20/08/2016 - Grupo Bom Futuro investe na piscicultura em Canarana sem deixar de lado a lavoura

20/08/2016 - Grupo Bom Futuro investe na piscicultura em Canarana sem deixar de lado a lavoura

“É preciso se preocupar muito com cuidar da terra, porque ela é orgânica e só vai responder bem com produtividade se for bem tratada. O mesmo acontece com o peixe e a água”. Esse é o pensamento de José Maria Bortoli, o Zeca, um dos Diretores da empresa que detém a maior produção de soja e algodão do mundo, além do maior consórcio lavoura-pecuária: o Grupo Bom Futuro, que está na ativa há 30 anos.

Ele e mais três empreendedores – Eraí Maggi Scheffer (conhecido como o ‘rei da soja’), Elusmar Maggi Scheffer e Fernando Maggi Scheffer – iniciaram uma grande história, recheada de muita vontade de trabalhar, que começou em uma pequena fazenda. “Nasci em meio à agricultura do Rio Grande do Sul, com seus vinhedos, macieiras e todo tipo de pomar. E sempre me vi motivado a buscar oportunidades diferentes, dentro da agricultura e fora dela”, relembra Zeca. Foi no Estado de Mato Grosso que a empresa foi instalada. “Ali havia grandes áreas cultiváveis a um preço atrativo, que possibilitaram o aumento da escala”, comenta. Antes de 1994, os grandes desafios estavam relacionados à infraestrutura e à instabilidade dos planos econômicos. Mas, com uma boa administração e transparência, logo o Grupo tornou-se uma potência produtiva no Estado, com atividades presentes em todas as regiões de Mato Grosso.

O segredo do sucesso do Grupo Bom Futuro apoia-se no plantio direto, na pesquisa de melhoramento genético das sementes, no recurso financeiro de longo prazo, na diversificação das culturas (com duas safras anuais devido ao regime de chuva na região), assim como na rotação e na integração lavoura-pecuária.

Patrimônio

Imagine o tamanho de quase duas vezes a cidade de São Paulo – ou cerca de 410 mil hectares de soja, milho e algodão, sendo 86 fazendas e 31 unidades centralizadoras em Mato Grosso. Essa é a realidade do Grupo Bom Futuro, que chega a empregar mais de cinco mil pessoas e tem suas atividades separadas em divisões. O Bom Futuro Agrícola, que compreende a produção de soja, milho e algodão, possui 13 armazéns de grãos, com capacidade para 800 mil toneladas. A divisão Sementes vende esses itens de soja e algodão para empresas reconhecidas nacional e internacionalmente. Também há uma unidade focada em aproveitar o potencial hídrico de Mato Grosso, gerando energia limpa e renovável, por meio de três pequenas centrais hidrelétricas.

Além disso, existe a Bom Futuro Transportes. O Grupo também tem a divisão Pecuária, cuja produção contabiliza 165 mil cabeças, entre Nelore, Meio Sangue e Aberdeen Angus para criação e engorda, desenvolvidas em confinamento e semiconfinamento. Para alimentar todo esse rebanho, a ração é feita em uma fábrica própria, cuja produção chega a 100 toneladas por dia.

O mercado está para peixe

A diversificação de atividades mantém o Grupo Bom Futuro no caminho certo, a partir da constatação de que o mercado está favorável para a piscicultura. A operação surgiu ao acaso. “Uma das fazendas que compramos já tinha um pequeno projeto de piscicultura instalado, que aos poucos foi sendo testado e profissionalizado. A partir daí começamos os novos investimentos. Testando e atestando, sem pressa. O mercado está para peixe, sim, principalmente agora que vemos cada vez mais a especialização de toda a cadeia”, afirma Zeca. Apesar de ser uma atividade agrícola ainda muito jovem no Estado de Mato Grosso, ela é vista pelo Bom Futuro como promissora. “Buscamos investir e testar novas tecnologias que possam contribuir para o aumento da escala de produção e a melhoria do padrão de qualidade do produto”, afirma a Gerente de Piscicultura e filha de Zeca, Aline Bortoli.

Seguindo os avanços e as tendências da aquacultura, o Grupo possui quatro unidades de produção, sendo três em tanques escavados em Mato Grosso, nos municípios de Campo Verde e Canarana, e uma em tanque-rede, em Juscimeira, também no Estado. Essa é a aposta para o futuro da empresa: investir na criação de peixes no sistema de tanquerede. “Enquanto os avanços na genética do peixe nativo estão sendo iniciados, estamos melhorando os apontamentos de gestão dentro do nosso negócio. Hoje temos nossa própria fábrica de ração e estamos em fase de conclusão dos testes em tanque-rede de grande volume”, conta.

Os tanques escavados possuem 250 hectares de lâmina d’água, nos quais são produzidas 2,5 mil toneladas por ano das espécies tambatinga, pintado da Amazônia, tilápia e piauçu. Na unidade de tanque-rede, o Grupo Bom Futuro conta com 12 jaulas de 18 por 18 metros. “Esperamos produzir 50 toneladas de peixe em cada uma, mas como estamos em fase de povoamento dessas jaulas, ainda não fizemos qualquer despesca que pudesse validar esse número”, diz a Gerente. “Operamos nossa Planta frigorífica, com Serviço de Inspeção Federal (SIF), por dois anos antes de adotar a estratégia de focar apenas na produção e deixar o beneficiamento para clientes mais voltados para esse segmento. Porém, agora estamos fazendo estudos de viabilidade na intenção de reativá-la, em parceria com esses clientes”, explica. “Hoje vendemos toda a nossa produção para unidades beneficiadoras espalhadas pelo Brasil, principalmente na região Centro-Oeste”, completa.

Nos últimos 12 meses, foram produzidas no Grupo Bom Futuro 2.727 toneladas de peixes, entre todas as espécies. “Assim como existem diferenças entre galinha caipira e frango de granja, também existem diferenças entre peixes de cultivo e pescados. O nosso diferencial é fornecer um peixe com excelente padrão de qualidade, com constância na entrega, boas práticas de manejo e garantia de que foi alimentado com uma ração que contém os melhores ingredientes do mercado”, afirma.

Futuro próspero

Quando o assunto é progresso, o Grupo Bom Futuro aposta na agricultura de precisão e em pesquisas. “Nunca fizemos muitos planos, mas uma coisa é certa: precisamos continuar crescendo de forma sustentável, com a mesma agilidade de resposta às mudanças dos ambientes externo e interno”, afirma Zeca. “Nossa intenção é sermos cada vez mais eficientes no que fazemos. Sendo assim, ainda temos bastante trabalho dentro de casa, pois há sempre espaço para melhorar”, conclui.


Em piscicultura, a ideia da empresa é continuar a produção de peixes em tanques-redes de grande volume. “Somos um player atuante e respeitado, que traz uma colaboração significativa para o negócio do peixe”, reforça a Gerente de Piscicultura.

 

 

 

Assessoria via O Pioneiro