19/12/2012 - Forças policiais desocupam 15 fazendas em Suiá Missú, diz Funai

A Fundação Nacional do Índio (Funai) divulgou balanço da primeira semana da força-tarefa de desintrusão em curso na terra indígena Maraiwatsede, no nordeste de Mato Grosso, demarcada em 1998 sobre as terras da antiga fazenda Suiá Missú. Executada pela Força Nacional de Segurança (FNS) e pela Polícia Federal (PF), com apoio do Exército e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a operação abrangeu até o momento 31 fazendas, segundo a Funai. Destas propriedades vistoriadas, 15 foram retomadas dos ocupantes não-índios.

Segundo a Funai, 455 pessoas foram notificadas judicialmente a deixar a área de 165 mil hectares. O último prazo de 30 dias encerrou-se na última segunda-feira (17).

Em outras propriedades, os agentes estão avaliando as estruturas e estipulando prazos para a saída dos ocupantes. A maior delas, a do fazendeiro João Mamed Jordão, conhecido como ‘Alemão’, tem prazo de 10 dias para o cumprimento da retirada.

Foi lá que as forças policiais tentaram instalar, sem sucesso, sua base operacional no último dia 10. Porém, a população revoltada se dirigiu à porteira da fazenda e deflagrou confronto com os policiais, que revidaram com balas de efeito moral. Houve feridos de ambos os lados.

Depois do confronto, elevou-se o moral dos moradores de Suiá Missú, especialmente os reunidos no distrito urbano de Estrela do Araguaia (Posto da Mata). A partir de então, eles empreenderam uma verdadeira caçada aos comboios policiais à medida em que recebiam informações sobre o deslocamento entre as fazendas. Apesar do número elevado de homens envolvidos nessas caçadas, não chegou a haver mais qualquer confronto com as forças policiais.

Segundo o governo federal, a operação foi planejada para ser executada de forma pacífica. O discurso oficial é de que os xavantes retomarão seu espaço de ocupação tradicional e os ocupantes não-índios em devidas condições serão inscritos em programas de reforma agrária. Porém, a maioria da população local está já advertida quanto à ineficácia do trabalho do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e requer outra solução para seu impasse.

O governo alega que já cadastrou 183 famílias da região, sendo que 80 se enquadram no perfil para a reforma agrária. Eles também poderão ter acesso a outros programas, como Bolsa Família, Brasil Sorridente e Brasil Carinhoso. Nesta semana já seriam transferidas as primeiras cinco famílias para um assentamento em Ribeirão Cascalheira, município próximo a Estrela do Araguaia.

De acordo com o Incra, 22 propriedades rurais abrangem um terço das terras de Suiá Missú e foram as principais responsáveis pelo desmatamento do local.

Em toda a terra indígena, 455 pessoas foram notificadas a deixar a área, por meio de mandados judiciais, expedidos entre os dias 7 e 17 de novembro. Venceu ontem (17/12) o último prazo, de 30 dias, concedido pela Justiça Federal do Mato Grosso para que os não indígenas desocupem o território.

 

Da Redação - Renê Dióz

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