21/02/2012 - Servidor da Funai é despido em protesto de índios e diz ser torturado

Os índios da etnia Kaiapó, na divisa de Mato Grosso e Pará, estão aguardando uma posição da Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre a reivindicação da suspensão da construção de duas pousadas próximo ao rio Xingu e demarcação da área indígena deles. Na semana passada, os índios mantiveram um funcionário da Funai de Colíder, Manoel Aparecido Nunes de Melo, 42 anos, refém por quatro dias obrigando-o gravar um vídeo explicando o motivo que estava amarrado. 

No vídeo, o servidor pede socorro às autoridades e relata os maus tratos que sofreu. Ele aparece no vídeo amarrado junto à placa do governo federal da área indígena e pintado com urucum e bastante sujo. O servidor chora e reclama de picadas de mosquitos e agressões cometidas pelos indígenas. 

O servidor foi solto na quinta-feira (16) e está com a família e passa bem. As lideranças aguardam uma nova comissão da Funai de Brasília. O funcionário foi capturado quando estava na aldeia para checar a explosão de um caminhão na reserva. 

O coordenador da Funai de Colíder, Sebastião Martins, lamentou o incidente com o servidor que segundo ele está bem e se recupera das picadas de mosquitos e abelhas. Os índios usaram deste expediente para protestar sobre a demora de demarcação da área indígena. Sobre a construção das pousadas, o Ibama já aplicou R$ 450 mil de multas e apreendeu equipamentos de empresários por se tratar de área de proteção ambiental. 

 

Olhar Direto

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