21/08/2014 - Entidades denunciam assassinatos motivados por briga por terras em MT

Três pessoas assassinadas em Mato Grosso, na última semana, podem ter sido mortas por situações de disputas por terras no estado, conforme denúncia da Comissão Pastoral da Terra, Movimento dos Sem Terra (MST) e outras 17 entidades. A primeira vítima, Maria Lúcia do Nascimento, era do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, e foi assassinada a tiros no dia 13 de agosto em um assentamento na Gleba Macaco, em União do Sul, distante 689 km de Cuiabá. No último sábado (16), o presidente da Associações de Produtores Rurais Nova União (Aspronu), Josias Paulino de Castro, e a mulher dele, Ireni da Silva Castro, foram mortos por disparos de pistola, em uma estrada rural no Distrito de Guariba, em Colniza, a 1.065 km da capital.

Para a Comissão Pastoral da Terra, o MST e as demais entidades, as três mortes são execuções de líderes da luta pelo direito à terra e a situação atual é de 'barbárie social'. Conforme a instituição, o número de ameaças de morte no campo tem crescido nos últimos anos. Foram 10 em 2011, 21 no ano seguinte e 27 casos em 2013, além de três assassinatos no ano passado.

As vítimas da última semana foram mortas, segundo a Comissão Pastoral da Terra, depois de terem denunciado a situação vivenciada por muitas famílias no campo. Os casos chegaram ao conhecimento da Ouvidoria Agrária Nacional e foram debatidos em uma audiência com o órgão no início de agosto, em Cuiabá, mas as denúncias teriam acirrado ainda mais o conflito, diz a Comissão.

A polícia não descarta que a motivação seja a disputa por terras. “A Polícia Civil tem o conhecimento que ele [Josias Castro] era uma pessoa muito ativa na terra, e nesse momento não descartamos nenhuma possibilidade. O fato é muito recente e a gente só vai poder afirmar o motivo no decorrer do inquérito policial. No momento não é possível dizer qual seria o motivo do homicídio”, disse o delegado Marco Remuzzi, responsável pelo caso.

Audiência e denúncia

No início do mês foi realizada em Cuiabá uma audiência com a Ouvidoria Agrária Nacional para tratar de assuntos como o conflito de terra em Guariba. Participaram do encontro representantes do Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso), Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Polícia Militar, Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária), MPF (Ministério Público Federal) e Secretaria de Justiça do estado (Sejudh).

Na ocasião, o presidente da Aspronu teria denunciado a grilagem de grandes áreas de terras públicas promovidas por fazendeiros, a expedição de títulos irregulares por parte do estado, extração ilegal de madeira, envolvimento de políticos na situação de conflito agrário e favorecimento à ilegalidade na região por parte de forças policiais. Ele também teria dito que estava sendo ameçado.

Ocupações e conflitos

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura afirma que mais de 8 milhões de hectares que pertencem ao estado ou à União estão ocupados de forma irregular. A Comissão Pastoral da Terra estima que em Mato Grosso existam cerca de 30 mil famílias. As áreas consideradas mais tensas pela entidade, quando se trata de conflito de terras, ficam em União do Sul, Colniza, LuciaraVila Rica, Nova Guarita, Nova Maringá, Guiratinga, Confresa, Cláudia, Vera, Novo Mundo e Rosário Oeste.

 

Do G1 MT
Carolina Holland

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