19/12/2012 - Promotor faz desabafo e diz que foi espionado e ameaçado durante a campanha eleitoral

O destaque da diplomação dos eleitos da região de Barra do Garças, nesta terça-feira, foi o discurso inflamado do promotor Marcos Brant Gambier Costa. Ao cumprimentar os eleitos e responsáveis pelo processo eleitoral, o representante do Ministério Público Eleitoral (MPE) disse que da missa o povo não sabe um terço e afirmou que foi ameaçado pelo que ele chamou de "ladrões de voto". 

Segundo o promotor, mesmo com todo o aparato montado pela Justiça com apoio da Polícia Federal, houve muita compra de voto na cidade. “Realmente, teve compra de votos, como se diz por aí, um derrame de dinheiro. Teve até candidato que guardou dinheiro porque não conseguiu comprar voto. Um dia essa situação muda com fé em Deus”, destacou. 

Brant disse que durante a eleição ele foi espionado e teve a vida execrada como também os juízes Rosângela Zacarkim e Francisco Rogério por poderosos políticos da cidade que tentaram o intimidar e ainda estariam articulando contra ele. “As intimidações ocorreram de várias formas com grampo, recados e indiretas”, ponderou. 

O promotor ressaltou a postura corajosa dos magistrados que não recuaram e ainda estão investigando as ações de crimes eleitorais e prestação de contas até mesmo de alguns eleitos da cidade. 

No seu pronunciamento, o promotor chegou a fazer um comparativo entre Barra do Garças e Ribeirãozinho. “Eu já fui diversas vezes em Ribeirãozinho e nunca houve um procedimento contra o prefeito dela, o Aparecido Marcos (PSD), que até se reelegeu, diferente de Barra onde o MPE tem vários procedimentos e o município está jogado as traças com lixo para todo lado”, disparou. 

Brant ressaltou aos eleitos, que o jogo ainda não acabou, e que alguns dos diplomados podem até mesmo não tomarem posse dia 1° de janeiro. “Nós vamos continuar apurando as denúncias de captação ilícita de votos e prestação de contas não adianta me ameaçarem”, ressaltou. 

O discurso de Brant mexeu com a platéia que o aplaudiu de pé. O promotor é considerado um dos homens mais sérios que Barra do Garças já teve e responsável por investigações sobre a máfia do asfalto que resultou na operação Atlântida, na criação do TAC da Saúde e vários enfrentamentos com o prefeito Wanderlei Farias que ainda deixando o poder. 

Nos demais discursos, a juíza Rosângela foi mais comedida e só pediu sabedoria aos eleitos na condução dos mandatos. O juiz Francisco Rogério alertou os eleitos sobre o papel de fiscalizar a correta aplicação dos recursos públicos. O prefeito eleito Roberto Farias (PSD), que falou pelos demais gestores eleitos, parabenizou Brant pelo discurso. “Faço das palavras do promotor as minhas nessa solenidade. Muita coisa que eu queria falar ele aqui o fez”, frisou. 

Beto citou o nome do seu pai, ex-governador Wilmar Peres, que o inspirou a entrar na política e conquistar esse mandato. Reafirmou o compromisso de realizar uma administração moderna e transparente onde o povo será ouvido. 

Em nome dos vereadores, discursou o ex-prefeito Paulo Raye, que volta à política barra-garcense depois de 18 anos, na condição do vereador mais votado da cidade. Paulo, que é médico, sugeriu aos colegas que busquem a simplicidade no mandato e destacou que o povo quer é médico educado no posto de saúde e remédio. 

Foram diplomados ainda os prefeitos de Pontal do Araguaia, Divina Oda (PSB); de General Carneiro, Magali Vilela (PSD); de Torixoréu, Odoni Mesquita (PSD); de Ribeirãozinho, Aparecido Marcos (PSD) e de Araguaiana, José Marra (PSDB) e seus respectivos vice-prefeitos e 71 vereadores que compõem o legislativo desta região.

 

De Barra do Garças - Ronaldo Couto

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