21/10/2014 - Enquanto os Tapirapé realizam evento em comemorações, os Karajá estão encurralados pela pobreza e preconceito

 

No último sábado (18/10) os indígenas da etnia Karajá que pertencem ao Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei/Araguaia), com sede em São Félix do Araguaia, MT, vinculado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde, há 1200 km de Cuiabá, formado por lideranças indígenas Karajá de 11 aldeias, reuniram na aldeia Fontoura, na Ilha do Bananal, onde discutiram a situação e organizaram novas ações. Os indígenas encaminharam uma denúncia para o Ministério Público Federal e uma carta para o coordenador da SESAI. Na denúncia e na carta a comunidade Karajá expõe a situação atual e enumeram as suas reivindicações.

Os indígenas estão denunciando novamente, uma situação que se arrasta por anos e que já foi comprovada pela Auditoria da Controladoria Geral da União (CGU).  Em março desse ano, a Folha de São Paulo, noticiou o resultado dessa auditoria que constatou um gasto irregular de 6,7 milhões com a saúde indígena brasileira nos anos de 2011 e 2012. O Dsei Araguaia, um dos 34 distritos do País, foi apontado com um, dos dois distritos, onde foram encontradas as irregularidades. A auditoria apontou problemas de falta de infraestrutura, o número de veículos quebrados, a existência de uma firma prestadora de serviços fantasma e o grande número de medicamentos vencidos.

Segundo um dos líderes Karajá, Dr. Samuel Karajá, Por determinação do Secretário Antonio Alves, numa retaliação inconstitucional paralisou o transporte, veículos e barcos, que realizam o transporte dos pacientes e dispensou as enfermeiras que realizam plantão nas aldeias, enquanto para os índios da etnia Tapirapé não foi suspenso nenhum serviço, está funcionando a todo vapor. Em comemoração aos 20 anos dos indígenas da etnia Tapirapé na aldeia Tapitawa. O evento iniciou quinta-feira (16) e finalizam hoje 20 de outubro. Dentre várias comemorações estão às apresentações culturais, campeonato de futebol e apresentação de bandas locais e de outros estados. “A saúde indígenas nas aldeias que está uma calamidade”, disse Samuel.

Já para o cacique Luis Carlos Mauri Karajá (Sansão), cacique da aldeia Santa Izabel do Morro através da Igreja Adventista que em uma visita, comoveu com a situação na aldeia reformaram os banheiros.

Os indígenas Karajás resistem e gritam por justiça e por seus direitos. Oxalá fossem respeitados! O Dsei atende mais seis etnias: Tapirapé, Guarani, Krenak, Javaé, Maxacali e Tapuiu, nos estados de MT, GO e TO.

 

Entende o Caso

 

Em um ato de protesto, os indígenas da etnia Karajá, levaram no dia 08 de outubro, o coordenador do Dsei, Milton Martins de Sousa, para uma de suas aldeias, na Ilha do Bananal, TO, e a condição para liberá-lo seria uma reunião com o  coordenador da Secretaria de Saúde Indígena, Antônio  Alves de Sousa. No entanto, após quatro dias, sem resposta ao pedido, Milton conseguiu fugiu da aldeia. Enquanto os vigilantes dormiam, funcionários do DSEI levaram o coordenador.

 

Leia a Carta: carta de reivindicações Karajá

Atualmente, segundo os indígenas, 90% dos barcos a motor estão quebrados, o que impossibilita o transporte dos pacientes. Eles querem que sejam realizadas a compra de peças para manutenção.  A comunidade também exige a regularização dos contratos para compra de medicamentos, “pois não adianta ter médicos e enfermeiros se não tem medicamentos para continuar o tratamento”, diz a carta.

 

Os indígenas cobram esclarecimentos de possíveis atos de corrupção dentro do Dsei. Questionam a contratação irregular de funcionários. E exigem que os contratos dos pilotos de barco sejam regularizados, pois os pilotos, funcionários indígenas, estão há dois meses trabalhando sem garantias trabalhistas.

 

Alcoolismo, uma ferida aberta

E um pedido dessa carta revela a complexidade do problema na saúde que os Karajá enfrentam e diz respeito ao retorno do contrato dos vigilantes. Embora a comunidade saiba e tenha a responsabilidade de cuidar do prédio e do patrimônio dos postinhos de saúde dentro das aldeias, os indígenas afirmam que devido ao crescimento do alcoolismo dentro das comunidades é quase impossível impedir as depredações e prejuízos aos prédios e patrimônios públicos e por isso se faz necessário a recontratação de um guarda, que foi suspenso pelo Dsei.

 

O alcoolismo continua marginalizando e matando silenciosamente jovens, velhos, mulheres e homens karajá. Em 2004 a Fundação Nacional da Saúde (FUNASA) divulgou uma pesquisa realizada com homens karajá de cinco aldeias: Tytemã, JK, Wataú, Santa Isabel, São Domingos e Fontoura – todas localizadas às margens do Rio Araguaia, na divisa entre os estados de Tocantins e Mato Grosso, próximas a São Félix do Araguaia, e Luciara, municípios de MT. Dos 558 homens entrevistados, cerca de 214 disseram que consumiam bebidas alcoólicas, o que corresponde 38,40% da população. Destes, 77% dizem ficar embriagados. Já foram realizados diversas reuniões com o Ministério Público Federal, foi criada uma “Força-Tarefa” entre  diversas entidades e saíram nas aldeias ministrando palestras e seminários, fazendo reuniões, dia disso, dia daquilo, mas até o momento não foi implementada nenhuma política pública efetiva para enfrentar o problema do alcoolismo.

 

Além de ser uma questão de saúde pública o alcoolismo entre os indígenas, hábito introduzido pelo contato com a sociedade não-índia, está influenciando a vida nas aldeias e ameaçando a segurança de seu território. O álcool, assim como na sociedade “branca” gera violência dentro das famílias, pobreza e marginalização. Não existes nados concretos.  Entretanto, o povo Karajá continua resistindo culturalmente, lutam para manter viva muitos de seus havpois estão lutando para manter vivo sua cultura. O bispo Pedro Casaldáliga no documentário: Besoróró, A TV e OS KARAJÁ, “Os Karajá são um povo forte, pois depois de três séculos de massacre, massacre cultural sobretudo, falam a língua é um povo forte”. E acreditando nessa força que os mantem unidos, somos motivados abraçar suas causas e compartilhar a dor de suas feridas.

 

 

 

Vanessa Lima/O Repórter do Araguaia

 

Comentários

Data: 29/10/2014

De: amelia

Assunto: \karajá

O brasil todo falta remédios e muitos morrendo em cais.Vcs ganham tudo na mão e reclamaam.
E o restante dos brasileiros q vive morrendo sem médico .Tem que juntar o Brasil todo para dizer queremos melhorias na saúde .E dilma novamente vai olhar isso ??????

Data: 22/10/2014

De: Elioman Chaves

Assunto: Descaso com o povo Karajá Região Rio Araguaia

È com indignidade que vejo estes dados desfavorável ao povo Karajá.
1 - A FUNASA não conseguiu resolver os problemas da Saúde - Retirou todos os parceiros da area;
2 - Criou uma SESAI que piorou mais ainda a saúde indígena e agora falam em criar um instituto ´brincadeiraaaaaaaaa.
A FUNAI por incompetência dos Coordenadores também não fazem nada. Acabou os projetos e abriu as fronteiras da ilha Terra Indígena para o retorno do gado, caravanas de pescadores, caçadores e madeireiros. Contrariando uma decisão da Justiça Federal de 2008. Vamos rever isso MPF, Justiça e AGU.
O futuro dos índios só se espera o pior. Pois além desses problemas estamos enfrentando o desmatamento a irrigação dos rios sem controle e que vai piorar mais ainda a vida dos indios. Vamos refletir e buscar soluções urgentes.
Não dar mais para esperar?????????

Sds

Elioman

Data: 22/10/2014

De: eu

Assunto: indio

so sei te dizer que o que fizeram , vao pagar por isso

Data: 21/10/2014

De: amigo

Assunto: parabe´ns

quero deixa aqui meu parabéns a vanessa por estar acompanhando e divulgando o que esta acontecendo com os karajas. enquanto a maioria tenta esconder o jornal vem e mostra. parabéns vanessa por se mostrar solidaria a causa.

Data: 21/10/2014

De: A.B. V.

Assunto: karajas

é e os nossos irmãos xavantes que estão morrendo de fome. Pelo menos quando havia o Posto da Mata eles recebiam ajuda dos posseiros.

Data: 21/10/2014

De: nós

Assunto: indegenas

parabéns Vanessa pela matéria muita bem feita, esta ai é a realidade dos povos indígenas de nossa região.

Data: 20/10/2014

De: PATRAO

Assunto: KARAJA

O BANDO DE MANE,A SITUACAO E MUITO GRAVE, ENQUANTO OS INDIOS PASSAM POR NECESSIDADES,OS DIRETORES DE ONG E SESAI,FAZEM FESTAS NABABESCA,

Data: 23/10/2014

De: Divino

Assunto: Re:KARAJA

Enquanto os povos indígenas morrem sem comida, sem medicamentos e sem assistência adequada, os chefões da sesai esbanjam PODER, as coisas só estão assim porque a voz dos povos indígenas foram caladas e a unica forma que encontraram foi fazer o que fizeram, os Karajás estão de parabéns, embora demoraram muito para reagir, o importante é que reagiram, pra frente meu povo, meu coração é Karaja.

Data: 20/10/2014

De: Abestaiado

Assunto: texto

Deixem de ser abestaido, o povinho chato, deixem a mulé trabaia.

Data: 20/10/2014

De: LEITOR

Assunto: QUER APOSTAR ?

É claro que ela vai deletar todos esses comentários....vai dizer que são ofensivos....
Ofensivo e se apropriar dos textos dos outros e dizer que são seus

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