativo que tramitou na FUNAI e culminou com a demarcação da terra objeto do litígio, a visita feita por ela ao Bispo Pedro em 1991, quando juntamente com vários Xavantes vieram à região para identificar as terras ocupadas em tempos remotos pela etnia.

 E a Dra. Iara relata às fls. 114 do processo administrativo, literalmente, que o Bispo teria dito o seguinte:

“Falou do faccionalismo Xavante e da manipulação exercida pela FUNAI sobre as lideranças como possíveis problemas a serem enfrentados nesta “devolução” aos Xavante. Na medida em que “esta proposta não trouxer novos conflitos para os “sem terra” da região (sic) ele a apóia e gostaria de vê-la formulada para  que, inclusive, pudesse apresentá-la na próxima reunião da CNBB (abril em Itaici, SP) e obter assim o apoio formal dos bispos para a proposta”

Ai um pergunta retórica: Aonde existiam “sem terras” em 1991? Certamente que na Suiá Missú não era.

Existiam “sem terras” à beira dos Rios Xavantinho e Tapirapé local de inúmeras desapropriações efetivadas pelo INCRA. Justamente para assentar os clientes da reforma agrária: “os sem terras da região”

 A posição do Bispo Pedro favorável aos Xavantes e contrária aos não índios,inseridos de boa ou má-fé na área demarcada do Posto da Mata é por todos conhecida.Desta forma não teria sentido e muito menos seria lógico que a afirmação do Bispo à antropóloga da FUNAI se referisse aos “sem terra”do Posto da Mata.

Outro ponto que causa espécie no relato da antropóloga é a afirmação do Bispo,no que diz respeito a “levar a proposta a CNBB”. Que proposta seria esta? Não seria leviano afirmar que a referida proposta se referia ao deslocamento da verdadeira terra Xavante para a área em conflito. Até porque a proposta inicial era que os Xavantes retornassem às suas verdadeiras terras, situadas à beira dos Rios Xavantinho e Tapirapé, conforme prova mapa cartográfico confeccionada pela própria FUNAI e já amplamente divulgado pela imprensa.

A Dra.Iara Ferraz quando da vistoria à região estava acompanhada por alguns índios Xavantes, que faziam parte da comissão criada pela FUNAI, com o escopo de identificar as antigas aldeias e cemitérios Xavantes existentes à beira dos rios Xavantinho e Tapirapé.

Os índios Xavantes: Miguel Tsereme, Armando Warutawari Xavante e Rafael Tsudzawere, que acompanharam a antropóloga Iara Ferraz quando da identificação das antigas aldeias da etnia Xavante declaram que o Bispo Pedro Casaldáliga pressionou a antropóloga Iara Ferraz e a FUNAI para deslocar a demarcação da verdadeira área Xavante para a área em conflito, quando assim afirmaram através de escritura pública declaratória, dentre outras coisas, categoricamente, o seguinte:

 

“Que quem comandava as vistorias era a antropóloga Iara Ferraz da FUNAI juntamente como italiano de nome Mariano Manpiere, que o italiano não era funcionário da FUNAI. Que naquelas oportunidades vistoriaram as 12(doze) antigas aldeias e cemitérios existentes em tempo passado à beira dos Rios Xavantinho e Tapirapé. Que várias plantações semeadas pelos Xavantes no ano de 1960 ainda se encontram nas antigas aldeias e que seu cemitérios ainda são facilmente identificados. Que as áreas ocupadas pelos xavantes nos anos sessenta são de cerrado e não áreas de matas; Que nós xavantes nunca ocupamos área de mata, que nossas plantações medicinais são do cerrado, nossas águas são de rios do cerrado nossas festas são com árvores do cerrado e do campo.”

“Que após as vistorias já no inicio do ano de 1992 o grupo de trabalho formado pelos declarantes foram até São Félix do Araguaia, para consertar a F- 4000 de propriedade da comunidade Xavante, que havia apresentado defeito. E por não disporem de recursos financeiros para promover os reparos pelo fato da FUNAI nunca ter dinheiro e por sugestão do italiano Sr. Mariano apenas os declarantes foram até a residência do Bispo Pedro Casaldáliga em São Félix do Araguaia, para tentar obter os recursos financeiros necessários para consertar a camionete F – 4-000, modelo antigo.”

“Que o bispo perguntou a eles o que eles estavam fazendo na região e eles afirmaram ao Bispo que faziam parte do grupo de trabalho da FUNAI, que estavam na região para identificar os locais exatos das antigas aldeias Xavantes e dos antigos cemitérios. Uma vez que definitivamente pretendiam retornar as suas antigas aldeias.”

“Que o Bispo não emprestou o dinheiro para a reforma na camioneta e ficou muito irritado falando muito mal da FUNAI e do Presidente da República. Disse que as áreas a beira do rio Xavantinho não podiam ser mais ocupadas pelos xavantes e que eles deveriam ir para as terras da Suiá Missú no Posto da Mata. Que não apoiaria o retorno dos Xavantes para as antigas aldeias uma vez que naqueles locais já haviam milhares de pessoas assentadas pelo INCRA. Que não entendia o motivo da IARA e o presidente da FUNAI estarem insistindo da demarcação das terras a beira do Rio Xavantinho e imediações”. 

“O que é certo que depois da conversa com Bispo Pedro Casaldáliga nossa verdadeiras terras a beira do Rio Xavantinho já ocupadas por milhares de pessoas foram de vez totalmente ocupadas em pouco tempo. No final da conversa o Bispo nos disse que o melhor era que aceitássemos o restante da fazenda Suiá Missú, local onde poderiam viver com dignidade e fartura uma vez que se tratavam de terras férteis e latifundiários. E ainda poderíamos viver harmoniosamente com os sem terra. Não dissemos nada ao Bispo e contamos tudo a Dra. Iara e ao Italiano que também nos aconselhou a aceitar as terras do Posto da Mata como sendo nossa e abandonarmos momentaneamente nosso sonho de retornar as nossas verdadeiras terras à beira do rio Xavantinho e Tapirapé”.

“Que a Dra. Iara nos disse que depois da aposentadoria ou morte do Bispo, que já era velho, poderíamos pleitear nova ampliação de reserva e reavermos nossas antigas aldeias e cemitérios. Que desta forma naquele momento tudo ficaria mais fácil com o apoio da Pastoral da Terra e do Bispo de São Félix do Araguaia, que era um Bispo influente no Brasil e no mundo inteiro”.

Quando da visita da antropóloga Iara Ferraz à região, a notícia correu logo e alguns vereadores da época foram ao seu encontro. Com o propósito de saberem qual o motivo da visita.

Dois vereadores da época o Sr. Dagmar de Oliveira Faleiros, a Senhora Conceição Pereira de Sousa e o Sr. Luiz Coelho Filho então presidente da ADECOM – Associação de Desenvolvimento Comunitário declararam através de escritura pública o seguinte:

 

“Com a comitiva da FUNAI vieram quatro ou cinco índios Xavantes dentre eles o senhor Rufino e Damião, que viemos a conhecer alguns após aquela oportunidade. Que a Dra. Iara nos informou que estava vistoriando as áreas situadas à beira dos Rios Xavantinho e Tapirapé e que as referidas áreas seriam em tempos antigos dos Xavantes. Inclusive teriam sido encontrados vestígios de doze antigas aldeias Xavantes e alguns antigos cemitérios existentes nos anos de 1960.”

“A Dra. Iara nos informou que os Xavantes pretendiam retornar as suas antigas aldeias... A Dra. Iara nos apresentou um pequeno mapa com os desenhos de ocas que representavam as antigas aldeias, a beira dos Rios Xavantinho e Tapirapé...”

“Nós convidamos a Dra. Iara para que ela fosse falar com o prefeito da época em São Félix do Araguaia o senhor José Antônio de Almeida e que nos fornecesse uma cópia do mapa elaborado pela FUNAI. Ela se negou a fornecer a cópia do mapa e a nos acompanhar até a presença do prefeito e disse que procuraria a Pastoral da Terra e o Bispo Pedro Casaldáliga para comunicar que os Xavantes pretendiam retornar as suas antigas aldeias...”

“A Dra. Iara foi falar com o Bispo Pedro Casaldáliga, nós fomos visitá-lo, juntamente com outro vereador à época dos fatos o senhor Osmar Kalil já falecido. Quando da visita ao Bispo Pedro ele nos falou que teria recebido a Dra. Iara e que ele teria dito que os Xavantes voltariam por bem ou por mal às suas antigas aldeias.”

“Ao nosso Bispo a Dra. Iara entregou a cópia do mapa elaborado pela FUNAI. Nós argumentamos com o Bispo que aquelas terras não poderiam ser devolvidas aos Xavantes uma vez que teriam sido doadas pelo INCRA aos sem terras.”

“O Bispo lembrou que ele próprio teria lutado para a consumação das desapropriações enfrentando a policia militar na gleba Bandeirante. O Bispo então propôs que nós todos os presentes à reunião fizéssemos uma carta endereçada a FUNAI, solicitando que a área demarcada atingisse o remanescente da fazenda Suiá Missú que era latifúndio de mais de 160 mil hectares e que era ocupada por pretendentes da reforma agrária, grileiros e proprietários. Que naquelas terras seria mais fácil a efetivação do retorno dos Xavantes. Argumentou o nosso Bispo que no local onde segundo o mapa da FUNAI existiam as doze aldeias além de áreas já desapropriadas existiam outras áreas em processos avançados de desapropriação para fins de reforma agrária.”

“O próprio Bispo em sua maquina de escrever redigiu a carta assinada por ele e todos os presentes endereçada à presidência da FUNAI, solicitando o deslocamento da área Xavante para o remanescente da fazenda Suiá Missú, local denominado a época de posto da Mata. Solicitou o Bispo ao vereador Osmar Kalil, conhecido como Mazinho que retirasse no cartório de registro de imóveis uma certidão atualizada do remanescente da matricula da fazenda Suiá Missú, para que tal documento acompanhasse a carta.”

“O Mazinho dois dias depois entregou a certidão ao Bispo. O Bispo informou na carta que somente daria apoio ao retorno dos Xavantes se fosse para aquela área. Todos os presentes assinaram a carta elaborada pelo nosso Bispo e alguns dias depois ela foi enviada para a presidência da FUNAI. Na ocasião o Bispo disse que iria pessoalmente falar com o presidente da FUNAI e que levaria representante do CIMI para alertar sobre os riscos de conflito se os Xavantes insistissem em retornarem para as antigas aldeias.”

“A solução encontrada pelo Bispo deu certa e a área demarcada foi o Posto da Mata e não a beira dos Rios Xavantinho e Tapirapé. Queremos afirmar que naquela ocasião a intenção do Bispo foi a melhor possível e tinha a finalidade de evitar conflito entre os Xavantes e os sem Terras, eis que no Posto da Mata tinha menos ocupantes do que o local das antigas aldeias xavante”.

Ao analisar o conjunto probatório, podemos verificar que a antropóloga da FUNAI, os próprios Xavantes e pessoas conceituadas na comunidade são unânimes em afirmar que houve a interferência direta do Bispo Casaldáliga no deslocamento da verdadeira Terra Xavante para a área em conflito.

A prova testemunhal aliada ao mapa cartográfico elaborado pela FUNAI, que demonstra de forma inequívoca que as doze antigas aldeias e os quatro antigos cemitérios não se encontram dentro dos limites da área demarcada, forma um conjunto probatório rico em detalhes.

Certamente para se chegar à conclusão da participação do Bispo na pressão à FUNAI, com tantos elementos indicativos dos fatos, não seria necessário à utilização do sistema das “ordálias,” comum na idade média. Como a prova do fogo, da serpente ou do duelo, que o Bispo sabe muito bem do que se trata, eis que eram meios de se obter as confissões pela tortura, práticas advindas do sistema religioso na idade média.

Agora afirmar, categoricamente, que ele praticou tais fatos não posso. Seria leviano de minha parte!

 

Néia Rondon: O senhor procurou o Bispo Pedro Casaldáliga para pedir o apoio ao acordo proposto pelo estado de Mato Grosso, que consiste na permuta da área correspondente ao Parque Estadual do Araguaia, pela área objeto do litígio?

 

Dr. Luiz Alfredo:

Eu procurei o Bispo e disse a ele que a exposição de motivos da lei mato-grossense tinha sido de minha autoria. E que não havia inconstitucionalidade na pretensão do estado de Mato Grosso, eis a existência de inúmeros precedentes históricos. Inclusive o Parecer nº 48 da autoria da AGU - Advocacia Geral da União, que se transformou em Decreto Presidencial, quando ratificado pelo então Presidente Lula trata de um caso semelhante.

O Bispo não aceitou ajudar. Disse que os índios não poderiam ser transferidos de suas terras ocupadas em tempos remotos. E que a proposta era inconstitucional.   Não aceitou sequer discutir o assunto.

 

Néia Rondon: O Bispo era contra o acordo de permuta pelo fato da transferência dos índios ser inconstitucional, mas era a favor do deslocamento da área para evitar conflito com os “sem Terras”. O Senhor Poderia explicar melhor?

 

Dr. Luiz Alfredo:

Quem deve explicar melhor o paradoxo é o próprio Bispo.

 Estamos na iminência do cumprimento prematuro da desintrusão.  E ainda é tempo do Bispo tomar partido de milhares de seres humanos que ocupam a área em conflito. Lá pode até ter grileiros e aproveitadores, mas a maioria é de pessoas humildes, crianças e velhos que sonharam um dia em viver em seu torrão próprio.

O poeta teológico Dante Alighieri dizia: “Todas as esperanças abandonam aqueles que entram aqui”

Eu digo:todas as esperanças abandonam aqueles que saírem de lá.

Depois da reunião com Bispo nunca mais o procurei. Agora faço um apelo em nome daqueles que estão sofrendo demasiadamente, por uma ordem judicial injusta. Bispo não abandone seu povo no final de sua trajetória humanista pela Terra. Não deixe que todo o seu passado seja maculado por uma atitude que à época foi a melhor e que agora se tornou a pior!

Mais uma vez utilizando do poeta Dante transcrevo outra frase de sua autoria, endereçada não apenas ao Bispo mas também as autoridades que se omitem, como o Ministro Ayres Britto, em momento de tanta injustiça estatal:

 “No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempos de crise.”

 

Néia Rondon/O Repórter do Araguaia

Comentários

Data: 23/11/2012

De: Manoel Ricco

Assunto: GRILO

Realmente, os invasores estão esperando que não vão sair numa boa, pois a justiça já decretou e todos terão que sair. Ontem mostrou um 3 mil pessoas aglomerado no povoado PMata. E eles dissem que são 7 mil, e preciso juntar gente de RCascalheira, SFAraguaia, Confresa e Vila Rica para dar 7 mil. Povo da PMata cairam no bico dos politicos, abre o olho? Vocês viram o que aconteceu em Roraima nas terras Raposa do Sol. Todos tiveram que sair, com sua mala e cuia. E assim será. As terras são dos Xavantes e a eles retornaram...

Data: 23/11/2012

De: Suía

Assunto: Suia

Esses valentões ai na primeira burrachada vaza, duvido que espera a segunda conheco essa cambada ai toda, vcs tinha era que tomar vergonha de falar dessa forma de uma igreja, ou de um representante dela, podia ver a diferença de uma reportagem feita em rede nacional do bispo pedro e uma do apostolo valdomiro e ver qual a diferença entre homes de verdade.

Data: 23/11/2012

De: Katia

Assunto: Bispo

Bispo salafrario!
Uma reforma geral já!!!!

Data: 23/11/2012

De: Anita

Assunto: Posto da Mata

Os covardes sempre procuram achar culpados para justificar seus erros. Quem conhece essa região sabe muito bem que até o inicio dos anos 90 não tinha posseiro nenhum lá. Que esses moradores mudaram para lá após 1992. Que segundo relatos essas terras eram da Suiá Missu e, em 1992 teriam sido devolvida ao Governo Brasileiro. Foi aí que apareceram os verdadeiros BANDIDOS como o Gilbertão e outros, fingindo de donos e "vendendo" as terras que não lhe pertenciam. Várias vezes me ofereceram terras para comprar nesta área. BANDIDOS SÃO OS SAFADOS QUE VENDERAM O QUE NÃO ERA DELES FALSIFICANDO DOCUMENTOS!
Quem criou essa lamentável situação foram esses mentirosos que enganram pessoas de boa fé, vendendo ou trocando terras.

Data: 23/11/2012

De: PATRAO

Assunto: DELIRIOS DE ANITA

EM 1992 TINHA INDIO LÁ,ANITA,ENGRAÇADO TODO MUNDO FALA QUE A AGIP, DEVOLVEU A TERRA AO GOVERNO BARSILEIRO,MAS DENTRO DO PROCESSO TEM UMA DECLARAÇAO DA AGIP DIZENDO AO CONTRARIO,VAI SE INFORMAR DIREITO ANITA E LARGA DE SER PAPAGAIO DE PIRATA FALANDO O QUE OUVE DA PRELAZIA.

Data: 23/11/2012

De: Anita

Assunto: Re:DELIRIOS DE ANITA

Delírios? Leia http://rdnews.com.br/blog/topico/operacao-pluma e outras publicações sobre a operação PLUMA da PF quando diversas pessoas foram presas acusadas de grilagem de terras.
Não afirmei que haviam índios lá em 1992. Disse que não haviam posseiros. Muito menos manifestei preferencia para índios ou não índios. O que afirmo é que a situação chegou ao ponto que está por causa dos APROVEITADORES, MENTIROSOS, INTERESSEIROS que ao invés de lutar por meios legais antes da homologação da reserva (1998) procuraram tirar vantagens grilando as melhores áreas e enganado os menos esclarescidos com mentiras, garantias de advogados (como se fossem juizes) de que ficariam com a posse da terra e prometendo que resolveriam tudo. Ganharam dinheiro, enriqueceram. Resolveram o problema para os demais???????????????

Data: 23/11/2012

De: PATRAO

Assunto: Re:Re:DELIRIOS DE ANITA

DESCULPE,ANITA TINHA ME ESQUECIDO E FINAL DO MÊS,VC ESTA NA TPM,KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK...................

Data: 24/11/2012

De: Anita

Assunto: Re:Re:Re:DELIRIOS DE ANITA

Que argumento inteligente, Patrão.
Bem se vê que para vc a verdade incomoda. Até´parece que é um dos envolvidos na operação PLUMA.

Data: 26/11/2012

De: PATRAO

Assunto: Re:Re:Re:Re:DELIRIOS DE ANITA

O SUA IDIOTA,VC ACHA QUE A PF,FECHOU O INQUERITO DA OPERÇAO PLUMA,ATE HOJE ELE ESTA ABERTO E SABE PORQUE,PORQUE SE ELA FECHAR O INQUERITO ELE TEM QUE DIZER NINGUEM DEVIA NADA,E SO VC OLHAR NO P.A.MAE MARIA A FUNAI DIZ QUE NUNCA TEVE INDIO E DO OUTRO LADO DA RODOVIA TEVE,A PROCURADORIA DA REPUBLICA DIZ QUE NO P.A.MAE MARIA OS DOCUMENTOS SAO BONS E DO LADO DA RODOVIA SAO FALSOS E DESLOCADOS,SE TODOS TEM ORIGEM NAS MESMA MATRICULA, POR ISSO VAI SE INFORMAR PRIMEIRO, DAS COISAS,BLZ.

Data: 22/11/2012

De: Ageu Silva Lima - Serra Nova Dourada - MT

Assunto: Vamos gente dar apoio aos poceiros de Posto Mata

Gente em vez de vocês ficarem fazendo comentários ai contra uns e outros vamos reunir um movimento em apoio aos poceiro de Posto da Mata, que quando o ministro presidente da suprema corte Brasileira, conhecido com batma que ta julgando os ladrão do mensalão,
ver pelas mídia brasileira o movimento de muita gente naquele local so assim ele vai se comover em indeferir essa autorização juducial injusta contra esse povo sofrido, 1° Deus e 2° ele podera resolver isso; fica aqui meu pedido de apoio ao povo do norte araguaia que pense nisso se não será tarde mais...

1 | 2 | 3 | 4 | 5 >>

Novo comentário