21/05/2011 10h:00 Índios insistem na expulsão de fazendeiros da Suiá

 Líderes do grupo indígena xavantes, do Araguaia, descartaram nesta sexta-feira a possibilidade de aceitar um acordo de permuta de terras com o Governo do Estado, sugerida como saída para se evitar a expulsão de 6 mil fazendeiros que habitam parte da Área Indígena Marãiwatsede, no município de Alto da Boa Vista. Eles insistem na desocupação da área, atendendo a decisão da Justiça Federal. O cacique Damião Paradzane afirmou que a comunidade quer regressar ao seu território de origem.

 

A proposta de permuta da área foi apresentada pelo governador Silval Barbosa ao secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, na ultima quinta-feira, em Brasília. A área a ser permutada é maior que os índios reivindicam: ela tem 225 mil hectares e é considerada rica em recursos naturais e situada entre o rios das Mortes e Araguaia. A Gleba Suiá Missu, que está dentro da reserva, possui 152,3 mil hectares.

A questão, segundo os indígenas, não se trata de tamanho, mas pelo fato da área ser um território em que habitavam seus ancestrais. Nos anos 60, a Fazenda Suya Missu foi adquirida com incentivos fiscais e em 1966, os índios transportados em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para a Missão Católica de São Marcos, onde teriam sido  persuadidos pelos padres a aceitar a transferência, sob pena de morrerem à míngua no local onde se encontravam. Desde então, o grupo luta há mais de 50 anos pela posse da área.

O reconhecimento de que a área pertence aos índios se deu pela  "Campagna Nord-Sud, Biofera, Soppravivvenza dei Popoli, Debito" - formada por organizações italianas de cooperação, ambientalistas, sindicatos e parlamentares. O "Dossier Brasile: responsabilità italiane in Amazonia" tratava dos investimentos italianos na Amazônia e confirmou a existência de alguns latifúndios de propriedade de empresas italianas no ambiente amazônico. Foi reconstruída assim a história da "Agropecuária Suiá-Missu S.A”, que ficou conhecida na década de 70 como o maior latifúndio brasileiro - senão da América Latina.

Há dez anos a Justiça Federal concedeu a eles o uso e desde então eles tentam tomar posse da propriedade. Recentemente, o Tribunal Regional Federal decidiu pela retirada das famílias que ocupam a área. A questão está sendo definida pela Advocacia Geral da União e Ministério Público Federal.

Na disputa pela área, a Terra Indígena Marãiwatsede sofreu inúmeros desmatamentos, com vistas à extensão de pastagens. Abrigando restos de inúmeras aldeias antigas, cemitérios e a memória da história recente dos Akwe-Xavante orientais, Marãiwatsede, que significa “Mata Bonita”, em língua xavante, é uma região particularmente significativa para cerca de mil índios  distribuídos atualmente nas aldeias Água Branca, São Felipe, Namunkurá e Hu'uhi. Os Xavante contam, atualmente, com uma população total estimada em 14.000 pessoas, em mais de 70 aldeias no estado de Mato Grosso.

Ao apresentar a proposta de permuta da área, o governador Silval Barbosa deixou claro que teme pela possibilidade de um conflito entre fazendeiros e índios, que vem ameaçando constantemente ocupar as propriedades que estão sob suas terras. Na região, existem em torno de 50 mil cabeças de gado, segundo líderes dos produtores rurais. Dentro da gleba existe inclusive uma localidade denominada Estrela do Araguaia, onde há inclusive escola e comércio estabelecido.

 


Fonte: 24 Horas News