21/02/2015 - Riva diz "estranhar" ser foco de reportagem do "Fantástico"

O ex-deputado estadual José Riva (PSD) disse “estranhar” ser o foco de uma reportagem que será exibida no Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (22), a respeito de um suposto esquema de corrupção envolvendo gráficas na Assembleia Legislativa e no Governo do Estado.

“Me admira muito focarem essa questão em mim. Tem alguma coisa estranha aí, que uma hora será desvendada. Eu estive os últimos seis anos na presidência, mas presidente não ordena despesa, presidente não cuida da parte administrativa. Então, o que me conforta é saber que uma hora essa mentira será desvendada”, afirmou.

Riva ainda ressaltou o fato de ter sido afastado da presidência, por decisão judicial, e ter voltado ao comando da parte legislativa apenas nos últimos três meses de seu mandato.

Ele ainda colocou em suspeição a colaboração do ex-deputado estadual Maksuês Leite à Justiça, a qual a denúncia se baseia.

“Não estou falando que o foco tem que ser em outra pessoa, estou falando que é muito estranho focarem em mim, mesmo porque fiquei boa parte do tempo afastado da presidência também. E, hoje, é muito fácil uma pessoa que deve na Justiça tentar melhorar a situação dela fazendo uma delação premiada. Todos estão fazendo delação premiada”, ironizou.

“Uma hora a verdade vai aparecer, porque nunca negociei com esse rapaz. Uma coisa que a gente nunca aceitou foi chantagem - e o chantagista, quando sai perdendo, delata. É uma pena, mas tenho certeza que quando a investigação aprofundar vão ver que eu não devo nada”, afirmou.

Na chamada da reportagem, Riva é classificado como o “homem que responde a mais de 100 processos”. 

“Todo mundo sabe o que são esses mais de 100 processos: era um só, que foi fragmentado. E já reverti alguns, entre eles o que me afastou da presidência da Assembleia. Espero que tenhamos, a partir de agora, oportunidade de produzir provas nesses processos”, disse.

A denúncia

Em depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE), Maksuês Leite, que era dono da Gráfica Propel Ltda., disse que o então deputado José Riva, em setembro de 2012, o orientou a procurar o então secretário-geral da Assembleia, Márcio Pommot, que lhe daria as orientações para participar de licitações.

Depois de quinze dias, Maksuês disse que procurou Márcio, que lhe explicou como funcionava o esquema: “As gráficas ficavam com apenas 25% do valor e voltava, para a Assembleia, os outros 75% pagos. O Márcio me disse que esses 75% eram para ‘tocar a Casa’, que significava dividir o dinheiro entre eles”.

Apesar de o material supostamente nunca ter sido entregue na quantidade contratada, o MPE afirmou que os valores teriam sido pagos integralmente ao ex-deputado.

O depoimento de Maksuês serviu de base para várias ações civis por ato de improbidade administrativa e uma ação criminal.

 

 

Douglas Trielli 
Da Redação

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