21/04/2014 - Após desintrusão, Alto Boa Vista vive caos econômico e social, diz prefeito

A desintrusão no Distrito Estrela do Araguaia (Posto da Mata) não deixou rastros apenas no local onde existiam as casas, mas também na economia e extensão territorial de Alto Boa Vista. A cidade “encolheu” 72%  e hoje vive uma crise de arrecadação e redução de sua cadeia produtiva. “Como colocamos 72% da cidade nos 28% que nos restaram?”, questiona o prefeito Leuzipi Domingues Gonçalves (PMDB), que também era um dos moradores da Gleba Suiá Missu, que deu lugar a Terra Indígena Marawaitséde, dos índios Xavantes.

 

Segundo ele, até a expulsão dos moradores, a cidade vivia um crescente aumento da produção agrícola, especialmente por meio da criação de gados e plantação de soja, arroz, milho, abacaxis e hortifrutigranjeiro. Nelson do Abacaxi, um dos agricultores, pontua que chegou a ter 150 mil pés de abacaxi e 1,5 mil de caju em seus 27 hectares.

Nos silos que existiam na localidade reuniam mil sacos de arroz por dia. Em relação à soja, havia cerca de 20 mil hectares plantados, de um total de 80 mil hectares em todo o município. Conforme o presidente em exercício da Aprosul, Florêncio Paulo Borges, haviam 961 produtores cadastrados. Florescêncio, inclusive, é um dos que perderam tudo. Ele relata que tinha uma situação estável, com 830 hectares, mas que, agora, a sua vida está sem rumo. Sem ter para onde ir, vive de favor. “Ainda bem que não fui um mau patrão, hoje, por exemplo, vou dormir na casa de um ex-funcionário”.

A agricultura, no entanto, não era o “carro chefe” da economia, mas, sim, a criação de gado de corte e leiteiro. Conforme Leuzipi, até a desintrusão, apenas nas terras do Posto da Mata, existiam 110 mil animais e hoje são apenas 30 mil, que ficam em pastos alugados e são levados de um lugar para o outro. “Antes sempre encontrava boiada, agora, a região morreu”.

Outra situação que comprometeu a capacidade de arrecadação e ampliou o número de pessoas desempregadas foi à demolição do laticínio da Piracanjuba, que gerava 300 empregos diretos e R$ 120 mil em impostos por mês. Em 2013, o orçamento da cidade foi de R$ 13 milhões neste ano estimado em R$ 14 milhões, mas o prefeito pondera que os índices de arrecadação têm caído, por isso, a tendência é que seja menor do que o previsto.  “Agora, não tem renda, não tem emprego”, reclama o prefeito. Pondera que apenas o funcionalismo público e comércio movimentam a economia.

O peemedebista reclama ainda que a situação gerou um grave problema social porque as pessoas que foram expulsas tiveram que voltar para a cidade, ficando alojadas em casas alugadas, de amigos, parentes e sem emprego.

Muitas dependem do apoio da prefeitura para não passar fome e 2 idosos estão em um hotel que funciona como um asilo improvisado, já que não têm para onde ir. “Temos duas, três famílias vivendo em uma mesma residência”.

Leuzipi faz questão de reforçar que a administração teve que correr contra o tempo para evitar um caos nos setores de saúde e de educação. Como um PSF e 2 escolas foram demolidas pela Polícia Federal, ele teve que alugar duas salas de aula para colocar os alunos e evitar que não tenham acesso à educação, além de investir R$ 102 mil para a viabilização de um novo posto de saúde para atender a população.

Ele pontua ainda que foi necessária a contratação de médicos, assistentes sociais e psicólogos porque muitas pessoas estão precisando de apoio. “Já enterramos 15 pessoas carentes”, lamenta.

 

Patrícia Sanches

 

Comentários

Data: 22/04/2014

De: Osmar Kan

Assunto: Economia

A solução sempre foi e sempre será a Economia Sustentável. Sem dinheiro ninguém vive. Sem respeito ao próximo não existe sociedade democrática.

Data: 21/04/2014

De: Morador do Alto

Assunto: vamos deixar de hipocrisia !

Um município que teve como prefeitos Aldeci e Mario, que saquearam a Prefeitura durante anos, agora quer colocar a culpa da situação do município nas costas dos Xavante !
Quanta hipocrisia !!!

Data: 22/04/2014

De: Pensador do Posto da Mata

Assunto: Re:vamos deixar de hipocrisia !

O prefeito Leuzipe em nenhum momento citou que a responsabilidade é da etnia Xavante, menciona o prejuízo que foi causado com a destruição de propriedades produtivas, empreendimento que geravam empregos, e uma população inteira sem renda e sem rumo, tendo que ser atendida pelo que restou desse desastre que o grande responsável é o Governo Federal.

Indígenas e não indígenas poderiam sim ter uma convivência e relação harmoniosa, sem precisar da truculência e métodos que nem a ditadura usou quando esteve no poder.

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